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Técnica permite analisar atividade genética de células vivas sem destruí-las

29 set 2026 - 13h27
(atualizado às 13h30)
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Resumo
Cientistas da Universidade Técnica de Munique criaram um método inovador para monitorar a atividade genética de células vivas sem destruí-las. Ao induzir a exportação de RNA por vesículas extracelulares, a técnica viabiliza análises genéticas contínuas ao longo do tempo a partir do material liberado. Esse avanço permite acompanhar a evolução celular em tempo real, impulsionando pesquisas sobre câncer, doenças neurodegenerativas e o desenvolvimento de novos fármacos com maior precisão e rapidez.

29 de setembro de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Technical University of Munich, na Alemanha, desenvolveram uma nova forma de estudar o funcionamento das células sem precisar destruí-las. Normalmente, para analisar quais genes uma célula está utilizando, é necessário romper a célula e extrair seu conteúdo. Isso impede que ela seja observada novamente. O objetivo deste trabalho foi criar um método que permitisse obter essas informações mantendo a célula viva.

Técnica permite analisar atividade genética de células vivas sem destruí-las
Técnica permite analisar atividade genética de células vivas sem destruí-las
Foto: DC_Studio/Evanto / Boa Saúde

As células liberam naturalmente pequenas "bolsas" envolvidas por uma membrana, chamadas vesículas extracelulares. Essas vesículas carregam diversos materiais produzidos pela célula, incluindo moléculas de RNA. O RNA funciona como um conjunto de "instruções de trabalho", mostrando quais genes estão ativos em determinado momento. Os pesquisadores descobriram uma maneira de fazer com que as células exportassem uma quantidade maior desse RNA dentro das vesículas. Assim, foi possível coletar essas vesículas e analisar seu conteúdo sem abrir ou destruir a célula.

O estudo mostrou que o RNA presente nas vesículas reflete com boa precisão o que está acontecendo dentro da célula. Isso significa que é possível acompanhar quais genes estão sendo ativados ou desativados apenas analisando o material que a célula libera naturalmente para o ambiente. Além disso, como a célula continua viva, ela pode ser estudada repetidamente ao longo do tempo.

Segundo os autores, essa técnica traz uma grande vantagem para a pesquisa. Em vez de fazer apenas uma "fotografia" do estado da célula antes de destruí-la, os cientistas podem fazer algo parecido com um filme, acompanhando como ela muda ao longo do tempo. Isso permite observar como uma célula responde a um medicamento, como ela reage a uma infecção, como se transforma durante o desenvolvimento de uma doença, e como evolui durante processos de envelhecimento ou regeneração.

Se essa tecnologia continuar sendo aperfeiçoada, ela poderá ser útil em diversas áreas, como pesquisas sobre câncer, doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson, desenvolvimento de novos medicamentos, medicina regenerativa, estudos com células-tronco. Ela também pode acelerar experimentos, já que será possível acompanhar a mesma célula por vários momentos, em vez de utilizar uma nova amostra a cada análise.

Fonte: Nature Communications. DOI: 10.1038/s41467-026-72072-w.

Boa Saúde
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