6 eventos ao vivo

'Mesmo com letalidade baixa, epidemia de coronavírus pode causar muitas mortes', diz médica

Emily Martin, da Universidade de Michigan, acredita que os próximos dias serão cruciais para determinar o rumo da doença

12 fev 2020
09h10
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

RIO - Integrante do Laboratório de Gripe da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, a epidemiologista Emily Martin acha que ainda há uma chance de a atual epidemia do novo coronavírus ficar restrita à China e não se espalhar pelo mundo.

Embora afirme que a quarentena é uma medida "controversa", ela diz que o isolamento das pessoas pode ter um efeito positivo na detenção do vírus. Por isso, ela apoia a retirada de cidadãos de Wuhan, capital da província de Hubei, epicentro da epidemia.

Para Martin, os próximos dias serão cruciais para que os cientistas consigam determinar com mais precisão a taxa de letalidade do novo agente infeccioso e a rapidez com que se dissemina. "Vamos saber melhor quão rápido o vírus se dissemina nas próximas semanas, à medida que veremos se há novos casos entre pessoas que viajaram para outros países", afirmou. Leia a entrevista que ela deu ao Estado.

Epidemiologista Emily Martin, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, acredita que os próximos dias serão cruciais para entender melhor o coronavírus
Epidemiologista Emily Martin, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, acredita que os próximos dias serão cruciais para entender melhor o coronavírus
Foto: Universidade de Michigan/Divulgação / Estadão

A taxa de letalidade do novo coronavírus é de aproximadamente 2%, bem mais baixa do que a da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), que era de 10%, e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), que era de mais de 30%. Por que, então, devemos nos preocupar?

Nos primeiros dias de uma epidemia, é muito difícil saber o quanto esse novo vírus irá se espalhar e qual será a sua verdadeira taxa de fatalidade. E uma taxa de letalidade baixa pode causar muitas mortes. Um exemplo disso é a influenza, que tem uma taxa de letalidade muito baixa, mas se espalha muito.

Por que estamos vendo o surgimento de tantos novos vírus da família dos coronavírus? E por que a maioria deles vem da China?

A coronavírus é uma família muito antiga de vírus. Essa família inclui quatro coronavírus que causam resfriados em todo o mundo e que infectam as pessoas regularmente, a cada ano. Os coronavírus são muito comuns em animais. Por conta disso, um novo vírus tem muitas oportunidades de sofrer uma mutação e se disseminar entre humanos, como aconteceu com a Sars, a Mers e, agora, com esse novo vírus.

Muito países, o Brasil entre eles, estão tirando seus cidadãos de Wuhan. A senhora acha que essa é uma medida necessária?

O sistema médico de Wuhan está sob grande pressão. As regras da quarentena tornam muito difícil a circulação diária. E agora, que muitos voos foram suspensos, a evacuação é a única forma de ajudar as pessoas a voltarem para casa.

Muitos países, como a própria China e o Brasil, estão adotando uma medida de saúde pública das mais antigas, a quarentena, para tentar impedir a disseminação do vírus. A senhora acha que esta é a melhor maneira de deter o vírus? Existem outras opções?

Infelizmente, não há tratamento ou vacina para esse vírus. Isso significa que a única maneira de reduzir a transmissão do vírus é pelo distanciamento social (fechando escolas e lugares públicos) ou a quarentena. A quarentena é controversa, mas é possível que essas medidas detenham ou, pelo menos, reduzam a disseminação da doença.

Ainda assim, apesar dessas medidas, o vírus vem se disseminando em uma velocidade muito alta. Por quê?

Acho que ainda é muito cedo para dizer qual é a velocidade da disseminação. Nos primeiros dias de uma epidemia, apenas os casos mais graves são identificados, e os testes de diagnóstico nunca conseguem acompanhar totalmente o desenvolvimento dos casos. Vamos saber melhor quão rápido o vírus se dissemina nas próximas semanas, à medida que veremos se há novos casos entre pessoas que viajaram para outros países.

A senhora acredita que o mundo enfrentará uma nova pandemia?

Ainda é possível que essa epidemia tenha uma disseminação limitada e cause poucas mortes fora da China, se as atuais estratégias de contenção forem bem sucedidas. No entanto, quanto mais o tempo passa, é cada vez mais provável começarmos a ver a transmissão do vírus por todo o mundo.

Que lição podemos tirar dessa nova epidemia?

Provavelmente vamos aprender muito sobre os coronavírus nos próximos meses e anos. Neste momento, a epidemia chama a atenção para a importância dos sistemas de saúde pública, da detecção precoce do vírus e das pessoas infectadas.

Lavar as mãos ainda é a melhor forma de nos protegermos?

Eu recomendo seguir as orientações usuais para proteção contra infecções - lavar as mãos, evitar o contato muito próximo com pessoas doentes, ficar em casa se estiver doente.

Veja também:

Influencers falam sobre doenças crônicas nas redes
Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade