Terapia por ondas de choque ajuda no tratamento de dores crônicas
Tratamento não invasivo pode ser indicado para algumas condições musculoesqueléticas crônicas quando as abordagens convencionais não apresentam resultados satisfatórios
A terapia por ondas de choque surge como opção não invasiva e ambulatorial para dores musculoesqueléticas crônicas, como tendinopatias e fascite plantar, antes de cirurgias. Por meio de ondas acústicas que estimulam a reparação tecidual e reduzem a dor, o método pode usar tecnologia focal para atingir profundidades específicas. Contudo, especialistas ressaltam que o procedimento exige diagnóstico preciso da origem da dor e avaliação individualizada, não sendo indicado para todos os casos.
Uma dor no ombro, no cotovelo ou no calcanhar que persiste por semanas ou meses, limita movimentos e não melhora mesmo após o tratamento inicial pode exigir uma mudança de estratégia. Em alguns quadros musculoesqueléticos crônicos, a terapia por ondas de choque pode ser considerada entre as alternativas antes de intervenções mais invasivas.
O que é a terapia por ondas de choque?
A técnica utiliza ondas acústicas de alta energia aplicadas na região afetada. O estímulo mecânico provoca respostas biológicas nos tecidos que podem contribuir para o processo de reparação e para a redução da dor.
O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial, sem cortes ou necessidade de internação.
Quais problemas podem ser tratados?
Entre as condições que podem ter indicação para esse tipo de terapia estão tendinopatias, fascite plantar, epicondilite e alguns quadros de dor musculoesquelética persistente.
A indicação, no entanto, não depende apenas da presença ou da intensidade da dor. É preciso identificar sua origem, avaliar há quanto tempo o problema persiste e considerar os tratamentos realizados anteriormente.
"Nem toda dor crônica tem indicação para terapia por ondas de choque. O primeiro passo é estabelecer o diagnóstico e entender por que aquele quadro está persistindo. A partir daí, avaliamos se o procedimento pode fazer parte da estratégia de tratamento daquele paciente", explica Carlos Daniel Castro Filho, ortopedista dos Hospitais São Camilo de São Paulo.
Quando considerar a terapia por ondas de choque?
A persistência dos sintomas, a limitação para atividades cotidianas ou esportivas e uma resposta insatisfatória às abordagens já adotadas podem levar o especialista a avaliar outras possibilidades terapêuticas.
Em alguns casos, a terapia por ondas de choque é considerada depois de tratamentos conservadores, como medicamentos, fisioterapia e mudanças na atividade física.
Isso não significa, porém, que exista uma sequência única de tratamento. A escolha depende do diagnóstico, da região afetada, do tempo de evolução da lesão e das condições clínicas de cada paciente.
Quantas sessões são necessárias?
O procedimento não deve ser confundido com uma solução imediata para qualquer dor. O número de sessões e os intervalos entre elas são definidos individualmente, assim como a associação com fisioterapia e outras estratégias de reabilitação.
A resposta ao tratamento também pode variar de acordo com a condição tratada e as características de cada paciente. Por isso, o acompanhamento profissional é importante para avaliar a evolução dos sintomas e a necessidade de ajustes na estratégia terapêutica.
O que diferencia a onda focal?
Há diferentes tecnologias utilizadas na terapia por ondas de choque. No Ambulatório de Terapia por Ondas de Choque do Hospital São Camilo Pompeia, o tratamento é realizado com onda focal, que permite concentrar a energia em uma região determinada e alcançar tecidos em diferentes profundidades.
Essa característica possibilita uma atuação mais direcionada em determinadas lesões de tendões e estruturas ósseas, de acordo com a indicação médica. Entre os quadros que podem ser avaliados estão tendinopatias crônicas, calcificações e alterações específicas do tecido ósseo.
"A tecnologia focal permite direcionar a energia para a região que precisa ser tratada e trabalhar em diferentes profundidades. Mas a escolha da técnica sempre parte do diagnóstico e das características da lesão, e não apenas do local onde o paciente sente dor", afirma o especialista.
Dor persistente precisa de investigação
Embora dores musculares e articulares sejam frequentes, a persistência do sintoma merece atenção, principalmente quando começa a interferir na rotina, no sono, no trabalho ou na prática esportiva.
Nesses casos, insistir apenas no controle da dor sem investigar sua origem pode atrasar o diagnóstico. A avaliação especializada permite diferenciar problemas que podem se beneficiar de tratamentos conservadores daqueles que exigem outras abordagens.
"A dor é um sinal, e não necessariamente o problema em si. Quando ela persiste ou volta repetidamente, é importante entender o que está acontecendo antes de simplesmente buscar outra forma de alívio", reforça o ortopedista.
O tratamento depende de uma avaliação individual
A terapia por ondas de choque pode ser uma alternativa para determinadas condições musculoesqueléticas crônicas, mas não é indicada para todos os tipos de dor. A decisão deve considerar o diagnóstico, o histórico clínico e os tratamentos já realizados.
Por isso, quem convive com dor persistente deve procurar avaliação médica para investigar a causa do desconforto e conhecer as opções de tratamento mais adequadas para seu caso.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.