Quebra-pedra vai virar medicamento produzido no Brasil; veja benefícios
Planta medicinal pode dar origem a um novo fitoterápico desenvolvido no Brasil e destinado ao SUS
A quebra-pedra pode se transformar em um novo medicamento fitoterápico produzido no Brasil. A planta, conhecida por ajudar na saúde dos rins, está sendo estudada por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz.
A ideia é desenvolver um medicamento padronizado a partir da planta. O produto poderá ser fabricado por um laboratório público e distribuído no Sistema Único de Saúde.
A fase inicial do desenvolvimento deve terminar em cerca de seis meses. Depois disso, o medicamento ainda precisará passar por estudos científicos e testes de segurança. Esse processo pode levar cerca de dois anos.
Se for aprovado, o fitoterápico poderá entrar na lista de medicamentos de origem vegetal já oferecidos pelo SUS.
O projeto é realizado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Para viabilizar a pesquisa, foram destinados cerca de R$ 2,4 milhões.
O que é a quebra-pedra
A quebra-pedra é o nome popular da planta medicinal Phyllanthus niruri.
Ela cresce em regiões tropicais e pode ser encontrada em praticamente todo o Brasil.
A planta é conhecida há séculos em diferentes culturas. Em países de língua espanhola, por exemplo, ela é chamada de chanca piedra. Na Índia, recebe o nome de bhumyamalaki.
Entre povos indígenas brasileiros, a planta também faz parte da medicina tradicional. No Maranhão, por exemplo, os Ka'apor chamam a erva de Ita-Mirá.
No Brasil, o uso mais comum da quebra-pedra é na forma de chá.
Para que serve a quebra-pedra
Pesquisas científicas investigam os efeitos da quebra-pedra no organismo, principalmente na saúde dos rins e do sistema urinário.
Alguns benefícios já foram observados em estudos.
Pode ajudar a prevenir pedra nos rins
O benefício mais conhecido da quebra-pedra está ligado à prevenção de cálculos renais, conhecidos como pedra nos rins.
Estudos indicam que a planta pode ajudar a reduzir a formação de cristais de oxalato de cálcio. Esses cristais são os principais responsáveis pela formação das pedras nos rins.
Ao diminuir esse processo, a quebra-pedra pode ajudar a reduzir o risco de novos cálculos.
Pode facilitar a eliminação das pedras
Outro possível efeito da planta é o relaxamento da musculatura do trato urinário.
Esse efeito pode ajudar o organismo a eliminar pequenos cálculos renais com mais facilidade.
Pode estimular a produção de urina
Algumas pesquisas indicam que a quebra-pedra tem efeito diurético leve.
Isso significa que a planta pode estimular a produção de urina, o que ajuda o organismo a eliminar substâncias que podem formar cálculos.
Pode ter efeito anti-inflamatório
Estudos iniciais também sugerem que a planta pode ter propriedades anti-inflamatórias.
Esse efeito pode ajudar a reduzir inflamações no sistema urinário.
Mesmo assim, especialistas reforçam que mais pesquisas ainda são necessárias para confirmar todos os benefícios da planta.
Por que transformar a quebra-pedra em medicamento
O chá de quebra-pedra é bastante popular. Mesmo assim, o uso caseiro da planta pode trazer alguns riscos.
Isso acontece porque, em casa, é difícil controlar a dose e a qualidade da planta utilizada.
Entre os possíveis problemas estão:
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Uso da planta errada.
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Quantidade irregular de substâncias ativas.
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Contaminação no preparo.
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Consumo em excesso.
Quando a planta vira medicamento, todo o processo passa a ser controlado.
Assim, cada dose contém a quantidade correta de substâncias ativas. Além disso, o produto passa por testes que garantem segurança e eficácia.
Uso de fitoterápicos cresce no SUS
O uso de medicamentos feitos a partir de plantas vem crescendo no Brasil.
Esse movimento é incentivado pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, criada para ampliar o acesso a terapias complementares na rede pública.
Outra iniciativa importante é a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que estimula pesquisas e o desenvolvimento desses medicamentos.
Hoje, o SUS já oferece 12 fitoterápicos com eficácia e segurança comprovadas.
Entre eles estão:
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O xarope de guaco, usado para problemas respiratórios.
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Aunha de gato, conhecida por sua ação anti-inflamatória.
Antes de chegar à rede pública, todo fitoterápico precisa ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Mercado de fitoterápicos cresce no mundo
Os medicamentos de origem vegetal também ganham espaço no mercado global.
O setor movimenta bilhões de dólares por ano.
Mesmo tendo uma das maiores biodiversidades do planeta, o Brasil ainda participa pouco desse mercado.
Em muitos casos, plantas brasileiras são exportadas como matéria-prima. Depois, voltam ao país na forma de medicamentos produzidos no exterior.
Por isso, iniciativas de pesquisa e produção nacional são importantes. Elas ajudam a valorizar a biodiversidade brasileira e ampliar o acesso da população a novos tratamentos.