Endometriose e bem-estar: sintomas comuns e o que fazer hoje
Doença vai além da fertilidade e exige cuidado contínuo para preservar qualidade de vida
A endometriose voltou ao centro do debate público após Larissa Manoela revelar que decidiu adiar os planos de gravidez para priorizar o tratamento da doença. O relato trouxe visibilidade a uma condição que afeta milhões de mulheres e que impacta diretamente o bem-estar físico, emocional e reprodutivo.
Segundo o ginecologista Thiers Soares, especialista em endometriose, miomas e adenomiose, a doença exige atenção constante e acompanhamento individualizado, já que seus efeitos vão muito além do sistema reprodutivo.
"A endometriose não afeta apenas a fertilidade. Ela provoca dor crônica, alterações intestinais e urinárias, impacto emocional e limitações importantes no dia a dia. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença", explica o médico.
Endometriose: como a doença afeta o bem-estar
A endometriose ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, intestino, bexiga e outras regiões do corpo. Esse processo inflamatório contínuo está associado a dor persistente, fadiga, ansiedade e queda na qualidade de vida.
Muitas mulheres convivem por anos com sintomas sem diagnóstico, o que agrava o quadro físico e emocional.
Sintomas comuns que merecem atenção
Os sinais iniciais nem sempre são óbvios, mas não devem ser ignorados. Entre os principais estão:
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Dor intensa durante a menstruação
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Dor na relação sexual
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Dor ao urinar ou dificuldade para esvaziar a bexiga
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Alterações no funcionamento intestinal
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Desconforto pélvico frequente
Ao perceber esses sintomas, a orientação é buscar avaliação ginecológica especializada. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controle e melhor resposta ao tratamento.
Cirurgia e tratamento: o que é possível fazer hoje
De acordo com o especialista, a cirurgia é a única forma de remover os focos de endometriose. No entanto, nem todas as pacientes precisam de intervenção imediata.
Tratamentos hormonais, ajustes alimentares, prática de atividade física e fisioterapia pélvica não eliminam a doença, mas ajudam a aliviar sintomas e melhorar o bem-estar.
"A indicação cirúrgica é sempre individualizada. Avaliamos idade, intensidade da dor, desejo reprodutivo, órgãos comprometidos e estágio da doença. Não existe uma regra única", afirma Dr. Thiers.
A doença pode voltar?
Sim. Mulheres com predisposição genética podem apresentar recorrência mesmo após a cirurgia. Estima-se que a endometriose retorne em cerca de 25% a 30% dos casos, especialmente nos ovários.
Além disso, cirurgias realizadas sem equipe especializada podem deixar focos da doença ativos, o que pode ser confundido com recidiva. A ausência de tratamento hormonal no pós-operatório também aumenta o risco de reaparecimento.
Endometriose e saúde emocional
Conviver com dor crônica, limitações físicas e incertezas sobre fertilidade impacta diretamente a saúde mental. Ansiedade, estresse e sensação de exaustão são frequentes em pacientes com endometriose.
Por isso, o cuidado deve ser integral, envolvendo não apenas o tratamento médico, mas também suporte emocional e informação de qualidade.
"O seguimento contínuo é essencial para reduzir dores, preservar o bem-estar e aumentar as chances de uma vida mais saudável — inclusive no planejamento de uma gravidez futura", conclui o especialista.