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Hiperidrose: quando a cirurgia é indicada para suor excessivo?

A simpatectomia pode ser considerada quando outros tratamentos não funcionam; entenda como o procedimento é feito e quais são os riscos

20 out 2026 - 18h55
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Resumo
A hiperidrose, suor desproporcional que afeta até 3% da população nas mãos, axilas, pés e rosto, prejudica a rotina e o bem-estar. O tratamento inicial inclui medicamentos, antitranspirantes e botox. A cirurgia de simpatectomia torácica por vídeo é indicada quando essas alternativas falham, focando em mãos e axilas. Com rápida recuperação, o procedimento exige avaliação médica criteriosa devido a causas secundárias e ao risco de hiperidrose compensatória em outras regiões do corpo.

O suor excessivo pode atrapalhar tarefas simples, como escrever, usar o celular ou apertar a mão de alguém. Quando a transpiração é intensa e desproporcional à necessidade de regular a temperatura corporal, pode indicar hiperidrose.

Entenda quando a cirurgia para suor excessivo é indicada
Entenda quando a cirurgia para suor excessivo é indicada
Foto: Divulgação/Envato / Saúde em Dia

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a condição afeta de 2% a 3% da população. Além do desconforto físico, pode prejudicar a autoestima, as relações sociais e a rotina profissional.

O que é hiperidrose e como identificar?

A hiperidrose provoca transpiração excessiva mesmo quando o corpo não precisa se resfriar. As regiões mais afetadas costumam ser mãos, pés, axilas e rosto, e os sintomas podem começar na infância ou adolescência.

A avaliação médica considera a duração e a frequência dos episódios, além do histórico familiar. Já o suor de início recente, generalizado ou noturno, especialmente acompanhado de outros sintomas, precisa ser investigado para identificar possíveis causas secundárias.

"O suor excessivo causa desconforto, vergonha, piora de quadros de ansiedade e dificuldades nos relacionamentos e nas atividades do trabalho ou da escola", afirma Liu Estradioto, cirurgião torácico do Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR).

Quando a cirurgia para hiperidrose é indicada?

O tratamento depende da intensidade dos sintomas e das regiões afetadas. Entre as opções estão antitranspirantes específicos, medicamentos orais e aplicação de toxina botulínica.

Quando essas alternativas não apresentam resultados satisfatórios ou não são bem toleradas, a cirurgia pode ser considerada. Uma das possibilidades é a simpatectomia torácica por videotoracoscopia, mais utilizada em casos de suor excessivo nas mãos e nas axilas.

O procedimento interrompe a atividade de parte da cadeia simpática, conjunto de nervos envolvido no controle da transpiração. A indicação deve ser individualizada, considerando os sintomas, os tratamentos anteriores e os riscos.

"Nas mãos, o efeito costuma ser percebido logo após a cirurgia. Estudos mostram melhora significativa da qualidade de vida na maioria dos pacientes bem indicados", explica Leonardo Roeder, cirurgião torácico que também atua no hospital.

Realizada sob anestesia geral, a cirurgia utiliza pequenas incisões no tórax e uma microcâmera para orientar o procedimento. A recuperação varia conforme cada paciente, mas as atividades cotidianas costumam ser retomadas entre cinco e sete dias. A volta aos exercícios físicos geralmente ocorre entre 15 dias e três semanas, conforme a evolução e a liberação médica.

Quais são os riscos da cirurgia?

Um dos principais efeitos adversos é a hiperidrose compensatória, caracterizada pelo aumento da transpiração em outras regiões do corpo, como costas, abdômen e coxas. A intensidade varia entre os pacientes, e o risco deve ser discutido antes da cirurgia.

A indicação também exige investigar possíveis causas secundárias do suor excessivo, como alterações hormonais, infecções e efeitos de medicamentos. Quando existe uma condição de origem, o tratamento deve priorizá-la.

"Mesmo com cortes pequenos, é uma cirurgia dentro do tórax. Por isso, precisa ser feita por um cirurgião torácico com experiência na técnica", reforça Roeder. A decisão deve considerar os benefícios esperados e os possíveis efeitos adversos. Por isso, a avaliação especializada é fundamental para entender se a simpatectomia é adequada para cada caso.

Saúde em Dia
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