Script = https://s1.trrsf.com/update-1789154714/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

A inclusão que deixa para trás quem mais precisa

Inclusão escolar: os dados do IBGE revelam quem ainda está ficando para trás e levantam uma questão que vai além da matrícula.

20 set 2026 - 14h00
(atualizado às 14h03)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Dados do IBGE revelam que a inclusão escolar no Brasil falha com quem mais precisa de apoio. Um terço dos jovens de 15 a 17 anos com deficiência profunda está fora da escola e o analfabetismo atinge 40,4% daqueles com limitações mentais. Apenas matricular não basta: a maioria das escolas carece de salas multifuncionais e profissionais de apoio. Para uma inclusão real, o país precisa superar discursos e aplicar práticas baseadas em evidências com suportes individualizados para garantir a aprendizagem.

O IBGE divulgou nesta semana a segunda edição de Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, e há um número que deveria tirar o sono de todo gestor educacional do país.

Inclusão escolar / Magnific
Inclusão escolar / Magnific
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Entre os adolescentes de 15 a 17 anos com deficiência profunda, aqueles que não conseguem de modo algum exercer ao menos uma função básica, como enxergar, ouvir, andar ou lidar com demandas cognitivas, apenas 65,6% frequentavam a escola em 2022.

Um terço está fora, numa idade em que a escolarização é obrigatória. Entre os de 6 a 14 anos, 17,7% não estavam na escola, contra 1,6% das crianças sem deficiência.

O retrato se completa com o analfabetismo. Entre jovens de 15 a 29 anos sem deficiência, a taxa é de 1%. Entre os com deficiência, 12,2%. Entre aqueles com limitações nas funções mentais, grupo em que estão muitas pessoas com deficiência intelectual e autismo com maior necessidade de suporte, chega a 40,4%. Quatro em cada dez jovens desse grupo não sabem ler e escrever.

Esses dados desmontam uma narrativa confortável que dominou o debate brasileiro nas últimas duas décadas, a de que a inclusão escolar se resolve com matrícula na classe comum.

O aumento das matrículas é real e deve ser celebrado. Mas a pergunta que importa não é quantos estão na escola, e sim quem ficou de fora e quem, estando dentro, não aprende. A resposta do IBGE é clara, ficam para trás justamente os que demandam mais apoio.

E o apoio não chega.

Inclusão escolar precisa ir além da matrícula

Segundo o Censo Escolar de 2025, apenas 30% das escolas de educação básica têm sala de recursos multifuncionais e só 26,2% contam com profissional de apoio para estudantes com deficiência.

Na maior parte das escolas brasileiras, uma criança com deficiência profunda encontra uma porta aberta e nada do outro lado.

Não se trata de falta de conhecimento. A pesquisa em educação especial acumulou um conjunto robusto de práticas baseadas em evidências, como ensino explícito e sistemático, instrução mediada por pares, análise de tarefas, reforçamento, apoios visuais e intervenções comportamentais positivas, capazes de produzir aprendizagem real, inclusive em leitura, para estudantes com deficiência intelectual e autismo.

O que falta é transformar esse conhecimento em política, com formação de professores voltada ao que funciona, planos educacionais individualizados com metas mensuráveis, monitoramento do progresso e um sistema com diferentes intensidades de suporte.

Estudantes diferentes precisam de apoios diferentes

Essa última expressão é decisiva. Estudantes diferentes precisam de apoios diferentes. Para alguns, adaptações simples na sala comum bastam. Para outros, é necessário ensino individualizado intensivo, profissionais especializados e, por vezes, ambientes estruturados para isso.

Uma política que oferece a mesma resposta a todos produz exatamente o que o IBGE registrou, bons resultados para quem precisa de pouco e abandono para quem precisa de muito.

Educação inclusiva de verdade não é um lugar, é um compromisso com a aprendizagem de cada estudante. Enquanto medirmos sucesso apenas por matrícula, continuaremos celebrando um avanço que esconde um terço de adolescentes fora da escola e 40% de jovens que não sabem ler.

Esses números têm nome, sobrenome e família. E exigem mais do que discurso.

Leitura Recomendada: A educação e a pobreza dos candidatos à presidência

Fonte: SaúdeLAB
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra