Mais da metade dos trabalhadores ansiosos não fazem tratamento, diz estudo
Pesquisa inédita com profissionais brasileiros revela o tamanho do abismo entre o diagnóstico de transtornos mentais e o cuidado médico real
A saúde mental dentro do ambiente corporativo vive um momento de alerta máximo. Uma avaliação clínica inédita trouxe dados muito preocupantes sobre o cenário nacional.
O estudo foi realizado com mais de mil profissionais de 38 empresas brasileiras.
O resultado revelou que 51,6% dos trabalhadores diagnosticados com ansiedade não recebem nenhum tratamento.
Como o levantamento inédito foi realizado
O levantamento foi produzido pela healthtech Axenya. A empresa aplicou o teste PHQ-9 nos colaboradores das companhias.
Esse questionário é um instrumento de rastreio validado internacionalmente. Ele é amplamente utilizado por médicos psiquiatras em consultórios.
Os resultados foram cruzados com dados da Vidalink. A empresa parceira analisou o consumo de medicamentos de 91 mil beneficiários.
A grande contradição dentro das empresas
O resultado expõe uma contradição que os setores de Recursos Humanos raramente conseguem enxergar. Saber da existência do problema não está se traduzindo em cuidado efetivo.
O teste PHQ-9 avalia a presença de depressão e ansiedade com alta precisão clínica.
Ele difere bastante das tradicionais pesquisas de clima organizacional ou de engajamento do mercado. O método captura sintomas reais dos funcionários.
Os dados alarmantes sobre sono e depressão
Por isso, a avaliação é altamente relevante para o mapeamento da saúde nas empresas. Os dados mostram que 12,2% dos profissionais têm sinais de depressão moderada ou grave.
Além disso, 62,7% dos trabalhadores dormem seis horas ou menos por noite. No total, um em cada três colaboradores apresenta algum sinal clínico de risco.
"Do ponto de vista clínico, rastreamento só faz sentido quando há tratamento eficaz disponível para a condição detectada. É um princípio básico da medicina: o objetivo final não é identificar o problema.
É alterar o curso da doença e melhorar a qualidade de vida de quem foi rastreado. O que os dados mostram é que metade das pessoas identificadas com ansiedade não chegou a essa segunda etapa.
O rastreamento foi feito. O cuidado, não", afirma Dra. Aline Pasiani, Diretora Médica da Axenya.
O paradoxo do consumo de medicamentos
O estudo sobre o consumo de remédios reforça esse grande paradoxo corporativo. Os beneficiários analisados movimentaram R$ 31 milhões em antidepressivos ou ansiolíticos em um único ano.
O volume financeiro expressa o tamanho do problema no sistema de saúde. No entanto, o consumo isolado não significa a existência de um cuidado contínuo.
O remédio chega ao paciente, mas a terapia não
Metade das pessoas com ansiedade segue sem qualquer acompanhamento terapêutico nas clínicas brasileiras.
O medicamento chega com facilidade ao paciente. O tratamento médico completo e estruturado, não.
A situação se mostra ainda mais grave quando analisamos o comportamento dos trabalhadores mais jovens.
A crise de bem-estar na Geração Z
A Geração Z concentra os dados mais preocupantes de todo o relatório clínico. O Check-up de Bem-Estar 2025 foi feito com 11.600 profissionais de 250 empresas brasileiras.
O post trouxe alertas claros. Quanto mais jovem é o trabalhador, pior é a sua percepção de bem-estar diário. Esse grupo também apresenta a menor adesão a qualquer prática de autocuidado.
Cerca de 30% dos jovens da Geração Z se declaram insatisfeitos com a própria saúde. Esse é o maior índice registrado entre todas as gerações estudadas.
A distância entre o diagnóstico inicial e o comportamento preventivo é enorme nessa faixa etária específica.
Mulheres jovens lideram os índices de insatisfação
O cenário piora quando o recorte foca no público feminino e jovem das empresas. Entre as mulheres jovens, 39% afirmam não fazer absolutamente nada pela própria saúde mental.
Esse índice cai para apenas 14% entre as mulheres da geração Baby Boomers.
A falta de autocuidado e o abandono dos exercícios
A prática regular de exercícios físicos segue o mesmo padrão de queda livre entre os jovens. A atividade física é adotada como forma de cuidado por 46% dos homens mais velhos.
Porém, o hábito atinge apenas 34% dos homens jovens. A Geração Z também é a única faixa etária com crescimento no consumo de remédios.
Entre as mulheres jovens, a alta na compra de medicamentos foi de +9% no último ano.
A importância de dados reais contra respostas sociais
O levantamento revela que 1 em cada 4 colaboradores acumula dois ou mais fatores de risco simultâneos. Esse dado profundo as pesquisas de opinião comuns simplesmente não conseguem captar.
O volume de remédios cresce nas farmácias, mas o acesso ao tratamento de saúde não acompanha o mesmo ritmo.
"Quando a empresa pergunta como o colaborador está, recebe uma resposta social. Quando mede, o cenário muda completamente. O que estamos entregando não é uma percepção, é um dado", finaliza Dra. Aline Pasiani.
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