Não ter vida saudável afeta a qualidade do espermatozoide
Tabagismo, uso excessivo de álcool, drogas, anabolizantes e até mesmo a má alimentação são alguns dos fatores externos que podem comprometer a qualidade e quantidade dos espermatozoides que o homem produz.
Para Sandro Esteves, urologista e diretor da Androfert, clínica especializada em reprodução humana, de Campinas (SP), o espermatozoide, na maioria das vezes, é o reflexo do estilo de vida do homem. "Por mais que existam vários tratamentos avançados de reprodução humana, se o homem não levar um estilo de vida saudável, esses excessos vão influenciar no tratamento. Essa teoria é válida até mesmo para as técnicas de reprodução assistida de alta complexidade, como a fertilização
in vitro."
Hábitos nocivos
Em alguns casos de infertilidade masculina, o estilo de vida do paciente pode ser a causa do problema. De acordo com o 2º Consenso Brasileiro Infertilidade Masculina, realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o cigarro é uma substância que pode influenciar tanto na produção, quanto na qualidade dos espermatozoides.
"O cigarro tem no mínimo 200 substâncias tóxicas que podem atrapalhar a fertilidade masculina. Normalmente, os pacientes que são fumantes vão apresentar uma grande quantidade de glóbulos brancos no sêmen. Os glóbulos brancos são importantes para o corpo, mas, em grandes quantidades, produzem muito dos chamados radicais livres de oxigênio. Essa substância acaba comprometendo a qualidade do espermatozoide", explica o urologista.
A obesidade também pode influenciar na fertilidade masculina. O homem passa a produzir menos espermatozoides, porque o alto índice das células de gordura faz com que a testosterona (hormônio masculino) se transforme em estradiol (hormônio feminino). "A testosterona não cai a ponto de o homem criar características femininas. O problema é que essa desorganização hormonal já é suficiente para que o corpo mande uma mensagem ao cérebro que estimule a hipófise (glândula responsável pela produção pelo hormônio da testosterona e dos espermatozoides) a trabalhar menos", esclarece Esteves.
No caso dos homens que fazem o uso de anabolizantes, a hipófise é estimulada pelas altas quantidades de testosterona que estão presentes na fórmula da droga. "Essa dose brutal de testosterona que está circulando no corpo do homem manda uma mensagem para o cérebro avisando que não é mais necessário fabricar testosterona. Automaticamente, a hipófise também para de estimular a produção do hormônio que origina o esperma", diz o médico.
Outros fatores
A quimioterapia e a radioterapia, tratamentos para o câncer, podem fazer com que o indivíduo perca a capacidade de produzir espermatozoides. De acordo com Esteves, o homem pode voltar a ser fértil até cinco anos após o término do tratamento. Mas existem casos em que o tratamento deixa o paciente estéril.
Por conta do risco de esterilidade, o ideal é que antes do inicio das sessões de quimioterapia ou radioterapia, o paciente procure uma clínica e faça o congelamento dos espermatozoides.
Algumas doenças, como a varicocele, podem ser a causa da infertilidade. No caso específico da varicocele (varizes nos testículos), os testículos chegam a altas temperaturas, o que pode prejudicar a qualidade e quantidade dos espermatozoides. Vale lembrar que a doença só tem ligação com infertilidade se estiver em seu grau mais elevado, quando o diagnóstico é feito pelo exame clínico, sem a necessidade de uma ultrassonografia.
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Especial para o Terra