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Como evitar o reganho de peso após usar canetas emagrecedoras

Especialista revela os hábitos que sabotam o emagrecimento e ensina como manter os resultados sem depender apenas do medicamento

28 jan 2026 - 15h02
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O uso das chamadas "canetas emagrecedoras", como ozempic e mounjaro, transformou o tratamento da obesidade nos últimos anos. Com a popularização desses medicamentos, porém, um tema ganhou destaque: o reganho de peso após a interrupção do tratamento.

O reganho de peso não deveria ser tratado como um "efeito colateral" exclusivo das canetas emagrecedoras
O reganho de peso não deveria ser tratado como um "efeito colateral" exclusivo das canetas emagrecedoras
Foto: Alones | Shutterstock / Portal EdiCase

Segundo o endocrinologista Dr. Ramon Marcelino, médico do Hospital Das Clínicas (HCFMUSP) e referência em medicina do estilo de vida e tratamento da obesidade, o fenômeno não deveria ser tratado como um "efeito colateral" exclusivo dessas medicações.

"O reganho de peso é inerente a qualquer processo de emagrecimento, com ou sem remédio, com ou sem cirurgia. Ele faz parte da própria biologia e do comportamento de uma doença crônica chamada obesidade", afirma.

O estudo "Weight regain after cessation of medication for weight management: systematic review and meta-analysis", publicado no The British Medical Journal, reacendeu o debate ao mostrar a tendência ao reganho após a suspensão dos fármacos. Para o especialista, porém, o problema está menos no medicamento e mais na forma como a obesidade ainda é tratada.

"Não faz sentido encarar isso como uma falha da medicação. Trata-se de uma doença crônica sendo tratada de forma intermitente, cara e pouco acessível. Se o cuidado fosse contínuo e integrado ao longo prazo, esse impacto seria muito menor", explica.

Doença crônica, tratamento contínuo

Assim como ocorre em condições como hipertensão ou diabetes, a obesidade exige manejo prolongado. A interrupção abrupta do tratamento pode levar a um retorno dos sintomas, no caso, o aumento do apetite e do peso corporal. "Ninguém demoniza um anti-hipertensivo porque a pressão sobe quando ele é suspenso. Com a obesidade, ainda falta compreender que estamos lidando com uma condição crônica, multifatorial e progressiva", ressalta o Dr. Ramon Marcelino.

Além disso, o especialista chama atenção para um paradoxo pouco discutido: as mesmas canetas acusadas de "causar reganho" são amplamente usadas para tratar o reganho de peso após a cirurgia bariátrica. "Alguém realmente acredita que um paciente que reganhou peso depois da cirurgia teria ganhado menos se nunca tivesse sido operado?", questiona.

Perda de peso sem mudanças sustentáveis na dieta e atividade física favorece o reganho de peso
Perda de peso sem mudanças sustentáveis na dieta e atividade física favorece o reganho de peso
Foto: Prostock-studio | Shutterstock / Portal EdiCase

Por que o reganho de peso acontece?

Ao suspender a medicação, o organismo tende a reagir com aumento do apetite e redução do gasto energético, mecanismos biológicos de defesa do peso corporal. Esse efeito pode ser potencializado quando a perda de peso ocorreu basicamente pela diminuição da quantidade de comida, sem mudanças sustentáveis na qualidade da dieta e no nível de atividade física.

"A potência das medicações atuais é inédita, e isso trouxe novos desafios. O reganho não deve nos paralisar, mas nos obrigar a aprimorar estratégias e ampliar o cuidado", afirma o Dr. Ramon Marcelino.

Dicas para evitar o reganho de peso

  1. Converse com seu médico: evite suspender a medicação em períodos como férias ou feriados prolongados, quando há maior exposição alimentar e menor rotina;
  2. Aumente a atividade física antes do desmame: elevar gradualmente a intensidade e a duração dos exercícios ajuda a compensar o aumento do apetite após a suspensão;
  3. Priorize a qualidade da alimentação: a perda de peso não deve ocorrer apenas pela diminuição do volume de comida, mas pela melhora da qualidade da dieta, com menor densidade calórica e maior valor nutricional;
  4. Faça o desmame de forma gradual: a interrupção abrupta pode provocar "fome rebote". A redução progressiva da dose favorece melhor adaptação fisiológica e comportamental;
  5. Defina um "peso de alerta": estabeleça um limite de peso para reavaliar a estratégia. Caso o reganho comece, isso facilita a decisão de retomar a medicação ou intensificar mudanças no estilo de vida.

Para o especialista, "o reganho de peso não deve nos paralisar. Deve nos impulsionar a aprimorar estratégias e ampliar o cuidado", conclui.

Por Samara Meni

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