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Como proteger as crianças dos riscos do slime segundo especialistas

Substâncias químicas usadas no preparo da massa elástica podem causar desde irritações na pele até quadros graves de intoxicação

15 out 2026 - 22h46
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Resumo
A produção caseira de slime com bórax ou ácido bórico oferece sérios riscos à saúde infantil, motivando alertas da Sociedade Brasileira de Pediatria e restrições da Anvisa devido a danos reprodutivos e toxicológicos. O contato ou a ingestão podem causar dermatites, náuseas, alterações respiratórias e até falência renal. Mesmo versões sem bórax usam soluções com boro. Por isso, especialistas recomendam evitar receitas caseiras e priorizar apenas brinquedos certificados e regularizados.

A popularização de receitas caseiras para a fabricação da massa gelatinosa conhecida como slime trouxe à tona importantes alertas de especialistas sobre os componentes químicos utilizados na sua produção. Ingredientes bastante comuns como o bórax, também denominado borato de sódio, e o ácido bórico são amplamente empregados para conferir a textura elástica ao brinquedo, mas representam ameaças à saúde das crianças. O debate ganhou relevância após a atualização promovida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na RDC 1.030/2026, que incluiu o ácido bórico, o óxido bórico e diversos boratos na lista de substâncias proibidas em cosméticos e produtos de higiene. A medida alinha o Brasil às normas do Mercosul e a padrões internacionais com base em evidências toxicológicas relacionadas a danos reprodutivos e ao desenvolvimento humano. A especialista Karina Soeiro, mestre em Ciências Farmacêuticas e pesquisadora na área de desenvolvimento de cosméticos, explicou a motivação das novas restrições. "A mudança acompanha regras do Mercosul e referências regulatórias internacionais, e considera evidências toxicológicas acumuladas, sobretudo relacionadas à reprodução e ao desenvolvimento".

Como proteger as crianças dos riscos do slime segundo especialistas
Como proteger as crianças dos riscos do slime segundo especialistas
Foto: Canva / Perfil Brasil

Riscos do slime acendem alerta na pediatria

Impactos no organismo e os perigos da manipulação direta

A manipulação direta dessas substâncias é desaconselhada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que orienta que os pequenos não entrem em contato direto com compostos derivados do boro. Embora a absorção pela pele íntegra seja reduzida — variando entre 0,21% e 5% em exposições ocasionais —, o perigo aumenta significativamente em casos de contato prolongado, concentrações elevadas ou presença de lesões cutâneas prévias. A médica Quíssila Batista Neiva, coordenadora de Pediatria no Einstein Hospital Israelita em Goiânia, detalhou as manifestações dermatológicas mais prováveis. "O efeito mais esperado do contato cutâneo é local. Pode haver irritação, ardência, dermatite ou reação alérgica". Além do contato com a pele, a ingestão acidental decorrente do hábito de levar as mãos à boca e a inalação do pó durante o preparo representam vias críticas de contaminação. Nesses quadros, podem surgir sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia de coloração azul ou esverdeada, tosse e cianose. Em episódios de maior gravidade, observam-se queda na pressão arterial, alterações de consciência, choque cardiovascular e comprometimento renal, exigindo socorro médico imediato.

Outro ponto que exige atenção dos pais é a falsa sensação de segurança oferecida por receitas rotuladas como livres de bórax, uma vez que a substituição frequente por soluções para lentes de contato mantém a presença de ácido bórico na mistura. Da mesma forma, produtos industrializados de origem duvidosa também podem conter concentrações excessivas do elemento, conforme demonstrado em estudos internacionais. Para mitigar riscos, a Associação Brasileira das Indústrias de Brinquedos (Abrinq) trabalha na atualização normativa para impor limites rígidos de ensaio. A química Neire Silva, coordenadora do Comitê Brasileiro de Segurança de Brinquedos da instituição, destacou a futura exigência técnica. "Quando publicarmos esta norma revisada, este ensaio será obrigatório". Diante desse cenário, especialistas recomendam priorizar produtos industrializados regularizados e devidamente certificados para o público infantil. Caso ocorra irritação na pele ou nos olhos, a área afetada deve ser lavada imediatamente com água abundante; em situações de ingestão acidental de produtos concentrados, deve-se contatar o Centro de Informações Toxicológicas local sem provocar o vômito.

Perfil Brasil
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