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Por que usuários de Ozempic e Mounjaro precisam ir ao dentista

Usuários de canetas emagrecedoras podem ter impactos na saúde bucal. Veja riscos, sinais de alerta e cuidados no dentista.

25 fev 2026 - 14h00
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O número de usuários de Ozempic e Mounjaro cresceu com a popularização desses medicamentos no tratamento do diabetes tipo 2 e no emagrecimento. Ambos são fármacos injetáveis à base de semaglutida e tirzepatida, aprovados pela Anvisa.

Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Saúde em Dia

As bulas descrevem efeitos adversos gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia, constipação e refluxo. Embora não sejam remédios odontológicos, esses sintomas podem repercutir diretamente na saúde bucal.

Veja por que usuários desses medicamentos precisam de atenção extra no consultório odontológico, quais são os principais riscos para dentes e gengivas e quais cuidados ajudam a proteger o sorriso durante o tratamento.

Por que usuários de canetas emagrecedoras exigem atenção do dentista

Ozempic e Mounjaro pertencem à classe dos agonistas de GLP-1. Eles atuam em receptores específicos, ajudam a controlar a glicemia e reduzem o apetite. O foco é metabólico, mas os efeitos colaterais atingem outros sistemas.

Náusea, refluxo e vômitos alteram o ambiente da cavidade oral. O contato repetido com conteúdo ácido vindo do estômago modifica o pH da boca e desgasta o esmalte dos dentes.

Segundo Sabrina Balkanyi, formada pela USP, empresária e mentora de clínicas odontológicas, o histórico medicamentoso precisa fazer parte da rotina clínica. "Os medicamentos não atacam diretamente os dentes, mas os efeitos colaterais descritos em bula, como náusea e refluxo, podem alterar o ambiente bucal. O dentista precisa investigar essas informações na anamnese", explica.

O papel da saliva na proteção do sorriso

Diretrizes da American Dental Association destacam que a saliva é essencial para proteger contra cárie, erosão e doença periodontal. Ela ajuda a neutralizar ácidos, limpar resíduos e manter o equilíbrio da microbiota oral.

Quando o fluxo salivar diminui, quadro conhecido como xerostomia, o risco de lesões cariosas e inflamações gengivais aumenta. A sensação de boca seca leva a mais desconforto, dificuldade para mastigar e maior acúmulo de placa.

Nos usuários de Ozempic e Mounjaro, a xerostomia pode surgir de forma indireta, ligada à desidratação, à menor ingestão alimentar ou a sintomas gastrointestinais persistentes. Mesmo sem aparecer entre os eventos adversos mais frequentes, merece atenção redobrada.

Do estômago à boca: como o refluxo afeta os dentes

Episódios repetidos de vômito ou refluxo expõem os dentes ao ácido gástrico. Com o tempo, esse contato favorece o desgaste do esmalte, camada externa e mais mineralizada do dente.

A superfície se torna mais fina e porosa. A partir daí, aumentam a sensibilidade a frio, calor e alimentos muito doces, além da tendência a fraturas e cáries em regiões desgastadas.

Sabrina faz um alerta sobre um hábito comum após o mal-estar. "Quando há contato ácido frequente, o esmalte fica mais vulnerável. Se o paciente escova imediatamente após o episódio, pode potencializar a erosão", afirma.

Quando o risco aumenta para usuários desses medicamentos

Nem todo usuário terá complicações bucais. O risco sobe quando alguns fatores se somam:

  • refluxo ou náuseas frequentes.

  • hidratação insuficiente ao longo do dia.

  • higiene bucal irregular ou apressada.

Nesses cenários, a boca fica mais exposta a ácidos e bactérias, com menos defesa natural. Consultas preventivas ganham importância, pois muitos danos iniciais não causam dor imediata e só aparecem em exame clínico detalhado.

Cuidados essenciais para a saúde bucal de usuários de Ozempic e Mounjaro

Para Sabrina Balkanyi, a conduta deve ser preventiva e baseada em evidências. O foco não é suspender o medicamento, que tem indicação médica específica, mas ajustar o cuidado odontológico à condição sistêmica do paciente.

Ela destaca cinco frentes principais de atenção, que podem ser adaptadas à rotina de cada usuário em conjunto com o dentista.

Hidratação adequada para preservar o fluxo salivar

A ingestão regular de água ajuda a manter o fluxo salivar e diluir ácidos presentes na boca. Pequenos goles ao longo do dia costumam ser mais eficazes que grandes volumes de uma só vez.

Observar a cor da urina, a sensação de língua áspera e a necessidade constante de bebidas açucaradas pode indicar desidratação. Em caso de dúvida, o dentista pode reforçar estratégias simples para melhorar a hidratação diária.

Monitorar sinais de boca seca e desconforto

Relatos de boca seca constante, dificuldade para engolir alimentos secos, necessidade de água à noite ou maior acúmulo de restos alimentares entre os dentes são sinais de alerta.

Quando a xerostomia é persistente, o profissional pode indicar alternativas como gomas específicas sem açúcar ou produtos que estimulam o fluxo salivar, sempre conforme avaliação individual. Tudo deve ser registrado em prontuário e acompanhado de forma contínua.

Reforçar o esmalte com flúor e boa higiene

O uso de cremes dentais fluoretados, conforme recomendações de entidades odontológicas, ajuda a aumentar a resistência do esmalte. Em casos selecionados, o dentista pode sugerir aplicações tópicas de flúor em consultório.

A higiene diária precisa ser regular: escovação cuidadosa após as refeições, fio dental uma vez ao dia e atenção às áreas de difícil acesso. Em usuários com risco maior de erosão, a técnica de escovação deve ser orientada com calma, para evitar força excessiva.

Esperar após episódios de vômito ou refluxo

Depois de vômito ou refluxo, a recomendação é aguardar cerca de 30 minutos antes de escovar os dentes. Esse tempo permite que a saliva ajude a neutralizar o pH e reduza o impacto do ácido sobre o esmalte.

Enxaguar a boca com água nesse intervalo pode trazer conforto. Produtos específicos para bochecho só devem ser usados com orientação profissional, principalmente em quadros de sensibilidade.

Consultas preventivas mais frequentes e anamnese detalhada

Para usuários em tratamento prolongado com Ozempic e Mounjaro, intervalos menores entre consultas podem ser necessários. Essa estratégia favorece o diagnóstico precoce de erosão, inflamações gengivais e alterações de sensibilidade.

Na anamnese, é importante incluir perguntas diretas sobre uso de semaglutida, tirzepatida e outros medicamentos para emagrecimento. A partir dessas informações, o dentista consegue ajustar o plano de prevenção e, se necessário, discutir o caso com o médico responsável pelo tratamento metabólico.

"Quando o acompanhamento é individualizado, o paciente consegue manter equilíbrio entre o tratamento metabólico e a saúde bucal. O segredo está na integração das informações", finaliza Sabrina.

Saúde em Dia
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