Especialistas explicam riscos raros da coleta de óvulos após morte de juíza
Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, sofreu hemorragia e morreu após cirurgia de emergência
O caso da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, que sofreu uma hemorragia e morreu após passar por uma coleta de óvulos para fertilização in vitro gerou comoção e preocupação em famílais que pretendem realizar o procedimento.
O caso aconteceu em uma clínica de reprodução assistida de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo na segunda-feira, 4, e, após passar mal, ela voltou à clínica com a mãe, onde foi atendida pelo médico e depois levada ao hospital, onde realizou uma cirurgia no dia seguinte. Na madrugada de quarta-feira (6), Mariana sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.
Segundo a Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO, os riscos de um tratamento de reprodução assistida são raros e estão geralmente associados ao uso dos hormônios, devido a uma taxa hormonal mais elevada, como, por exemplo, eventos tromboembólicos ou, ao procedimento em si.
"Que seriam reações ao ato anestésico, uma reação alérgica ou secundária à anestesia, desde eventos cardiorrespiratórios até alergias ao procedimento de punção, que geralmente pode estar associado com sangramentos agudos ou um pouquinho mais tardio. Os maiores riscos são os agudos, que devem ser identificados mais rapidamente para resolução mais rápida, e infecções pós-punção, que também são raros", diz.
A Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic, explica que a punção ovariana é um procedimento necessário para captar os óvulos para pacientes que serão submetidas a tratamentos, tanto de fertilização in vitro, como de congelamento de óvulos.
"Na primeira fase as pacientes são submetidas a medicações hormonais para que os folículos possam crescer para realizar a punção ovariana e entrar com uma agulha no ovário para captar os óvulos. Neste procedimento a paciente é encaminhada a um centro cirúrgico com todo um cuidado, com equipe de anestesia e monotorização dos sinais vitais. A paciente é submetida a uma sedação e depois a gente entra com uma ultrassom transvaginal e uma agulha para aspirar o líquido folicular", detalha.
A médica também reforça que, como qualquer procedimento cirúrgico, existe o risco da cirurgia e da anestesia. "O risco cirurgíco em si de colocar essa agulha dentro da barriga da paciente, pode ter um risco hemorrágico, risco infeccioso e também risco de lesão nos órgãos que estão envolta, como intestino, bexiga", completa.
A especialista diz que as complicações podem acontecer, mas casos de mortes são ainda mais raros. "Nas mãos de um profissional capacitado e bem instruído, ele pode reverter essa situação e estabilizar o quadro clínico".
Sobre o caso da juíza Mariana, a Dra. Paula diz que dentre as principais hipóteses, os sintomas lembram bastante quadros de sangramento pós-coleta.
"O sangramento pós-punção, que, apesar de raros, podem acontecer e são inerentes ao procedimento. Não dá para a gente ter certeza, eventualmente pode também ser alguma reação colateral tardia, alguma medicação, um tromboembolismo mais maciço, que também pode levar a um risco maior de óbito. Antes de termos todos os dados, isso são só hipóteses", completa.
Quem não pode realizar a coleta de óvulos?
As pacientes que não podem fazer a coleta são raras, mas existem algumas que têm contraindicação à anestesia, por isso não podem ser submetidas à sedação.
"Alguns casos, por exemplo, de risco cardiovascular importante, respiratório, então dependendo do grau, por exemplo, de obesidade, às vezes pode ser uma uma cirurgia um pouco mais arriscada. E pacientes que têm algum distúrbio grave de coagulação no qual o hematologista ou clínico geral contraindica a cirurgia. As demais pacientes todas podem fazer o procedimento sem contraindicações", explica a médica.
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