Sua cólica te impede de viver? Entenda quando pode ser endometriose
Dor intensa não deve ser normalizada e pode indicar condição que afeta milhões de mulheres
Sentir cólica menstrual é comum, mas quando a dor se torna intensa e incapacitante, é preciso atenção. Muitas mulheres convivem com esse desconforto acreditando que é normal, o que pode atrasar o diagnóstico da endometriose. A condição afeta cerca de 8 milhões de brasileiras e exige acompanhamento médico.
Quando a cólica não é considerada normal
A endometriose acontece quando o tecido que reveste o útero cresce fora dele. Isso provoca inflamação, dor e, em alguns casos, dificuldades para engravidar.
"A endometriose é uma condição ginecológica em que o tecido que reveste a parte interna do útero cresce fora dele, causando dor, inflamação e, em alguns casos, dificuldades para engravidar. Esse tecido pode se localizar em órgãos como ovários, trompas, intestinos e bexiga", explica a ginecologista Vânia Marcella Calixtrato, que atende no Órion Complex.
Diferente da cólica comum, a dor da endometriose não melhora facilmente com analgésicos. Ela pode aparecer antes, durante e até depois da menstruação.
"Ela pode durar durante todo o ciclo menstrual, além de afetar outros momentos, como antes ou após a menstruação. Também pode ser acompanhada de outros sintomas, como dor durante as relações sexuais, sangramentos fora do ciclo e dificuldade para engravidar", destaca a médica.
Sintomas que merecem atenção
Além da cólica intensa, outros sinais podem indicar a doença:
- Dor ao evacuar durante o período menstrual.
- Dor ao urinar durante a menstruação.
- Desconforto durante relações sexuais.
- Sangramentos fora do ciclo.
- Dificuldade para engravidar.
Se esses sintomas forem frequentes, a avaliação com ginecologista é essencial.
Diagnóstico pode demorar anos
A endometriose costuma ter diagnóstico tardio. Em média, a confirmação leva de sete a dez anos. Isso acontece porque os sintomas podem ser confundidos com outras condições.
"O exame de sangue CA-125 não é suficiente para confirmar ou descartar a endometriose, não é um exame específico. O diagnóstico definitivo depende da combinação de exames de imagem, sintomas clínicos e, muitas vezes, da laparoscopia", explica Vânia Calixtrato.
Os exames mais utilizados são a ressonância magnética e a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal.
Tratamento e qualidade de vida
O tratamento varia de acordo com cada caso. Nem sempre a cirurgia é necessária. Existem opções clínicas que ajudam no controle da dor.
Entre elas estão:
- Analgésicos.
- Terapias hormonais.
- DIU hormonal.
- Bloqueadores de estrogênio.
A cirurgia é indicada quando os sintomas não melhoram ou quando há impacto na fertilidade.
Estilo de vida também ajuda
Mudanças na rotina podem reduzir os sintomas. Alimentação e exercícios físicos são aliados importantes.
Uma dieta anti-inflamatória, rica em ômega-3, frutas e vegetais, pode ajudar. Atividades como yoga e caminhada também contribuem para o controle da dor.
"A endometriose não tem cura definitiva, mas tem controle. O acompanhamento contínuo e a conscientização de que a dor intensa não deve ser normalizada são as chaves para que milhões de mulheres retomem o controle de suas vidas", finaliza a especialista.