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Desgaste articular: entenda as causas e como prevenir o problema

Mudar hábitos é uma estratégia eficiente para promover a longevidade das articulações, bem como a qualidade de vida

13 mar 2026 - 16h30
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como crônica a dor que dura, no mínimo, três meses e sinaliza prejuízos à saúde, além de classificá-la como uma doença. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública em 2025, apontou que a dor crônica pode indicar problemas articulares e aumentar 14% da mortalidade entre idosos.

Articulações prejudicadas podem causar prejuízos multifatoriais à saúde
Articulações prejudicadas podem causar prejuízos multifatoriais à saúde
Foto: Rido | Shutterstock / Portal EdiCase

Segundo o ortopedista Fellipe Valle, diretor da Motore Medicina Avançada, articulações prejudicadas podem favorecer a mortalidade entre os mais velhos ao causar prejuízos multifatoriais à saúde. "Quando falamos da perda de saúde articular, também abordamos prejuízos aos músculos e ossos. Isso leva à diminuição da atividade física e da massa muscular, significando mais risco cardiovascular e metabólico. Além disso, há aumento do desequilíbrio e da chance de quedas. São déficits multifatoriais que levam às dificuldades funcionais e à piora da qualidade de vida", explica.

Além disso, o médico aponta o atraso na procura por intervenção médica e a normalização das dores crônicas como comportamentos que podem levar à incapacidade funcional. "A saúde articular é muito negligenciada, porque temos uma cultura de que viver com dor é normal e que devemos aceitar isso. Muitas pessoas normalizam a dor. Em médio e longo prazo, essa condição pode levar à incapacidade motora e dependência de cuidados, devido à piora sistêmica da saúde. Negligência às articulações significa acelerar o envelhecimento de forma global", acrescenta.

Longevidade articular como estratégia de prevenção

Fellipe Valle cita a busca pela longevidade articular como uma das principais ferramentas para evitar complicações na velhice e garantir qualidade de vida. "Longevidade articular é a capacidade de manter articulações funcionais, estáveis, sem dor e com mobilidade preservada. Não se trata de evitar cirurgias, mas de garantir independência e qualidade de vida, antecipando o desgaste antes que ele se torne incapacitante", conceitua.

Conforme o especialista, é importante que as pessoas se previnam contra doenças para retardar a silenciosa degeneração articular a partir dos 30 anos. Ele relata que esse desgaste pode ser programado. "A partir dos 30 anos, há uma degeneração silenciosa e progressiva. Alguns critérios aumentam a velocidade degenerativa, então é importante prevenir em vez de tratar a doença. É mais interessante iniciar a investigação antes de os sinais e sintomas aparecerem", alerta.

Fatores de risco para a degeneração articular

Fellipe Valle ressalta haver hábitos do estilo de vida que contribuem para a degeneração articular. O ortopedista, entretanto, relata que os prejuízos à saúde, muitas vezes, acontecem silenciosamente. "O sedentarismo é um grande vilão à saúde articular. Além dele, há a obesidade, os movimentos repetitivos sem preparo muscular, o sono inadequado e os quadros inflamatórios causados por alimentação. Algumas condutas do cotidiano são fatores de risco", garante.

Por vezes, os problemas articulares podem começar de maneira silenciosa
Por vezes, os problemas articulares podem começar de maneira silenciosa
Foto: Ground Picture | Shutterstock / Portal EdiCase

Sinais de problemas articulares

Segundo o ortopedista, sinais como dificuldade motora e sensação inesperada de falta de disposição para se locomover podem indicar dificuldades nas articulações. Ele explica que, muitas vezes, os problemas de saúde não causam dor no começo.

"Existem sinais silenciosos de uma saúde articular prejudicada. Por exemplo, a perda da força para subir escadas ou uma sensação de preguiça que não existia. A diminuição na velocidade da caminhada é outro exemplo. As pessoas acham que é natural, mas é o início de um desgaste. Nem sempre é uma dor latente, porque o início da dor é sinal de um grau maior da lesão", observa.

Hábitos que ajudam a preservar as articulações

O especialista explica que mudar hábitos é uma estratégia eficiente para promover a longevidade articular. "Existem várias estratégias para evitar o desgaste articular. Entre elas, a manutenção da massa magra mediante exercícios físicos, alimentação adequada, focando a ingestão de proteínas, o controle inflamatório ao evitar certos alimentos e o monitoramento metabólico com os exames de sangue periódicos. Também há as intervenções médicas, quando forem indicadas", lembra.

Fellipe Valle, por fim, relata ser possível melhorar a condição das articulações em quase todos os casos. Ele destaca que os resultados são melhores quando o acompanhamento médico começa cedo. "Quanto mais avançado o desgaste, mais complexa é a recuperação, mas quase sempre é possível melhorar a qualidade de vida com a abordagem adequada para cada caso, seja com terapia regenerativa ou cirurgia. A ideia principal é intervir o quanto antes", conclui.

Por Enzo Tres

Portal EdiCase
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