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Erosão ácida: o desgaste silencioso que compromete os dentes

Erosão ácida nos dentes enfraquece o esmalte em silêncio; descubra causas, sintomas, prevenção e tratamentos eficazes

23 fev 2026 - 15h03
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A erosão ácida nos dentes aparece de forma lenta e contínua. Esse desgaste não envolve bactérias diretamente, mas causa perda mineral no esmalte. O problema cresce em cidades grandes e pequenas, principalmente por causa de mudanças na alimentação. Refrigerantes, sucos ácidos e hábitos de higiene inadequados favorecem esse processo.

O esmalte protege a parte interna do dente. Quando ácidos em excesso entram em contato com essa camada, eles reduzem o pH na superfície dental. Dessa forma, o esmalte começa a se dissolver, mesmo sem dor intensa no início. Por isso, muitas pessoas só percebem o dano em estágios mais avançados.

O que é erosão ácida e como ela se forma?

A erosão ácida corresponde à perda química do esmalte sem envolvimento de bactérias. Ela ocorre quando ácidos atacam diretamente a superfície dental. Assim, o mineral se solta e o dente perde espessura. Esse desgaste pode atingir também a dentina, camada logo abaixo do esmalte.

Os ácidos surgem de fontes externas e internas. Bebidas como refrigerantes, energéticos e sucos cítricos baixam o pH da boca rapidamente. Já o refluxo gástrico e os vômitos frequentes trazem o ácido do estômago para a cavidade oral. Em ambos os casos, o dente fica exposto a um ambiente ácido por tempo prolongado.

Além disso, alguns hábitos potencializam o dano. Escovar os dentes logo após ingerir alimentos ácidos, por exemplo, aumenta o desgaste. Nessa condição, o esmalte permanece amolecido pelo pH baixo. O atrito da escova remove material que poderia se remineralizar com a saliva.

Erosão ácida e cárie são a mesma coisa?

Muita gente confunde erosão ácida e cárie. No entanto, os processos diferem bastante. A cárie depende da ação de bactérias presentes na placa dental. Elas fermentam açúcares e produzem ácidos localmente. Com o tempo, esses ácidos criam cavidades na superfície.

A erosão, por outro lado, não exige a presença da placa bacteriana. O ácido age de forma direta e contínua sobre o esmalte. Em geral, o dente perde estrutura de maneira uniforme e sem buracos definidos. A superfície fica lisa, brilhante e afinada. Já na cárie, forma-se um defeito localizado, com aspecto de "buraco".

Outra diferença envolve a localização. A cárie aparece com frequência em regiões onde a placa se acumula. Fendas de molares e áreas entre os dentes sofrem mais. A erosão, porém, costuma atingir faces expostas a líquidos ácidos. A parte frontal dos dentes superiores e as superfícies internas dos inferiores sofrem bastante.

Qual é o papel do pH e dos alimentos ácidos no desgaste dental?

O pH mede o grau de acidez de uma solução. Quando o pH cai, o meio se torna mais ácido. O esmalte dental suporta apenas variações pequenas. Abaixo de um certo valor, os cristais de hidroxiapatita começam a se dissolver. Esse ponto recebe o nome de "pH crítico".

Alimentos e bebidas ácidas reduzem o pH da saliva assim que entram na boca. Refrigerantes, sucos de laranja, limão ou maracujá causam esse efeito com rapidez. Isotônicos, vinagres e bebidas com gás também favorecem a queda do pH. Quanto maior a frequência de consumo, maior o risco de erosão.

Além da acidez, o tempo de contato influencia muito. Pessoas que tomam bebidas ácidas em pequenos goles prolongam a exposição. Quem segura o líquido na boca, então, aumenta ainda mais o risco. Nesses casos, o esmalte não recebe tempo suficiente para se recuperar entre os episódios.

Quais são os sintomas mais comuns da erosão ácida?

Nos estágios iniciais, a erosão progride de forma silenciosa. O primeiro sinal costuma ser uma leve sensibilidade. O desconforto aparece com bebidas geladas ou muito quentes. Em muitos casos, o paciente não relaciona o problema ao ácido.

Com a evolução, outros sinais se tornam visíveis. Dentistas relatam os seguintes achados frequentes:

  • Superfície dental mais lisa e com brilho intenso.
  • Bordas dos dentes anteriores mais transparentes.
  • Alteração na forma, com dentes aparentando menor tamanho.
  • Escurecimento relativo, pela exposição da dentina.
  • Sensibilidade aumentada ao toque, ao frio e ao doce.

Em estágios avançados, o desgaste pode atingir a polpa. Nesses casos, a dor se torna mais forte e constante. A mastigação passa a causar desconforto diário. Além disso, a estética do sorriso se altera de forma marcante.

Uso excessivo de refrigerantes pode gerar erosão ácida – depositphotos.com / focuspocusltd
Uso excessivo de refrigerantes pode gerar erosão ácida – depositphotos.com / focuspocusltd
Foto: Giro 10

Como prevenir a erosão ácida segundo orientações de dentistas?

Especialistas destacam a prevenção como principal estratégia. O controle da erosão começa pela alimentação. Assim, os dentistas costumam sugerir algumas medidas simples no dia a dia:

  1. Reduzir a frequência de bebidas ácidas, como refrigerantes e energéticos.
  2. Preferir água ou bebidas menos ácidas entre as refeições.
  3. Evitar bochechar ou segurar líquidos ácidos na boca.
  4. Ingerir sucos cítricos durante as refeições, não isoladamente.
  5. Usar canudo em algumas bebidas para diminuir o contato com os dentes.

Além disso, o cuidado com a escovação faz diferença. Cirurgiões-dentistas recomendam aguardar cerca de 30 minutos após o consumo de alimentos ácidos. Esse intervalo permite que a saliva atue na remineralização inicial. Eles também indicam escovas de cerdas macias e cremes dentais com flúor.

Quais são as principais opções de tratamento?

O tratamento da erosão ácida varia conforme o grau de desgaste. Em fases leves, o dentista pode optar por medidas conservadoras. Aplicações de flúor fortalecem o esmalte remanescente. Produtos dessensibilizantes também ajudam a reduzir o desconforto.

Quando a perda de estrutura se torna maior, restaurações entram em cena. O profissional pode usar resinas compostas para reconstruir áreas desgastadas. Em alguns casos, ele indica facetas ou coroas para proteger dentes muito comprometidos. O objetivo principal envolve a preservação da função e da estética.

Ao mesmo tempo, o dentista investiga a causa do problema. Se houver refluxo gástrico, por exemplo, o paciente recebe orientação para buscar avaliação médica. Em quadros de transtornos alimentares, a abordagem multidisciplinar se torna fundamental. Sem o controle da fonte ácida, qualquer restauração sofre risco de falha.

Por que reconhecer cedo os sinais de erosão ácida?

O reconhecimento precoce da erosão ácida evita perdas irreversíveis. Com atenção a pequenos sinais, o paciente consegue buscar ajuda antes de danos extensos. Dessa forma, o tratamento se torna mais simples e menos invasivo.

A visita regular ao dentista permite esse diagnóstico antecipado. Exames clínicos e, quando necessário, radiografias mostram alterações discretas no esmalte. A partir daí, o profissional orienta ajustes nos hábitos e traça um plano personalizado. Assim, a saúde bucal ganha proteção duradoura, mesmo diante de um estilo de vida moderno.

depositphotos.com/AllaSerebrina
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Foto: Giro 10
Giro 10
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