Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Idec denuncia Becel por publicidade enganosa de margarinas

Segundo o órgão, marca vincula produtos a suposto benefício cardiovascular; empresa não se manifestou

2 dez 2025 - 10h06
Compartilhar
Exibir comentários

O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) denunciou, na última sexta-feira, 28, a Flora Food Brasil, responsável pela marca de alimentos Becel, por publicidade enganosa e abusiva, além de estímulo ao consumo de ultraprocessados com promessa de benefício cardiovascular.

A empresa foi procurada para se pronunciar sobre a denúncia, mas não retornou até a publicação do texto. O espaço segue aberto para manifestação.

Anúncio presente no processo do Idec contra a Becel
Anúncio presente no processo do Idec contra a Becel
Foto: Reprodução/Idec / Estadão

A denúncia foi encaminhada à Secretaria Nacional do Consumidor e ao Procon-ES. De acordo com o Idec, a publicidade da marca descumpre artigos do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

A composição alimentar dos produtos foi analisada pelo Observatório de Publicidade de Alimentos (OPA), que levou em conta a rotulagem, a composição nutricional e a lista de ingredientes de cinco margarinas da marca Becel. Todas foram classificadas como produtos ultraprocessados e, segundo o Idec, não são recomendadas para consumo habitual.

Os produtos também foram considerados altos em gordura saturada, conforme parâmetros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em excesso, esse tipo de gordura é ligado ao aumento do colesterol, o que eleva o risco de doenças cardiovasculares.

Segundo o Idec, nem todos os itens da marca exibem o alerta sobre esse composto crítico porque embalagens de 250 g têm painel frontal reduzido, o que torna a inclusão da lupa opcional, conforme a norma de rotulagem frontal.

Exemplo de abordagem apresentada no processo do Idec contra a Becel
Exemplo de abordagem apresentada no processo do Idec contra a Becel
Foto: Reprodução/Idec / Estadão

O Idec identificou ainda a menção à adição de vitaminas A e E e de fitoesterol nas embalagens de alguns produtos. Os fitoesteróis são substâncias capazes de serem absorvidas no lugar do colesterol - que, por sua vez, acaba eliminado do organismo. Mas a nutricionista Mariana Ribeiro, do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do órgão, explica que essa característica não torna a margarina necessariamente mais saudável.

"Os produtos não têm o mesmo benefício que um alimento que possui esses nutrientes naturalmente em sua composição. No caso dos ultraprocessados, são produtos de baixa qualidade nutricional", afirma.

O Idec, em parceria com o Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais (Geppaas/UFMG), também analisou postagens no perfil da marca no Instagram. Foram avaliadas 14 publicações relacionadas ao produto Becel Pro Activ, que contém os fitoesteróis. Segundo o órgão, as peças apresentam informações que podem gerar dúvida e induzir o consumidor ao erro sobre a real natureza do alimento.

"Vemos o produto frequentemente associado a benefícios cardiovasculares, ao incentivo do consumo diário desse ultraprocessado e, em algumas publicações, até à exploração do medo do consumidor em relação às taxas de colesterol, sempre posicionando o produto como uma estratégia adequada", avalia Mariana.

A prática, de acordo com o Idec, pode ser caracterizada como healthwashing, quando um produto não saudável, como um ultraprocessado, é apresentado como se estivesse associado a um hábito benéfico. "Isso acontece para tornar o produto mais atrativo, mesmo quando sua qualidade nutricional não é adequada", explica Mariana.

O Idec afirma que, ao agir dessa forma, a comunicação da marca pode promover o consumo diário de ultraprocessados, prática que pode ser nociva ao consumidor.

Segundo o órgão, os produtos da marca Becel, em especial o Becel Pro Activ, desrespeitam o direito à saúde e à informação adequada e clara previstos no CDC. Em resumo, a marca teria veiculado publicidade enganosa e abusiva.

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra