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Pessoas se tornam desagradáveis ao envelhecer porque perderam a motivação de lidar com os defeitos antigos

Neurociência comprova que idosos têm menos paciência para lidar com situações que não os agradam porque optam por não fingir emoções

6 abr 2026 - 14h32
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Idosos não adquirem novos defeitos
Idosos não adquirem novos defeitos
Foto: Getty Images/ Nitat Termmee

É comum que com o passar dos anos algumas pessoas se tornem mais rabugentas do que costumavam aparentar quando mais jovens. E isso pode ser comprovado cientificamente. Especialistas ouvidos pela Silicons Canals apontam que, quanto mais velhas as pessoas ficam, menos paciência elas têm para esconder defeitos. 

Estudos mostram que idosos que se tornam mais desagradáveis não adquirem novos defeitos, eles simplesmente param de tentar lidar com os antigos. Quando mais jovens, é normal que tenhamos mais paciência e mais energia para lidar com situações com as quais não concordamos, mas, conforme envelhecemos, a impaciência e a necessidade de estarmos certos pode tomar o controle.

Ann Graybiel, professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), explica que isso ocorre porque com a chegada da terceira idade fica mais difícil manter uma atitude proativa em relação ao que acontece no dia a dia.

Peter Borkenau, psicólogo da Universidade Martin Luther Halle-Wittenberg, reafirma o pensamento de Graybiel. "As pessoas tendem a se tornar mais confiáveis e agradáveis com a idade, mas sua abertura à novidade diminui ao mesmo tempo", diz. 

Em resumo, a boa vontade só dura enquanto há disposição para mantê-la. Quando essa disposição acaba, fica mais complicado não se tornar desagradável.

Um vendedor de carros, por exemplo, aprende a lidar com clientes difíceis por meio de sorrisos, paciência e até 'engolindo sapos'. Isso tudo requer trabalho emocional ao longo da vida e, por isso, quando chega a uma determinada idade, há uma dificuldade maior em exercer o mesmo ofício.

A neurociência comprova isso. Vonetta Dotson, professora associada de Psicologia e Gerontologia na Universidade Estadual da Geórgia, aponta que esse tipo de fenômeno está ligado diretamente à adenonia, ou seja, à incapacidade de sentir prazer ou interesse em atividades anteriormente prazerosas.

"A anedonia está associada a déficits nas funções executivas, um conjunto de habilidades mentais complexas que nos ajudam a controlar e coordenar nosso comportamento", afirma. Em outras palavras, isso significa que à medida em que perdemos o interesse e a motivação pelas coisas, também perdemos as ferramentas mentais que nos ajudam a controlar nossas ações.

Estudos também mostram que pessoas com maior autocontrole na infância envelhecem mais lentamente e lidam melhor com a velhice. E isso diz algo importante: o autocontrole não se resume a ser bom ou mau. É um recurso, e alguns de nós utiliza esse recurso mais do que outros ao longo de toda a vida.

Por incrível que pareça, há um lado positivo nisso. Quando tentamos esconder ou invisibilizar sentimentos ou reações negativas por conta da questão social, isso alimenta um estresse crônico, tendo em vista que sua estabilidade emocional precisa ser duramente trabalhada todos os dias. 

Pesquisas apontam que os idosos conseguem demonstrar maior estabilidade emocional e afabilidade em geral, justamente por experimentarem mais emoções positivas sem tanto esforço. O segredo está em saber a diferença entre não se esforçar o suficiente para mascarar emoções e não desistir completamente. 

Fonte: Portal Terra
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