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Sedentarismo mental: é preciso exercitar o cérebro!

A excessiva falta de exercício do cérebro, conhecido como um estado de sedentarismo mental, pode comprometer o órgão

30 jan 2026 - 15h22
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A ideia de que "não se pode ensinar truque novo a cachorro velho" é uma crença profundamente enraizada, especialmente quando se trata da capacidade de aprender novas habilidades na idade adulta. "No entanto, essa visão ignora um dos princípios mais fundamentais da neurociência: a neuroplasticidade. Nosso cérebro é capaz de se reorganizar e formar novas conexões ao longo de toda a vida, o que significa que sempre podemos aprender e mudar, desde que ofereçamos ao cérebro os estímulos certos. O sedentarismo mental é ainda mais importante de se cuidar, pois vem antes do sedentarismo físico e afeta a saúde de forma prioritária", afirma a neurocientista Bruna Dimantas.

Person sleeping on couch among glasses and bottles of liquor, feeling headache and hangover. Painful brain of drunk man. Vector illustration for booze problems, alcohol addiction, drunkard concept
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Foto: Revista Malu

Comodidade

O problema não é a falta de capacidade biológica, mas sim a complacência com o sedentarismo mental. À medida que envelhecemos, nos acomodamos em rotinas e padrões de pensamento que não desafiam o cérebro. Essa falta de estímulo cria a ilusão de que estamos "congelados" em nossas habilidades e comportamentos, quando, na verdade, o que ocorre é a resistência ao desconforto de sair da zona de conforto. "O sedentarismo mental impede a flexibilidade cognitiva, tornando a adaptação e a aprendizagem mais difíceis, mas não impossíveis", completa.

Assim como o corpo precisa de movimento para se manter saudável, o cérebro precisa de desafios constantes para manter sua capacidade de adaptação e renovação. Enfrentar essa complacência é a chave para manter a mente ativa, engajada e capaz de aprender, independentemente da idade.

Quais os sinais do sedentarismo mental?

Os sinais de sedentarismo mental incluem a falta de curiosidade, resistência a novas ideias e dificuldade em sair da rotina. "A pessoa pode se sentir intelectualmente apática, com pouca motivação para aprender ou explorar coisas novas. Outras manifestações incluem a repetição de padrões de comportamento, pensamento rígido e uma baixa capacidade de resiliência quando confrontada com desafios ou mudanças. O desconforto com o desconhecido e a preferência pelo familiar indicam que o cérebro está se acomodando, tornando-se 'sedentário'."

Como combater o sedentarismo mental

Para combater o sedentarismo mental, é importante buscar atividades que desafiem o cérebro e incentivem a neuroplasticidade. Algumas sugestões de Bruna incluem:

  • Aprender algo novo: Seja uma língua, um instrumento musical ou até mesmo um hobby que exija concentração e aprendizado contínuo.
  • Exercícios cognitivos: Jogos de estratégia, quebra-cabeças, palavras cruzadas e outras atividades que estimulam o pensamento crítico.
  • Exercício físico regular: A atividade física melhora o funcionamento do cérebro e aumenta a capacidade cognitiva.
  • Leitura diversificada: Ler diferentes gêneros e autores para expandir horizontes e estimular o pensamento criativo.
  • Desafiar a zona de conforto: Aceitar novos desafios e se expor a experiências diferentes e desconfortáveis.
  • Focar no autoconhecimento: Compreender suas próprias limitações e fortalezas pode ajudar a traçar estratégias personalizadas para manter a mente engajada.
  • Reduzir o consumo passivo de tecnologia: Investir tempo em atividades que exijam envolvimento mental ativo, como conversas significativas ou resolução de problemas.

Influência

A tecnologia e o estilo de vida moderno, embora ofereçam muitas vantagens, também podem contribuir para o sedentarismo mental. "A facilidade de acesso a entretenimento passivo, como redes sociais e plataformas de streaming, diminui o incentivo para atividades cognitivamente desafiadoras. Além disso, os algoritmos de redes sociais tendem a reforçar nossas crenças e gostos, alimentando o cérebro com 'mais do mesmo', sem estimular novas perspectivas. A gratificação instantânea e o bombardeio constante de informações superficiais criam uma mente que busca distração e evita o esforço mental, agravando o sedentarismo", destaca a neurocientista.

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