"Não basta disponibilizar o medicamento": por que as canetas no SUS não serão para todos
Canetas emagrecedoras no SUS: quem poderá receber? Entenda o que ainda falta definir e por que os critérios serão decisivos.
O Ministério da Saúde avalia incluir as canetas emagrecedoras no SUS, mas a oferta não será ampla nem imediata. Por meio do estudo Real-Bari, analisa-se o impacto da semaglutida em casos de obesidade grave associada a outras doenças. Especialistas reforçam que o fármaco trata doença crônica e não serve para fins estéticos, exigindo mudanças no estilo de vida. Para que haja liberação nacional, ainda é necessária a criação de protocolos clínicos rígidos e a aprovação pela Conitec.
As chamadas canetas emagrecedoras entraram no radar do SUS, mas ainda há etapas antes de uma eventual oferta pela rede pública. O Ministério da Saúde afirma que estuda incorporar esses medicamentos ao sistema e pretende definir um protocolo para estabelecer como o tratamento será oferecido.
Uma das iniciativas é o estudo Real-Bari, realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. Segundo o Ministério, a pesquisa acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças para avaliar o uso da semaglutida e formas de acompanhamento.
Mas, se essas canetas chegarem ao SUS, quem poderá receber o medicamento? E será que basta ter obesidade para ter acesso ao tratamento?
Canetas emagrecedoras no SUS: o tratamento não será igual para todos
O interesse por esses medicamentos também alcança pessoas que buscam perder peso.
Para o médico clínico com atuação em endocrinologia e metabologia Igor Viana, é importante diferenciar o tratamento de uma doença do uso com finalidade estética.
"A obesidade é uma doença crônica e o tratamento precisa ser individualizado. Os medicamentos que atuam sobre o GLP-1 podem ser uma ferramenta importante para determinados pacientes, mas não devem ser encarados como uma solução rápida para perda de peso ou como um recurso exclusivamente estético", afirma.
O que o estudo está avaliando
O Real-Bari foi estruturado pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do GHC. De acordo com a pasta, o estudo avalia o uso da semaglutida em pacientes com obesidade grave ou associada a outras condições. A pesquisa também envolve pacientes que aguardam cirurgia bariátrica.
Para Igor Viana, a utilização desses medicamentos exige alguns cuidados.
"Não basta disponibilizar o medicamento. É necessário avaliar indicação, contraindicações, possíveis efeitos adversos e a resposta de cada paciente. O medicamento precisa estar associado a uma estratégia de cuidado que inclua alimentação, atividade física e acompanhamento clínico", explica Igor.
Esses critérios são especialmente relevantes quando se discute uma eventual oferta pela rede pública, já que será necessário definir em quais situações o tratamento poderá ser indicado e como os pacientes serão acompanhados.
Por que as canetas ainda não estão liberadas no SUS
O Ministério da Saúde afirma que pretende preparar um protocolo antes de disponibilizar os medicamentos no SUS em todo o país.
A eventual incorporação também passa pela avaliação da Conitec, comissão responsável por analisar tecnologias que podem ser incorporadas ao sistema público.
Assim, o anúncio de que o governo estuda a medida não significa que as canetas já estejam disponíveis para pessoas com obesidade na rede pública.
Em 2025, a Conitec recomendou não incorporar a semaglutida para uma indicação específica, voltada a pessoas com obesidade grau II ou III, sem diabetes, com 45 anos ou mais e doença cardiovascular estabelecida.
Essa decisão se referia àquela indicação específica. Se a semaglutida voltar a ser avaliada para o SUS, a análise poderá envolver outros pacientes e outros critérios.
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