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Composto usado em cosméticos surpreende cientistas ao mostrar potencial contra bactérias resistentes a antibióticos

Ácido madecássico no combate às superbactérias: estudo com Centella asiatica, famosa no skincare coreano, aponta potencial antibacteriano

3 mai 2026 - 12h33
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Pesquisadores identificaram que o ácido madecássico, substância presente na planta Centella asiatica e popular em cosméticos de skincare coreano, pode ajudar a combater bactérias resistentes a antibióticos. Os resultados, obtidos em testes de laboratório, sugerem que o composto é capaz de enfraquecer ou inibir o crescimento de alguns microrganismos considerados de difícil tratamento.

Apesar do interesse crescente, os cientistas destacam que se trata de uma linha de investigação ainda em estágio inicial. Até o momento, não há evidências suficientes para uso clínico em humanos, nem indicação para substituir antibióticos já aprovados. A descoberta, no entanto, amplia o debate sobre o aproveitamento de ingredientes naturais usados na cosmética em pesquisas sobre novas estratégias contra infecções.

O que é o ácido madecássico e de onde ele vem?

O ácido madecássico é um triterpeno, tipo de molécula produzida por algumas plantas como parte de seus mecanismos de defesa. Ele é extraído principalmente da Centella asiatica, erva utilizada há séculos em sistemas tradicionais de medicina na Ásia. Na indústria, o composto é obtido por meio da purificação dos extratos da planta, frequentemente ao lado de outros ativos, como asiaticosídeo e ácido asiático.

Em estudos anteriores, o ácido madecássico foi associado a propriedades como ação anti-inflamatória, cicatrizante e antioxidante em modelos laboratoriais. Por isso, tornou-se um ingrediente de interesse para pesquisadores das áreas de dermatologia, microbiologia e farmacologia, que buscam entender como esses efeitos ocorrem e se podem ser aproveitados em formulações tópicas ou, futuramente, em medicamentos.

Por que a Centella asiatica é tão usada em produtos de skincare?

A Centella asiatica ganhou espaço no mercado de skincare, especialmente em produtos coreanos, por sua ligação com cicatrização de feridas, regeneração da barreira cutânea e alívio de vermelhidões, de acordo com estudos in vitro e em modelos animais. Os extratos da planta costumam aparecer em cremes, séruns e géis para peles sensíveis, com acne ou após procedimentos dermatológicos.

Nas fórmulas cosméticas, o ácido madecássico e seus compostos relacionados são usados, principalmente, com a finalidade de:

  • Auxiliar na recuperação da pele após irritações leves;
  • Contribuir para a hidratação e a manutenção da barreira cutânea;
  • Reduzir a aparência de vermelhidão em peles sensibilizadas;
  • Atuar como coadjuvante em produtos voltados à acne leve, em associação com outros ingredientes.

Esses efeitos se baseiam em mecanismos já descritos em laboratório, como modulação de mediadores inflamatórios e estímulo de componentes estruturais da pele. Ainda assim, especialistas costumam ressaltar que cosméticos não substituem tratamentos médicos nem antibióticos prescritos, mesmo quando contêm substâncias com atividade biológica relevante.

Ácido madecássico entra na mira contra superbactérias – depositphotos.com / katerynakon
Ácido madecássico entra na mira contra superbactérias – depositphotos.com / katerynakon
Foto: Giro 10

Como o ácido madecássico pode agir contra bactérias resistentes?

O problema das superbactérias preocupa autoridades de saúde em todo o mundo. Estimativas internacionais apontam que infecções resistentes a antibióticos estão associadas a milhões de casos graves e centenas de milhares de mortes por ano. Esses microrganismos surgem quando bactérias comuns desenvolvem mecanismos para escapar da ação de medicamentos, tornando tratamentos tradicionais menos eficazes.

Frente a esse cenário, grupos de pesquisa vêm avaliando compostos de origem natural, como o ácido madecássico, em modelos laboratoriais. Em culturas de bactérias e estudos com biofilmes — estruturas em que microrganismos se organizam e se protegem —, o composto mostrou capacidade de:

  1. Reduzir o crescimento bacteriano em algumas cepas, quando usado em determinadas concentrações;
  2. Alterar a integridade da membrana celular, o que pode dificultar a sobrevivência das bactérias;
  3. Enfraquecer biofilmes, tornando-os mais sensíveis a antibióticos convencionais;
  4. Atuar de forma sinérgica com certos medicamentos, potencialmente facilitando a ação dos fármacos já existentes.

Esses resultados, porém, derivam principalmente de estudos in vitro, feitos em ambientes controlados de laboratório. Eles indicam um potencial antimicrobiano, mas não garantem o mesmo desempenho em organismos vivos, onde existem variáveis como metabolismo, sistema imunológico e distribuição do composto no corpo.

Já existe aplicação clínica do ácido madecássico contra superbactérias?

Até o momento, não há tratamentos aprovados baseados em ácido madecássico especificamente para infecções causadas por superbactérias. O que existe é um conjunto crescente de pesquisas pré-clínicas, concentradas em:

  • Testes em placas de cultura com diferentes espécies bacterianas, incluindo cepas resistentes;
  • Experimentos que avaliam possíveis combinações com antibióticos já utilizados na prática médica;
  • Estudos iniciais sobre segurança, toxicidade em células humanas e estabilidade do composto.

Para que algum dia o ácido madecássico seja considerado para uso clínico como agente antimicrobiano, seriam necessários vários passos adicionais, como:

  1. Ensaios em modelos animais de infecção;
  2. Estudos de dose, via de administração e possíveis efeitos adversos;
  3. Ensaios clínicos em humanos, conduzidos em fases sucessivas e com acompanhamento rigoroso;
  4. Avaliação por agências regulatórias nacionais e internacionais.

Enquanto esse caminho não é percorrido, o papel do ácido madecássico permanece concentrado na área cosmética e em pesquisas de laboratório. Especialistas destacam que cremes e séruns com Centella asiatica não devem ser utilizados como substitutos de antibióticos em quadros infecciosos, especialmente quando há suspeita de bactérias resistentes.

O interesse científico em torno do composto, porém, reflete uma tendência mais ampla: a busca por novas moléculas, muitas delas derivadas de plantas já conhecidas do público, para enfrentar o desafio crescente das superbactérias. Esse movimento indica que ativos presentes no cotidiano, como em produtos de skincare, podem se tornar ponto de partida para estratégias futuras de combate a infecções, desde que a pesquisa avance com cautela e base em evidências robustas.

Giro 10
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