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DIU ou Implanon®? Entenda as diferenças e qual é a melhor escolha

DIU e Implanon® são contraceptivos de longa duração, mas agem em locais diferentes e podem alterar a menstruação de formas bem distintas.

15 out 2026 - 13h08
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Resumo
O DIU e o Implanon® são métodos contraceptivos de longa duração altamente eficazes e reversíveis, disponíveis no SUS. Enquanto o DIU é inserido no útero — podendo ser de cobre (sem hormônio, com duração de até 12 anos) ou hormonal —, o Implanon® é um bastão subdérmico no braço que dura três anos. A escolha depende de critérios individuais, como tolerância a hormônios e impactos na menstruação. Nenhum método causa infertilidade ou protege contra ISTs, mantendo o preservativo indispensável.

Escolher um contraceptivo vai muito além de olhar a eficácia. Entre os métodos de longa duração, o DIU e o Implanon® são duas alternativas bastante eficazes, mas que funcionam de formas diferentes, ficam em locais distintos do corpo e podem provocar mudanças diferentes na menstruação.

Foto: Science Photo Library / Alto Astral

Os dois integram o grupo dos contraceptivos reversíveis de longa duração, os LARC. Segundo nota técnica do Ministério da Saúde, a taxa de falha anual estimada é de 0,6% para o DIU de cobre e de 0,05% para o implante subdérmico de etonogestrel.

"A ampliação da oferta é importante, mas a existência de um método altamente eficaz não elimina a necessidade de uma escolha individualizada. O que funciona bem para uma pessoa pode não ser adequado para outra, principalmente por causa do padrão de sangramento, do desejo de usar hormônio e da experiência com o procedimento de inserção", explica Fábio Hideo, ginecologista do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim".

O que é DIU e o que é Implanon®?

Apesar de serem confundidos com frequência, DIU e Implanon® não são a mesma coisa. Ambos são contraceptivos de longa duração, mas a instalação e o mecanismo de ação mudam.

  • DIU: é colocado dentro do útero. Existem duas versões principais: o DIU de cobre, sem hormônios, e o DIU hormonal, que libera levonorgestrel.

  • Implanon®: é um pequeno bastão de plástico inserido sob a pele do braço, geralmente com anestesia local. Ele libera continuamente o hormônio etonogestrel.

"O DIU de cobre atua dentro do útero e não interfere hormonalmente no organismo. O implante é colocado no braço e libera um progestagênio que impede a ovulação. São estratégias diferentes para alcançar o mesmo objetivo: evitar uma gravidez não planejada", afirma Hideo.

No SUS, estão disponíveis o DIU de cobre, o SIU liberador de levonorgestrel 52 mg (Mirena®), o SIU liberador de levonorgestrel 19,5 mg e o implante hormonal subdérmico.

Quanto tempo dura cada contraceptivo?

A duração é um dos grandes diferenciais desses métodos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os DIUs de cobre podem permanecer eficazes por dez a 12 anos, enquanto os hormonais duram entre três e oito anos.

Já o implante de etonogestrel tem validade de até três anos. Depois desse período, ele precisa ser retirado e, se a pessoa quiser continuar usando o método, um novo implante deve ser colocado.

Qual altera mais a menstruação?

O sangramento é, muitas vezes, o ponto decisivo na escolha. E aqui as diferenças entre os métodos ficam mais evidentes.

  • DIU de cobre: pode aumentar o volume e a duração da menstruação, além de intensificar as cólicas, sobretudo nos primeiros meses.

  • DIU hormonal: tende a reduzir o fluxo menstrual e, em alguns casos, pode levar à ausência de menstruação com o tempo.

  • Implanon®: pode causar sangramentos irregulares, escapes, menstruações mais frequentes ou prolongadas e, em algumas pessoas, ausência de menstruação.

Essas alterações normalmente não indicam um problema de saúde, mas devem ser avaliadas quando persistem ou comprometem a rotina e a qualidade de vida.

"Não é correto prometer que a menstruação vai desaparecer ou permanecer exatamente igual. Cada organismo responde de uma forma. O mais importante é explicar previamente quais alterações podem ocorrer para que a pessoa escolha o método já sabendo o que esperar e procure atendimento se o sangramento for intenso, prolongado ou acompanhado de outros sintomas", orienta o ginecologista.

Implanon® é indicado para quem não pode usar estrogênio?

O implante de etonogestrel não contém estrogênio e pode ser uma alternativa para algumas pessoas que não podem utilizar métodos combinados com esse hormônio. Isso, porém, não significa que ele seja indicado automaticamente para todos.

A avaliação deve considerar histórico de saúde, medicamentos em uso, sangramentos sem causa esclarecida, possibilidade de gravidez e outras condições clínicas. A decisão final deve ser tomada com um profissional habilitado, com base nos critérios médicos de elegibilidade para contracepção.

Quem nunca teve filhos pode usar DIU?

Sim. Nunca ter engravidado não é, por si só, uma contraindicação para o DIU. Segundo o Ministério da Saúde, o dispositivo pode ser inserido em diferentes momentos da vida reprodutiva, desde que a avaliação clínica descarte contraindicações.

A adolescência também não impede o uso de métodos de longa duração. No caso do implante, a incorporação ao SUS contempla adolescentes de 14 a 17 anos e mulheres adultas de 18 a 49 anos, sempre com orientação profissional.

"O planejamento reprodutivo deve respeitar a autonomia da pessoa. A indicação não pode ser baseada em estado civil, idade isoladamente, número de filhos ou pressão familiar. O que deve orientar a escolha são as condições clínicas, as preferências e os objetivos reprodutivos de cada indivíduo", destaca Hideo.

DIU ou Implanon® causam infertilidade?

Não. Tanto o DIU quanto o implante são métodos reversíveis. Após a retirada do DIU, a fertilidade retorna imediatamente. No caso do implante, a ovulação e a capacidade de engravidar também tendem a voltar rapidamente depois da remoção.

Se houver dificuldade para engravidar após a retirada, a investigação deve considerar outros fatores, como idade, condições ginecológicas, alterações hormonais e questões relacionadas ao casal.

Eles protegem contra infecções sexualmente transmissíveis?

Não. DIU e Implanon® previnem a gravidez, mas não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis, como HPV e HIV.

Por isso, o preservativo externo ou interno deve ser usado sempre. A chamada dupla proteção combina um contraceptivo eficaz com o preservativo, reduzindo riscos de gravidez não planejada e de ISTs.

Qual contraceptivo é melhor?

Não existe um método universalmente melhor. A escolha depende da saúde, das preferências e dos planos reprodutivos de cada pessoa.

  • DIU de cobre: boa alternativa para quem deseja evitar hormônios e busca longa duração, mas pode não ser confortável para quem já tem fluxo intenso ou cólicas fortes.

  • DIU hormonal: pode ser considerado por quem também quer reduzir o fluxo menstrual.

  • Implanon®: pode ser indicado para quem prefere não usar um dispositivo intrauterino ou precisa evitar estrogênio, mas as alterações imprevisíveis no sangramento podem ser uma desvantagem.

"Não se trata de escolher entre um método bom e outro ruim. Trata-se de entender as diferenças e identificar qual deles se adapta melhor à saúde, à rotina e aos planos reprodutivos da pessoa. A decisão compartilhada é parte fundamental da segurança contraceptiva", conclui o especialista.

Na consulta, vale aproveitar para perguntar sobre inserção, retirada, duração, efeitos esperados, contraindicações, acompanhamento e disponibilidade do contraceptivo na rede de saúde. A melhor escolha é aquela que combina eficácia, segurança e qualidade de vida.

Alto Astral
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