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Síndrome do coração partido: quando uma emoção intensa afeta o coração

Descoberta pela medicina apenas nos anos 1990, a síndrome mostra como emoções intensas podem desencadear alterações reais no funcionamento do coração

17 jul 2026 - 10h25
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A expressão "coração partido" costuma aparecer em histórias de amor, perdas e grandes momentos de tristeza. Entretanto, a ciência mostrou que essa sensação pode ultrapassar o campo simbólico: emoções intensas realmente podem provocar alterações no funcionamento do coração. A síndrome do coração partido, também chamada de síndrome de Takotsubo, revela uma conexão direta entre cérebro e coração. O tema foi abordado em uma coluna do médico Drauzio Varella publicada pela Folha de S.Paulo, que explicou como uma reação emocional extrema pode desencadear uma resposta física capaz de comprometer o organismo.

A síndrome do coração partido mostra como emoções intensas podem provocar alterações físicas no coração
A síndrome do coração partido mostra como emoções intensas podem provocar alterações físicas no coração
Foto: Canva / Bons Fluidos

A história por trás do "coração partido"

Relatos de pessoas que morreram após receber uma notícia devastadora existem há séculos. Desde a Grécia Antiga, histórias sobre perdas profundas e consequências físicas do sofrimento emocional aparecem na literatura e no teatro. Um exemplo citado pelo médico é o caso de dona Cândida, uma mãe que dedicou a vida aos oito filhos. Após receber a notícia da morte de um dos filhos, que cursava medicina, ela entrou em um período de luto profundo. Dias depois, durante uma missa, sentiu tontura e morreu a caminho do hospital. Na época, moradores da cidade associaram a morte à dor causada pela perda. Embora histórias semelhantes fossem vistas como uma metáfora, a medicina só encontrou uma explicação científica décadas depois.

A descoberta da síndrome de Takotsubo

Em 1990, o médico japonês Hikaru Sato descreveu pela primeira vez uma condição que ficaria conhecida como síndrome do coração partido.

O nome científico, síndrome de Takotsubo, surgiu devido ao formato que o ventrículo esquerdo do coração pode assumir durante a alteração. A estrutura fica parecida com um recipiente utilizado por pescadores japoneses para capturar polvos, chamado takotsubo. Diferentemente de um infarto tradicional, a síndrome costuma aparecer sem uma obstrução das artérias coronárias. Ainda assim, o impacto no coração pode ser significativo.

Como o estresse emocional afeta o coração?

A síndrome do coração partido acontece quando uma situação de forte impacto emocional ativa uma série de respostas no organismo. Perdas, momentos de desespero ou situações de estresse intenso podem estimular regiões do cérebro responsáveis pelo controle das emoções e do sistema nervoso. Como consequência, o corpo libera substâncias como adrenalina e outros hormônios relacionados ao estresse.

Dessa forma, podem ocorrer:

  • aumento da frequência cardíaca;
  • elevação da pressão arterial;
  • alterações inflamatórias;
  • mudanças no funcionamento do músculo cardíaco.

Ou seja, embora o problema apareça no coração, sua origem está relacionada principalmente à forma como o cérebro reage a uma situação extrema.

A síndrome pode parecer um infarto

Um dos desafios da identificação da síndrome é que os sintomas podem ser semelhantes aos de um ataque cardíaco.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • dor no peito;
  • falta de ar;
  • cansaço intenso;
  • alterações no funcionamento do coração.

No entanto, exames mostram que, nesses casos, geralmente não existe uma artéria bloqueada como acontece no infarto tradicional. Além disso, a condição não deve ser vista como algo apenas passageiro ou sem importância. Embora algumas pessoas se recuperem, a síndrome pode evoluir para insuficiência cardíaca e exigir acompanhamento médico.

Quem tem maior risco?

A síndrome do coração partido aparece com maior frequência em mulheres mais velhas, principalmente após situações de grande sofrimento emocional. Entre os fatores associados estão períodos de luto, estresse intenso e a presença de outras condições de saúde. Além disso, pesquisas mostram que o impacto emocional de uma perda pode afetar profundamente o organismo. Um estudo dinamarquês publicado na revista Frontiers analisou pessoas que passaram por situações de luto e identificou aumento na procura por serviços de saúde, maior uso de medicamentos e elevação do risco de morte, especialmente nos primeiros períodos após a perda.

A conexão entre cérebro e coração

A descoberta da síndrome do coração partido abriu caminho para novos estudos sobre a relação entre emoções e saúde física. Atualmente, pesquisadores investigam o chamado eixo cérebro-coração, uma conexão que mostra como pensamentos, sentimentos e respostas emocionais podem influenciar órgãos importantes. Nesse sentido, exames de neuroimagem indicam alterações nos circuitos cerebrais ligados às emoções e ao controle automático do organismo em pessoas afetadas pela síndrome. Assim, a ciência reforça uma ideia que durante muito tempo parecia apenas uma expressão popular: emoções intensas podem deixar marcas reais no corpo.

Cuidar das emoções também é cuidar do coração

Embora o coração seja o órgão mais associado ao amor e aos sentimentos, a medicina mostra que ele também responde às experiências emocionais vividas pelo cérebro. Por isso, momentos de grande sofrimento, como perdas e traumas, precisam receber atenção. Buscar apoio, cuidar da saúde mental e manter acompanhamento médico quando necessário são atitudes importantes para proteger o organismo como um todo. Afinal, a ligação entre mente e corpo mostra que emoções e saúde caminham juntas.

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