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Menopausa: importância da informação e do cuidado na fase de transição

No Dia Mundial da Menopausa, entenda como a queda do estrogênio pode afetar o cérebro, os ossos, o coração, o metabolismo e a qualidade de vida

16 out 2026 - 16h10
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Resumo
Apesar de natural, a menopausa ainda é cercada por desinformação, gerando dúvidas sobre sintomas físicos, emocionais e cognitivos decorrentes da queda de estrogênio. A perimenopausa pode durar anos, impactando a saúde óssea e cardiovascular a longo prazo. Diante do desconhecimento sobre tratamentos como a terapia hormonal, o acompanhamento médico individualizado e hábitos saudáveis são essenciais para aliviar o climatério, prevenir doenças futuras e garantir o bem-estar feminino.

A menopausa está ganhando espaço nas conversas públicas. Figuras conhecidas, influenciadores e empresas têm abordado o tema, ajudando a ampliar o acesso à informação. Apesar disso, muitas mulheres ainda têm dúvidas sobre os sintomas, as mudanças hormonais e as opções de tratamento.

Saiba como a menopausa afeta toda a sua saúde
Saiba como a menopausa afeta toda a sua saúde
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Uma pesquisa global da Ipsos, realizada em países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, revelou que menos da metade dos adultos na maioria desses países se considera bem-informada sobre a menopausa.

No Brasil, o cenário também preocupa. Uma pesquisa recente mostrou que menos de uma em cada três mulheres estava satisfeita com as informações recebidas sobre a menopausa e seus tratamentos. Além disso, quase nove em cada dez tinham pouco ou nenhum conhecimento sobre a terapia hormonal da menopausa (THM).

No Dia Mundial da Menopausa, celebrado em 18 de outubro, o tema reforça a importância de compreender que essa transição não afeta apenas a menstruação. As mudanças hormonais podem repercutir em diferentes sistemas do organismo e influenciar a saúde ao longo dos anos.

Por que a menopausa afeta o corpo inteiro?

A saúde hormonal feminina ainda é cercada por dúvidas. Um dos motivos é a ideia de que os hormônios ovarianos estão relacionados apenas à reprodução.

Na realidade, os ovários produzem hormônios, especialmente o estrogênio, que participa do funcionamento de diferentes tecidos. O cérebro, o coração, os ossos, a pele, os músculos, o metabolismo e o sistema urinário estão entre as áreas que podem sofrer influência dessas mudanças.

Durante a perimenopausa, fase de transição anterior à menopausa, os níveis hormonais oscilam. Depois, com a menopausa, a produção ovariana de estrogênio diminui de forma significativa.

Esse processo ajuda a explicar por que o climatério pode envolver mais de 40 sintomas reconhecidos, e não apenas ondas de calor e suores noturnos.

1. As mudanças hormonais podem provocar sintomas em vários órgãos

Além das alterações menstruais, a transição para a menopausa pode causar sintomas físicos, emocionais e cognitivos.

Entre os mais conhecidos estão:

  • Ondas de calor e suores noturnos.

  • Dificuldades para dormir.

  • Alterações de humor e ansiedade.

  • Lapsos de memória e dificuldade de concentração.

  • Dores nas articulações.

  • Mudanças na saúde sexual e urinária.

  • Palpitações cardíacas.

A intensidade e a combinação dos sintomas variam entre as mulheres. Como algumas manifestações surgem gradualmente, nem sempre são associadas de imediato às mudanças hormonais.

Por isso, é importante conversar com um profissional de saúde quando os sintomas persistem ou interferem na rotina. A avaliação ajuda a investigar outras possíveis causas e a definir os cuidados adequados.

2. A perimenopausa pode começar anos antes da última menstruação

A menopausa não acontece de uma hora para outra. Ela é precedida pela perimenopausa, período em que os níveis de estrogênio e progesterona começam a oscilar e o ciclo menstrual pode ficar irregular.

Essa fase pode começar vários anos antes da última menstruação. Em média, dura de quatro a sete anos, mas pode se estender por mais tempo.

As mudanças podem incluir ciclos mais curtos ou longos, alterações no fluxo menstrual e sintomas como ondas de calor, dificuldade para dormir e irritabilidade.

Embora seja mais comum na faixa dos 40 anos, a transição hormonal pode começar antes. Quando alterações menstruais ou sintomas semelhantes aparecem precocemente, a avaliação médica é importante para esclarecer a causa.

3. Terapia hormonal da menopausa ainda gera dúvidas

A terapia hormonal da menopausa é uma das opções mais eficazes para aliviar sintomas como ondas de calor e suores noturnos em mulheres para quem o tratamento é indicado. Apesar disso, ainda existem receios relacionados à sua segurança.

Parte dessas preocupações remonta ao estudo Women's Health Initiative, publicado em 2002. Seus resultados receberam ampla repercussão e foram interpretados, em alguns contextos, como se os riscos fossem iguais para todas as mulheres e todas as formas de terapia hormonal.

Atualmente, as diretrizes destacam que a avaliação precisa considerar fatores como idade, tempo desde a menopausa, formulação utilizada, histórico de saúde e riscos individuais.

Isso não significa que a terapia hormonal seja indicada para todas. A decisão deve ser compartilhada com o ginecologista, após a análise dos benefícios, das contraindicações e das alternativas disponíveis.

A terapia também não deve ser iniciada ou interrompida sem orientação profissional.

4. A menopausa pode influenciar a saúde a longo prazo

As mudanças hormonais não dizem respeito apenas aos sintomas que aparecem durante a transição. Elas também podem influenciar aspectos importantes do envelhecimento.

Após a menopausa, a redução do estrogênio está associada à aceleração da perda de massa óssea. Em algumas mulheres, essa perda pode aumentar o risco de osteoporose e fraturas.

A saúde cardiovascular também merece atenção. Com o avanço da idade e as mudanças hormonais, fatores como pressão arterial, colesterol, glicemia e composição corporal precisam ser acompanhados.

"A menopausa não deve ser vista como uma doença, mas como uma fase da vida que exige atenção à saúde. A queda do estrogênio pode afetar diferentes sistemas do organismo, e o acompanhamento médico ajuda a identificar riscos e definir estratégias de prevenção", afirma Dra. Laís Lucato, ginecologista e gerente médica da divisão de farmacêuticos estabelecidos da Abbott no Brasil.

As necessidades de cada mulher variam. Por isso, o acompanhamento deve considerar o histórico de saúde, os sintomas, os fatores de risco e os objetivos individuais.

Como cuidar da saúde durante e após a menopausa?

A prevenção e o acompanhamento médico ajudam a preservar a qualidade de vida durante essa fase. Algumas medidas podem contribuir para a saúde física e emocional:

  • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios de fortalecimento muscular.

  • Manter uma alimentação variada e adequada às necessidades individuais.

  • Priorizar a qualidade do sono.

  • Não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool.

  • Acompanhar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia.

  • Conversar com o ginecologista sobre sintomas, saúde óssea e opções de tratamento.

Esses cuidados não eliminam todas as mudanças relacionadas à menopausa, mas ajudam a proteger a saúde ao longo do tempo.

"Compreender a menopausa como parte de uma jornada hormonal mais ampla, que se estende ao longo de toda a vida, muda a conversa do manejo dos sintomas para a saúde preventiva. A saúde hormonal das mulheres merece a mesma atenção contínua dedicada à saúde do coração ou do cérebro", complementa a Dra. Laís Lucato.

Informação ajuda a atravessar a menopausa com mais saúde

A menopausa é uma etapa natural da vida, mas isso não significa que as mulheres devam enfrentar seus sintomas sem orientação. Entender as mudanças hormonais permite reconhecer sinais, buscar ajuda e avaliar as opções de cuidado.

No Dia Mundial da Menopausa, ampliar o acesso a informações confiáveis é uma forma de reduzir dúvidas e favorecer decisões mais conscientes. O acompanhamento individualizado também contribui para cuidar não apenas do bem-estar imediato, mas da saúde nas décadas seguintes.

Saúde em Dia
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