Dia Mundial do Coração: Hospitais de Pernambuco registram quase 2,5 mil procedimentos cardíacos
Balanço do Dom Helder e do Pelópidas Silveira revela perfil dos atendimentos e reforça importância do cuidado contínuo com o órgão.
Em alusão ao Dia Mundial do Coração, dados dos hospitais Dom Helder e Pelópidas Silveira, em Pernambuco, revelaram quase 2,5 mil procedimentos cardíacos entre 2025 e 2026. Desse total, 79,6% ocorreram em pacientes de 50 a 79 anos, refletindo o acúmulo de fatores de risco como hipertensão e diabetes ao longo da vida. As angioplastias lideraram as intervenções, somando 84,1% dos casos. Especialistas alertam que a prevenção contra doenças cardiovasculares deve começar bem antes dessa faixa etária.
Pessoas de 50 a 79 anos concentraram 1.975 dos 2.482 procedimentos cardiológicos registrados pelos hospitais metropolitanos Dom Helder (HDH) e Pelópidas Silveira (HPS) entre agosto de 2025 e agosto de 2026. A faixa etária corresponde a aproximadamente 79,6% do total nas duas unidades, que atendem exclusivamente pelo SUS em Pernambuco.
Divulgado no contexto do Dia Mundial do Coração, celebrado nesta terça-feira, 29 de setembro, o levantamento reúne 969 procedimentos no Dom Helder e 1.513 no Pelópidas Silveira. Os números contabilizam intervenções realizadas, não necessariamente pacientes diferentes.
No HDH, 742 registros envolveram pessoas de 50 a 79 anos, cerca de 77% do total. No HPS, foram 1.233, equivalentes a 81,5%.
Angioplastias predominam no levantamento
Somadas as categorias apresentadas pelos hospitais, as angioplastias correspondem a 2.088 procedimentos, aproximadamente 84,1% do total analisado.
No Dom Helder, foram registradas 307 angioplastias coronarianas primárias e 268 com implante de stent. As duas modalidades representam cerca de 59% dos procedimentos da unidade.
Já o Pelópidas Silveira informou 313 angioplastias primárias, incluindo cateterismo cardíaco; 707 com implante de dois stents; 425 com implante de stent; e 68 sem stent.
A maior concentração de angioplastias ocorreu entre pacientes de 60 a 69 anos. Nos implantes de marcapasso temporário, o levantamento aponta maior presença das faixas etárias avançadas, especialmente a partir dos 70 anos.
Urgências têm participação diferente nas unidades
Entre as angioplastias primárias do Dom Helder, 56 das 307 foram classificadas como urgentes. No Pelópidas Silveira, essa classificação apareceu em 277 dos 313 registros.
O recorte evidencia a presença de atendimentos que exigem resposta rápida, mas não permite definir o percentual de urgências entre todos os procedimentos dos hospitais.
Os volumes mensais também tiveram comportamentos distintos. O HDH passou de 49 procedimentos em setembro de 2025 para 93 em agosto de 2026, maior resultado mensal da série apresentada.
No HPS, foram 93 procedimentos em setembro de 2025, 68 em dezembro e 79 em agosto de 2026. Esses números mostram oscilação, sem indicar crescimento contínuo na unidade.
Fatores de risco se acumulam ao longo da vida
Para o cardiologista intensivista Rodrigo Cantarelli, coordenador da Hemodinâmica do HPS e cardiologista do HDH, o perfil etário reflete a exposição prolongada a fatores de risco.
"A doença aterosclerótica não surge de um dia para o outro; ela se desenvolve silenciosamente ao longo de décadas", explica.
O especialista relaciona esse processo à hipertensão, ao colesterol elevado, ao diabetes e ao tabagismo. A combinação dessas condições com o envelhecimento contribui para o aumento do risco cardiovascular.
Prevenção vai além da data comemorativa
A Organização Mundial da Saúde considera as doenças cardiovasculares a principal causa de morte no mundo. Em 2022, elas provocaram aproximadamente 19,8 milhões de mortes, cerca de 32% dos óbitos globais.
Não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação adequada e acompanhar pressão arterial, glicemia e colesterol integram os cuidados preventivos. O tratamento das condições já diagnosticadas também ajuda a reduzir o risco de complicações.
A concentração dos procedimentos em determinadas idades não significa que o cuidado deva começar apenas depois dos 50 anos. A avaliação profissional deve considerar o histórico, os sintomas e os fatores de risco de cada pessoa.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.