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Itália registra caso de gripe aviária H9N2; situação representa algum risco?

A infecção foi identificada em um homem adulto que esteve no Senegal por mais de seis meses; trata-se do primeiro caso de H9N2 relatado na Europa

10 abr 2026 - 18h41
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O governo da Itália notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 21 de março após a identificação de um caso humano importado de influenza aviária A (H9), posteriormente confirmado como A (H9N2) por sequenciamento genético.

O Regulamento Sanitário Internacional (RSI), de 2005, estabelece que infecções humanas causadas por um novo subtipo de vírus influenza A são eventos com potencial de alto impacto para a saúde pública e, portanto, devem ser notificadas à OMS.

Esse é o primeiro caso humano importado de H9N2 relatado na Europa. Apesar disso, a OMS entende que o risco atual para a população geral é baixo, mas continua monitorando o vírus e a situação em escala global. A entidade não recomenda restrições de viagem ou comércio com base nas informações disponíveis até o momento.

"A maioria dos casos humanos relatados de infecção pelo H9N2 está associada à exposição a aves infectadas ou ambientes contaminados, sendo que a maioria apresenta doença leve", destacou a OMS, em nota.

"As evidências epidemiológicas e virológicas atuais indicam que nenhum dos vírus influenza A caracterizados até o momento adquiriu capacidade de transmissão sustentada entre humanos. Portanto, a probabilidade de disseminação sustentada de pessoa para pessoa é baixa neste momento", adicionou a entidade.

O caso foi registrado em um homem adulto que esteve no Senegal por mais de seis meses e viajou para a Itália em meados de março. Os achados genéticos iniciais sugerem que a infecção foi adquirida de uma fonte aviária do Senegal, que já registrou uma infecção do tipo em 2020.

"Ao chegar (na Itália), ele procurou o pronto-socorro com febre e tosse persistentes", detalhou a OMS. Em 16 de março, um exame do pulmão detectou a bactéria Mycobacterium tuberculosis (causadora da tuberculose), e a influenza aviária A.

"O paciente foi colocado em um quarto de isolamento com pressão negativa, com precauções para transmissão aérea. Ele foi tratado com medicamentos antituberculose e com o antiviral oseltamivir", descreveu a OMS.

Até esta quinta-feira, 9, o estado do paciente era estável e em melhora.

O vírus

Segundo a OMS, o vírus circula em animais, mas também pode infectar pessoas. As infecções humanas são adquiridas por contato direto com animais infectados ou por contato indireto com ambientes contaminados.

A depender do hospedeiro original, os vírus influenza A podem ser classificados como influenza aviária, influenza suína ou outros tipos de influenza animal.

Contaminações por influenza aviária em humanos podem causar doenças que variam de infecções leves do trato respiratório superior a quadros graves e potencialmente fatais. Casos de conjuntivite, sintomas gastrointestinais, encefalite e encefalopatia também foram relatados.

Testes laboratoriais são necessários para o diagnóstico da infecção humana por influenza. A OMS atualiza com periodicidade protocolos técnicos para a detecção de influenza zoonótica por métodos moleculares.

Recomendações

A entidade destaca que o caso não altera as recomendações atuais de saúde pública e vigilância da influenza.

O público deve evitar contato com ambientes de alto risco, como mercados de animais vivos, fazendas ou superfícies com possível contaminação por fezes de aves.

O uso de proteção respiratória é recomendado para pessoas que lidam com aves vivas ou mortas, inclusive em situações de abate, seja em contexto ocupacional ou doméstico.

A boa higiene das mãos, com lavagem frequente ou uso de álcool em gel, também é recomendada. A OMS não indica medidas adicionais específicas para viajantes.

Estadão
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