Pólipos intestinais: causas, sinais e prevenção do câncer colorretal
Gastroenterologista explica o que são os pólipos no intestino, quais apresentam maior risco e por que a colonoscopia é importante na prevenção do câncer colorretal
Pólipos intestinais são crescimentos anormais na mucosa do cólon ou reto, geralmente benignos e assintomáticos, mas que podem evoluir para câncer colorretal ao longo de 7 a 10 anos. Causados por fatores genéticos e estilo de vida, lesões como adenomas exigem atenção. A colonoscopia é crucial por permitir a detecção e a remoção precoce dessas alterações antes de sua transformação maligna, sendo recomendados hábitos saudáveis e acompanhamento médico contínuo para prevenir novos pólipos.
Os pólipos intestinais podem ser descobertos por acaso durante uma colonoscopia e, muitas vezes, passam anos sem chamar a atenção.
Mas uma das principais dúvidas após o diagnóstico é justamente o risco de aquela lesão evoluir para um câncer.
O Dr. Cássio Vieira de Oliveira, PhD, gastroenterologista, endoscopista e coordenador do Serviço de Endoscopia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, explica o que são os pólipos intestinais, quais sinais podem surgir, quando eles apresentam maior risco e por que identificá-los e retirá-los precocemente pode fazer diferença na prevenção do câncer colorretal.
A seguir, o dr. Cássio esclarece diversas dúvidas sobre o tema:
O que é um pólipo no intestino? O que causa? Quais são os sinais?
Dr. Cássio Vieira de Oliveira: Um pólipo intestinal é um crescimento anormal da camada interna do intestino grosso, semelhante a uma pequena "verruga" ou elevação da mucosa. A maioria dos pólipos surge no cólon ou no reto e, inicialmente, costuma ser benigna.
O desenvolvimento dos pólipos está relacionado a fatores genéticos, envelhecimento, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e dietas ricas em carnes processadas e pobres em fibras. Algumas pessoas também apresentam predisposição familiar.
Na maior parte dos casos, os pólipos não causam sintomas. Quando presentes, os sinais podem incluir sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, anemia por deficiência de ferro, dor abdominal ou, raramente, obstrução intestinal. Por isso, a colonoscopia é tão importante: ela permite identificar pólipos antes que eles provoquem sintomas.
A retirada de um pólipo na colonoscopia elimina o risco de câncer?
Dr. Cássio Vieira de Oliveira: A retirada do pólipo elimina o risco relacionado àquela lesão específica e é uma das estratégias mais eficazes para prevenir o câncer colorretal.
Entretanto, isso não significa risco zero para o futuro. Algumas pessoas podem desenvolver novos pólipos ao longo da vida, especialmente aquelas com histórico familiar, múltiplos pólipos ou fatores de risco associados.
Por esse motivo, após a remoção dos pólipos, o paciente deve seguir o acompanhamento recomendado pelo médico, realizando novas colonoscopias nos intervalos adequados
Existe alguma maneira de prevenir pólipos que viram câncer?
Dr. Cássio Vieira de Oliveira: Embora não seja possível evitar todos os pólipos, algumas medidas reduzem significativamente o risco de desenvolver lesões pré-cancerosas:
• Manter peso adequado.
• Praticar atividade física regularmente.
• Consumir dieta rica em frutas, verduras, legumes e fibras.
• Reduzir o consumo de carnes processadas e ultraprocessados.
• Evitar o tabagismo.
• Moderar o consumo de bebidas alcoólicas.
• Controlar doenças como obesidade e diabetes.
Além disso, a principal ferramenta de prevenção continua sendo o rastreamento por colonoscopia. O exame permite identificar e remover pólipos antes que eles se transformem em câncer, reduzindo de forma expressiva a incidência e a mortalidade por câncer colorretal.
Qual é a diferença de um pólipo benigno de um que pode virar câncer?
Dr. Cássio Vieira de Oliveira: Nem todos os pólipos apresentam risco de evolução para câncer. Alguns tipos, como os pólipos hiperplásicos pequenos, geralmente têm risco muito baixo.
Já os adenomas e as lesões serrilhadas avançadas são considerados lesões pré-cancerosas, pois podem acumular alterações genéticas ao longo do tempo e evoluir para câncer colorretal.
O risco depende principalmente do tipo histológico, do tamanho, do número de pólipos encontrados e de características observadas ao microscópio. Quanto maior o pólipo e quanto mais avançadas forem suas alterações celulares, maior tende a ser o risco de transformação maligna.
É possível prever quanto tempo leva para um pólipo virar câncer?
Dr. Cássio Vieira de Oliveira: Não é possível determinar exatamente quanto tempo um pólipo específico levará para se transformar em câncer. No entanto, sabemos que esse processo costuma ser lento.
Na maioria dos casos, a sequência adenoma-carcinoma ocorre ao longo de aproximadamente 7 a 10 anos, podendo variar conforme o tipo de pólipo e as características genéticas da lesão.
Essa evolução lenta é justamente o que torna a prevenção tão eficaz: existe uma grande janela de oportunidade para identificar e remover os pólipos antes que o câncer se desenvolva.
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