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Qualquer quantidade de treino de força traz benefício, aponta consenso

Atualização das recomendações do American College of Sports Medicine reforça que sair do sedentarismo já traz ganhos de força, massa muscular e funcionalidade

21 ago 2026 - 10h25
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Resumo
Um novo consenso científico aponta que qualquer quantidade de treino de força gera benefícios significativos à saúde, desmistificando a necessidade de rotinas exaustivas. Mesmo em volumes baixos, a prática regular de exercícios resistidos auxilia na redução do risco de mortalidade precoce, melhora a saúde metabólica e fortalece o sistema musculoesquelético. A diretriz reforça que qualquer esforço é superior ao sedentarismo, tornando o acesso à longevidade e ao bem-estar muito mais viável.
Foto: Agência Einstein

Manter uma rotina eficaz de treino de força pode ser mais simples e acessível do que se imagina. Após 17 anos, o American College of Sports Medicine, dos Estados Unidos, publicou novas diretrizes reforçando que qualquer quantidade de treino resistido é suficiente para gerar ganhos importantes de saúde, independentemente da idade.

O documento foi elaborado com base na análise de 137 revisões sistemáticas envolvendo mais de 30 mil participantes, e aponta que sair do sedentarismo para algum nível de treino de força já melhora força muscular, massa magra, potência e até funções do dia a dia, como equilíbrio e mobilidade.

Na prática, significa que não é preciso seguir um protocolo rígido de treinamento ou passar horas na academia. "Quando a gente fala em treino resistido, o recomendado é fazer um estímulo semanal com uma frequência de duas vezes por semana, trabalhando os principais grupos musculares. Mas não é preciso estipular um tempo mínimo, o essencial é se movimentar", reforça a profissional de educação física Carla Montenegro, do Espaço Einstein de Esporte e Reabilitação, do Einstein Hospital Israelita.

O chamado treino resistido inclui qualquer atividade em que o corpo precise vencer uma resistência e vai muito além da musculação tradicional. "Pode ser o peso do próprio corpo, pode incluir uso de halteres, elásticos ou até movimentos do dia a dia. Levantar-se da cadeira, por exemplo, já é um tipo de exercício de força", ilustra Montenegro.

Menos regras, mais consistência

Durante décadas, a prescrição de treino se baseava em modelos considerados ideais, com número exato de séries, repetições e cargas. As novas diretrizes dos EUA flexibilizam essa ideia e reforçam que, embora essas variáveis sejam importantes, o principal objetivo para a maioria dos adultos deve ser a constância. "O grande segredo é a manutenção da regularidade. Quando a gente tira essa ideia de 'treino mínimo ideal', facilita para que as pessoas encaixem a atividade na rotina. Eu sempre digo aos alunos que treino bom é treino feito", afirma a especialista.

Essa mudança também ajuda a derrubar um mito da musculação: a necessidade de treinar até a falha muscular. O documento indica que levar o músculo à falha não é essencial para obter resultados e isso pode até afastar iniciantes. "Muitas pessoas não conseguiam treinar até a falha e desistiam. Quando mostramos que isso não é obrigatório, a gente populariza o treino e amplia o acesso", avalia Carla Montenegro.

Outro ponto importante das diretrizes é determinar que os ganhos não dependem de equipamentos sofisticados: exercícios com peso corporal, elásticos ou feitos em casa também são eficazes, desde que haja algum nível de sobrecarga. Apesar disso, a indicação é sempre individual, já que um mesmo exercício pode ser leve para uma pessoa e intenso para outra. O ideal é ter a orientação de um profissional de educação física para ajustar carga e exercícios.

Além disso, o documento reforça que todo movimento conta. Interromper o tempo sentado ao longo do dia e adotar estratégias como usar escadas ou caminhar mais também contribui para a saúde. "Sair do sedentarismo está associado à redução do risco de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Ao prescrever um treino, a gente precisa olhar para o estilo de vida dessa pessoa", afirma a especialista do Einstein.

O treino de força também é essencial para um envelhecimento saudável. A perda de massa muscular começa por volta dos 30 anos e tende a se intensificar com o tempo, afetando diretamente a autonomia e a funcionalidade. Não há idade ideal para começar: mesmo quem não busca ganhar músculo deve treinar para minimizar a perda natural.

"A força muscular é o que garante nossa independência para atividades básicas, como se vestir, tomar banho ou fazer compras. O treino ajuda não só a preservar a massa muscular, mas também a melhorar equilíbrio, mobilidade e prevenir quedas", afirma Montenegro. Para começar, busque atividades que deem prazer e entenda que pouco é melhor do que nada. "Se consigo fazer 30 minutos uma vez por semana, já é um começo", conclui a especialista do Einstein.

Agência Einstein
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