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Governo federal quer oferecer vacina nonavalente contra o HPV no SUS, diz Padilha

Imunizante amplia proteção contra subtipos do vírus, podendo prevenir até 90% dos casos de câncer do colo do útero

9 fev 2026 - 19h19
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O Ministério da Saúde pretende incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a versão nonavalente da vacina contra o vírus HPV, o principal causador de câncer do colo do útero, afirmou o ministro Alexandre Padilha. Hoje, a rede pública aplica a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV: 6, 11, 16 e 18. Os dois primeiros estão associados ao surgimento de verrugas genitais, enquanto os subtipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero no Brasil.

Já a vacina nonavalente, atualmente disponível apenas na rede privada, é uma versão mais moderna que, para além dos quatro subtipos presentes na vacina ofertada pelo SUS, protege também contra os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58. Com isso, a cobertura pode alcançar as linhagens do HPV responsáveis por até 90% dos casos de câncer do colo do útero.

No SUS, a vacina quadrivalente contra HPV está disponível para crianças e adolescentes de 9 a 19 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual, período em que o imunizante apresenta maior eficácia. Adultos até 45 anos de determinados grupos também podem receber a vacina gratuitamente:

  • Mulheres e homens vivendo com HIV;
  • Pessoas transplantadas de órgãos sólidos ou de medula óssea;
  • Pacientes oncológicos;
  • Vítimas de abuso sexual que não tenham sido previamente vacinadas;
  • Usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP);
  • Pacientes com papilomatose respiratória recorrente, a partir dos 2 anos de idade.

Já na rede privada, qualquer pessoa entre 9 e 45 anos pode ser imunizada. O custo médio é de R$ 800 por dose.

Vacina quadrivalente contra o HPV disponível atualmente no SUS para crianças e adolescentes entre 9 e 19 anos, além de alguns grupos de adultos até 45 anos
Vacina quadrivalente contra o HPV disponível atualmente no SUS para crianças e adolescentes entre 9 e 19 anos, além de alguns grupos de adultos até 45 anos
Foto: JF Diorio/Estadão / Estadão

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde durante evento para comunicar um pacote de investimentos para o Instituto Butantan: o governo federal investirá cerca de R$ 1,4 bilhão por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a entidade investirá outros R$ 400 milhões. Um dos principais focos é a construção de uma fábrica para produzir imunizantes contra o HPV, com R$ 495,9 milhões destinados pelo governo federal.

Além de aumentar a capacidade de produção da vacina quadrivalente produzida atualmente, a nova planta industrial também será usada para "realizar um salto tecnológico da vacina quadrivalente para a nonavalente, seguindo o exemplo da Austrália, que praticamente erradicou o câncer de colo de útero com essa versão", segundo o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.

"Uma das possibilidades com a parceria (com uma empresa americana) é de modernizar essa vacina do HPV", disse Padilha. Ainda segundo ele, há total interesse do Ministério da Saúde em produzir a vacina nonavalente no Butantan e incorporá-la imediatamente ao SUS.

HPV e câncer

O HPV está associado a um dos cânceres que mais matam mulheres no Brasil, o câncer do colo do útero. Estimativas indicam cerca de 17 mil novos casos da doença por ano e 7,2 mil mortes.

Ao mesmo tempo, é um dos tipos de câncer mais passíveis de prevenção. Como a infecção pelo vírus é a principal causa desse tumor, a vacinação é a grande estratégia para evitá-lo — e pode até mesmo erradicar o quadro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O HPV também está associado a casos de câncer de vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. A transmissão ocorre principalmente por via sexual, mas também pode acontecer pelo contato direto com regiões da pele ou mucosas infectadas.

Uma pesquisa nacional divulgada em 2023 pelo Ministério da Saúde mostrou que a taxa de infecção pelo HPV na região genital atinge 54,4% das mulheres que já iniciaram a vida sexual, e 41,6% dos homens. Na maioria das vezes, isso não resulta em sintomas mais importantes. Porém, em alguns casos, a infecção pode evoluir para lesões precursoras ou câncer.

Estadão
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