Ele pode estar ali por anos sem você perceber: o que saber sobre o aneurisma cerebral
O que provoca um aneurisma? A alteração pode passar despercebida por anos. Saiba o que aumenta o risco e quais sinais merecem atenção.
Geralmente silencioso, o aneurisma cerebral é uma dilatação arterial causada por fatores genéticos, hipertensão e tabagismo. Embora muitos não se rompam nem exijam cirurgia, o crescimento da lesão pode gerar dormência facial e problemas visuais. Seu rompimento, que causa hemorragia grave e potencialmente fatal, manifesta-se por uma súbita e intensa dor de cabeça acompanhada de náuseas e rigidez na nuca, exigindo socorro médico imediato. Previne-se com hábitos saudáveis e controle da pressão.
Uma pessoa pode conviver com um aneurisma cerebral durante anos sem desconfiar que tem essa alteração. Como geralmente não provoca sintomas no início, ele pode passar despercebido e ser descoberto por acaso, durante um exame realizado por outro motivo. Em alguns casos, porém, o primeiro sinal aparece quando ocorre uma complicação.
Sua formação está relacionada a alterações na resistência das paredes das artérias, que podem sofrer influência de fatores genéticos e condições como pressão alta e tabagismo.
Mas por que essa alteração aparece? E como reconhecer os sintomas de aneurisma cerebral, especialmente quando existe risco de rompimento?
Como um aneurisma se forma
As artérias transportam o sangue pelo organismo sob pressão. Para suportar essa pressão, suas paredes precisam ser resistentes e manter sua estrutura.
Quando uma região dessa parede fica enfraquecida, pode começar a se dilatar, formando uma espécie de bolsa. É assim que surge um aneurisma.
Embora possa aparecer em diferentes partes do corpo, o aneurisma cerebral merece atenção especial porque seu rompimento pode provocar um sangramento dentro do crânio, com consequências graves e potencialmente fatais.
Quais fatores aumentam o risco de desenvolver um aneurisma cerebral
Não existe uma única causa para o problema. Alguns fatores podem aumentar a possibilidade de formação ou rompimento de um aneurisma cerebral, especialmente por favorecerem alterações nas paredes das artérias.
- Pressão alta: quando permanece elevada por muito tempo, a pressão arterial aumenta a sobrecarga sobre as paredes dos vasos sanguíneos. A hipertensão está associada tanto ao desenvolvimento quanto ao risco de rompimento do aneurisma.
- Tabagismo: as substâncias presentes no cigarro prejudicam os vasos sanguíneos e favorecem alterações em suas paredes. Fumar está associado tanto ao desenvolvimento quanto ao rompimento de aneurismas cerebrais.
- Histórico familiar: ter parentes próximos com aneurisma cerebral, especialmente quando houve rompimento, pode aumentar a predisposição. A atenção merece ser ainda maior quando vários familiares apresentam o problema.
- Condições genéticas e vasculares: algumas doenças hereditárias e alterações dos vasos sanguíneos podem afetar a estrutura e a resistência das artérias. Entre elas estão a síndrome de Ehlers-Danlos, especialmente sua forma vascular, a doença renal policística e a displasia fibromuscular.
- Idade e sexo: embora possa ocorrer em diferentes fases da vida, o aneurisma cerebral é mais frequente em adultos. As mulheres também apresentam maior frequência, especialmente após os 50 anos.
- Uso de drogas estimulantes: substâncias como cocaína e anfetaminas podem provocar elevações importantes da pressão arterial e aumentar o risco de complicações vasculares.
A presença desses fatores não significa que a pessoa desenvolverá um aneurisma. Eles apenas aumentam a predisposição ao problema.
Quais são os sintomas de aneurisma cerebral
Um dos aspectos mais delicados é que muitos aneurismas cerebrais não provocam sintomas, principalmente quando são pequenos e não pressionam estruturas próximas.
Quando cresce, entretanto, o aneurisma pode pressionar nervos e outras regiões do cérebro. Dependendo de sua localização, podem surgir:
- Dor acima ou atrás de um dos olhos.
- Visão dupla ou alterações visuais.
- Pupila de um dos olhos aumentada.
- Dormência ou fraqueza em parte do rosto.
- Dificuldade para movimentar determinados músculos.
Esses sinais não confirmam a presença de um aneurisma, pois também podem estar relacionados a outras condições neurológicas e oftalmológicas. No entanto, merecem avaliação médica.
O que provoca um aneurisma / Crédito: Canva
Dor de cabeça súbita pode indicar rompimento?
Sim. Uma dor de cabeça que começa repentinamente e atinge intensidade muito forte é um dos principais sinais de alerta para o rompimento de um aneurisma cerebral.
Muitas pessoas descrevem a sensação como a pior dor de cabeça que já sentiram. Ela pode atingir intensidade máxima em poucos segundos ou minutos, diferentemente de uma dor que aumenta gradualmente.
Outros sintomas podem aparecer ao mesmo tempo:
- Náuseas e vômitos.
- Rigidez na nuca.
- Sensibilidade intensa à luz.
- Visão dupla ou embaçada.
- Convulsões.
- Confusão mental.
- Desmaio ou perda de consciência.
Quando ocorre o rompimento, o sangue escapa da artéria e pode se espalhar pelo espaço entre o cérebro e as membranas que o revestem. Essa condição é chamada de hemorragia subaracnóidea e constitui uma emergência médica.
Uma dor de cabeça súbita e muito intensa exige atendimento imediato, mesmo que melhore depois de algum tempo. Não se deve esperar o aparecimento de outros sintomas. No Brasil, é possível acionar o SAMU pelo telefone 192.
Todo aneurisma cerebral pode se romper?
Não. Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, um aneurisma pode permanecer sem se romper durante toda a vida.
O risco depende de características como tamanho, localização, formato e crescimento da dilatação, além de fatores como tabagismo e pressão alta.
Após o diagnóstico, o médico avalia o risco de rompimento e a necessidade de tratamento. Em alguns casos, é preciso fazer uma cirurgia ou um procedimento realizado por dentro dos vasos sanguíneos para tratar o aneurisma. Em outros, basta acompanhar sua evolução com exames periódicos.
Portanto, nem todo aneurisma precisa de intervenção.
É possível prevenir um aneurisma?
Não existe uma forma de eliminar completamente o risco, especialmente quando há predisposição genética. Ainda assim, controlar a pressão arterial, não fumar e evitar drogas estimulantes são cuidados importantes para reduzir os riscos vasculares.
Quem tem vários familiares próximos com aneurisma cerebral deve conversar com um médico sobre a necessidade de exames de rastreamento, mesmo na ausência de sintomas.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.