Ivete Sangalo é diagnosticada com infecção intestinal; entenda o risco
Após infecção intestinal, Ivete Sangalo desmaiou por desidratação. Entenda causas, sintomas e quando buscar ajuda médica.
A internação de Ivete Sangalo em Salvador após um quadro de infecção intestinal acendeu o alerta sobre um problema comum, mas muitas vezes subestimado. Em vídeo nas redes sociais, a cantora contou que passou a noite com diarreia intensa, desidratou, teve queda de pressão, desmaiou e acabou se ferindo no rosto.
O episódio, descrito por ela como uma infecção "bem violenta", mostra como um quadro aparentemente simples pode evoluir rápido, principalmente quando a reposição de líquidos não acompanha a perda.
Com base nas explicações do coloproctologista Dr. Danilo Munhóz, entenda o que é infecção intestinal, quais são os sinais de gravidade e que cuidados ajudam a reduzir riscos no dia a dia.
O que é infecção intestinal e por que ela desidrata tão rápido
A infecção intestinal, popularmente chamada de "virose intestinal" ou "gastroenterite", é uma inflamação do intestino causada, na maioria das vezes, por vírus. Também pode ser provocada por bactérias ou parasitas, dependendo do caso.
Ela se manifesta, principalmente, por diarreia, que pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, dor abdominal e mal-estar. A evolução costuma ser rápida, e é justamente aí que mora o perigo.
"Em situações de diarreia intensa e repetida, o organismo perde muita água e sais minerais Essa desidratação pode provocar queda da pressão arterial, fraqueza, tontura e até desmaios, principalmente quando a reposição de líquidos não é feita de forma adequada", explica Danilo.
Sintomas mais comuns da infecção intestinal
Os sintomas variam conforme a causa, mas alguns sinais aparecem com frequência:
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evacuações líquidas ou muito amolecidas, várias vezes ao dia.
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cólicas e desconforto abdominal.
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náuseas, com ou sem vômito.
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mal-estar geral, cansaço e perda de apetite.
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em alguns casos, febre baixa.
Quando a diarreia é intensa, a pessoa pode sentir boca seca, tontura ao se levantar, fraqueza e diminuição da urina. Esses sinais indicam desidratação e exigem atenção redobrada.
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Infecção intestinal é sempre grave? Quando se preocupar
Na maior parte das vezes, a infecção intestinal tem evolução benigna. Segundo o Dr. Danilo, o quadro tende a melhorar em poucos dias, com hidratação adequada, repouso e alimentação leve.
"O tratamento é baseado principalmente em hidratação oral ou venosa, repouso e alimentação leve", explica o médico. Isso inclui água, soro caseiro ou industrializado e líquidos como chás claros, de acordo com a orientação de saúde.
No entanto, mesmo um quadro considerado simples pode se tornar perigoso se a pessoa não consegue repor o que perde. Isso vale tanto para adultos quanto para crianças e idosos, que desidratam mais rápido.
Sinais de gravidade: hora de ir ao médico ou hospital
Alguns sinais indicam que a infecção intestinal pode estar saindo do controle. Entre eles:
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tontura persistente ou sensação de desmaio.
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queda de pressão, com visão turva ou escurecida ao se levantar.
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diminuição importante da urina, urina muito concentrada ou ausência de urina.
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boca muito seca, língua áspera e sede intensa.
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sonolência fora do padrão ou dificuldade para manter-se acordado.
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vômitos repetidos, que impedem a ingestão de líquidos.
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sangue nas fezes ou nas evacuações.
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febre alta ou que não cede.
O que pode ter levado Ivete a desmaiar?
No caso relatado por Ivete Sangalo, a sequência é típica de uma infecção intestinal intensa: diarreia repetida durante a madrugada, perda de líquidos, desidratação, queda de pressão e desmaio, que resultou em uma queda e corte no supercílio.
Quando o corpo perde muita água e sais minerais em pouco tempo, o volume de sangue em circulação diminui. Isso faz a pressão cair, especialmente ao levantar da cama ou do sofá.
Se a queda de pressão é brusca, o cérebro recebe menos oxigênio por alguns instantes. A pessoa pode "apagar", mesmo sem ter tido nenhum sintoma mais grave antes, como aconteceu com a cantora.
Por que a internação é importante em alguns casos
A internação, como a que Ivete relatou, permite corrigir a desidratação com mais rapidez, por meio de soro na veia. Também possibilita monitorar pressão, frequência cardíaca e fazer exames, se necessário.
Em hospital, a equipe avalia se há sinais de infecção bacteriana, necessidade de outros medicamentos ou investigação adicional. A decisão de internar não significa, necessariamente, um quadro gravíssimo, mas uma medida de segurança para evitar piora.
Como se pega infecção intestinal e como prevenir novas crises
Grande parte das infecções intestinais está ligada ao consumo de água ou alimentos contaminados por vírus, bactérias ou parasitas. O contágio pode ocorrer em casa, em restaurantes, em eventos ou durante viagens, principalmente quando há falhas de higiene.
A transmissão também é favorecida quando as mãos não são higienizadas corretamente após usar o banheiro ou trocar fraldas, por exemplo. Por isso, medidas simples de prevenção fazem muita diferença.
Segundo o Dr. Danilo, é possível reduzir o risco de novos episódios com alguns cuidados básicos no dia a dia.
Hábitos que ajudam a prevenir infecção intestinal
Entre as principais recomendações, destacam-se:
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higienizar bem as mãos com água e sabão, especialmente antes de comer e após usar o banheiro.
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dar preferência à água tratada ou filtrada, evitando consumo de fontes duvidosas.
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lavar frutas, verduras e legumes em água corrente e, quando indicado, em solução clorada.
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observar o prazo de validade e as condições de armazenamento dos alimentos.
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ter atenção com comidas cruas ou malpassadas, principalmente carnes e ovos.
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cuidar com alimentos vendidos em locais sem boa higiene aparente, especialmente em dias muito quentes.
Essas medidas não eliminam totalmente o risco, mas reduzem bastante a chance de contrair uma infecção intestinal por contaminação alimentar.
O que fazer em casa diante de um quadro leve?
Quando a pessoa apresenta diarreia leve, sem sinais de gravidade, algumas atitudes ajudam na recuperação:
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reforçar a hidratação com água, soro oral e líquidos claros.
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evitar bebidas alcoólicas e refrigerantes, que podem irritar ainda mais o intestino.
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preferir refeições leves, em pequenas quantidades, como arroz, torradas, frutas cozidas e caldos.
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evitar frituras, alimentos muito gordurosos e temperos fortes nesse período.
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descansar e observar a evolução dos sintomas.
Se não houver melhora em até 48 horas, ou se qualquer sinal de gravidade aparecer, a orientação é procurar avaliação médica, como recomenda o profissional. A automedicação, principalmente com antibióticos e remédios que "travam" a diarreia, não é indicada sem orientação profissional.