Hálito pode revelar doenças cardíacas e câncer

3 abr 2013
07h10
atualizado às 07h10

Novas pesquisas na área da saúde avançam para diagnosticar doenças pelo hálito. Muito mais que apenas o mau cheiro, conhecido como halitose, moléculas presentes na boca podem indicar insuficiência cardíaca, câncer no estômago, além de problemas bucais como gengivite.

Cientistas israelenses e chineses se uniram para pesquisar um novo teste que identifica perfis químicos no hálito que são característicos de pacientes com câncer estomacal. No estudo realizado com 130 pacientes, publicado pela revista especializada "British Journal of Cancer", o exame mostrou 90% de precisão no diagnóstico e na diferenciação do câncer de outros problemas estomacais, como úlceras. O exame aponta, ainda, se a doença está em um estágio inicial ou avançado.

Segundo o médico cirurgião geral do hospital israelita Albert Einstein, Antônio Luiz de Vasconcelos Macedo, que também é do conselho de oncologia do hospital, hoje, os métodos de diagnóstico são baseados em endoscopia, um exame evasivo que precisa de biópsia, o que dificulta a descoberta precoce da doença. “Com este exame acessível, é possível detectar a doença em estágios iniciais, casos em que a cura pode chegar a 95%”, diz. 

O especialista explica que é possível detectar cinco moléculas orgânicas que não existem normalmente no hálito. Estes foram resultados preliminares e os cientistas ainda estudam a viabilidade do exame em larga escala. 

Insuficiência cardíaca
Outro estudo foi realizado pelo Instituto do Coração (InCor) em parceria com o Instituto de Química da USP para detectar insuficiência cardíaca pelo hálito. Um aparelho mede o nível de acetona – substância de cheiro forte produzida durante os processos de metabolismo do corpo – presente no ar expelido pela boca do paciente. Este odor na boca é peculiar de quem sofre de insuficiência cardíaca, doença que debilita o coração, que passa a bombear o sangue com menos força. 

“Cerca de 10% dos pacientes que atingem esse nível da doença necessitam de transplante e aproximadamente 50% correm o risco de morrer”, explica o coordenador clínico de transplante do InCor, Fernando Cabal.

Assim como ocorre com o exame do câncer de estômago, o diagnóstico pelo sopro de insuficiência cardíaca ainda precisa de mais tempo para ser usado nos hospitais. “Queremos evoluir o equipamento para que o resultado saia na hora, como acontece com o bafômetro usado para detectar álcool no hálito”, diz. O especialista destaca, ainda, o papel importante do dentista que, muitas vezes, são os primeiros a examinar esses pacientes que procuram tratamento para halitose.

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