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Splash, a lontra que atua em missões de resgate aquáticas nos EUA

Splash, uma lontra treinada para buscas subaquáticas, já participou de dezenas de operações nos Estados Unidos e ajudou até a solucionar um homicídio antigo

14 mai 2026 - 11h21
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Quando se fala em animais especializados em buscas e resgates, os cães farejadores costumam ser os primeiros a vir à mente. Mas uma equipe nos Estados Unidos vem chamando atenção ao apostar em um ajudante bastante improvável: uma lontra.

Conheça Splash, a lontra treinada para missões de resgate aquático nos EUA; animal já ajudou em diversas buscas submersas 
Conheça Splash, a lontra treinada para missões de resgate aquático nos EUA; animal já ajudou em diversas buscas submersas
Foto: Reprodução/Youtube / Bons Fluidos

Batizado de Splash, o animal de apenas dois anos já participa de operações reais de busca subaquática e se tornou peça importante em investigações envolvendo desaparecimentos e casos antigos. A pequena lontra integra a equipe da organização Peace River K9 Search and Rescue, especializada em localizar pessoas desaparecidas e evidências em ambientes aquáticos. E o mais curioso: Splash já ajudou até mesmo na solução de um homicídio arquivado há mais de três décadas.

Uma lontra treinada para encontrar pistas na água

Splash pertence à espécie Lontra-de-unhas-curtas-asiática, conhecida pelo comportamento curioso, inteligência elevada e habilidade natural na água. O animal foi treinado por Michael Hadsell, especialista em resgates e treinador de cães farejadores há mais de 40 anos. A ideia surgiu depois que ele percebeu as limitações dos cães em operações submersas.

Enquanto os cachorros conseguem identificar odores na superfície, encontrar vestígios afundados na lama de rios e lagos é muito mais complicado. "O único animal que é móvel, que podemos transportar e usar em diferentes locais, e que se treina como os outros animais, como os cães e os cavalos, é a lontra", explicou Hadsell em entrevistas à imprensa norte-americana.

Como Splash consegue encontrar evidências?

O segredo está nos bigodes extremamente sensíveis das lontras, chamados vibrissas. Esses pêlos funcionam quase como sensores capazes de detectar pequenas vibrações e alterações no movimento da água - mesmo em ambientes escuros ou com pouca visibilidade.

Segundo o treinador, Splash consegue perceber movimentações e sinais submersos através desse sistema natural altamente sofisticado. Durante os treinamentos, o animal aprendeu a associar determinados odores e sinais à recompensa, utilizando técnicas semelhantes às aplicadas em cães farejadores.

Hoje, quando encontra algo suspeito debaixo d'água, Splash muda completamente de comportamento: nada em círculos, emite sons característicos e tenta conduzir o treinador até o local exato. Em mergulhos, a lontra chega até mesmo a puxar a máscara de Michael Hadsell para avisar que encontrou alguma pista.

A descoberta que ajudou a solucionar um homicídio

Entre os casos mais impressionantes envolvendo Splash está a reabertura de uma investigação de homicídio com mais de 30 anos. Durante uma busca em um lago, a lontra indicou um ponto específico no fundo da água. Ali, os investigadores encontraram um tijolo enterrado na lama.

Posteriormente, o objeto recebeu análise de especialistas e comparado aos ferimentos da vítima, ajudando a esclarecer o caso. A descoberta chamou atenção das autoridades americanas e aumentou ainda mais o interesse pelo trabalho do animal.

O trabalho em equipe com cães farejadores

Apesar da fama de Splash, ele não atua sozinho. As operações funcionam em conjunto com cães farejadores da equipe de resgate. Primeiro, os cachorros identificam áreas de interesse na superfície da água. Depois, a lontra entra em ação para refinar a busca no fundo de rios e lagos.

A combinação das habilidades de cada animal tornou as buscas mais precisas, especialmente em locais onde mergulhadores enfrentam dificuldade de visibilidade. Segundo autoridades locais, o trabalho da lontra já despertou até interesse do FBI.

Uma rotina entre resgates e vida doméstica

Fora das operações, Splash leva uma vida bastante diferente do que muita gente imagina. A lontra mora na casa do treinador, convive diariamente com os cães da equipe e circula livremente pelo ambiente. Segundo Hadsell, o animal adora brincar, nadar e participar da rotina da família. "Ele acorda ao nascer do sol e vai dormir comigo ao pôr do sol", contou o treinador.

Apesar do comportamento dócil em casa, o trabalho exige diversos cuidados. Splash possui acompanhamento veterinário especializado e participa apenas de operações consideradas seguras para a espécie. Áreas com jacarés, correntezas fortes ou águas muito contaminadas, por exemplo, costumam ser evitadas.

O futuro das lontras em missões de resgate

O sucesso de Splash fez com que especialistas começassem a enxergar potencial no treinamento de lontras para operações aquáticas. Segundo Hadsell, a expectativa é que outros animais da espécie também passem a atuar em missões semelhantes nos próximos anos.

"Espero ver muitas lontras por aí. Acho que elas serão comuns daqui a uns 10 anos", afirmou. Enquanto isso, Splash segue conquistando espaço em uma área até então dominada pelos cães farejadores - e provando que, na natureza, habilidades surpreendentes podem aparecer onde menos se espera.

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