Como a menopausa afeta o coração? Descubra os riscos
Especialistas explicam a relação entre menopausa e saúde cardiovascular e fornecem orientações sobre o que fazer ao suspeitar
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher que exige atenção devido às mudanças hormonais que afetam o sistema cardiovascular, aumentando o risco de doenças cardíacas. Especialistas reforçam a importância da prevenção com hábitos saudáveis, check-ups regulares e acompanhamento médico durante a perimenopausa e após a menopausa.
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo fim do período reprodutivo. Mas também por mudanças importantes no organismo, especialmente no sistema cardiovascular. Estudos recentes, como o publicado em 2025 na JAMA Internal Medicine, mostram que a redução hormonal na pós-menopausa está associada a alterações como piora do colesterol, maior rigidez arterial e aumento do risco de doenças cardíacas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, respondendo por cerca de um terço dos óbitos femininos.
De acordo com Anderson Oliveira, médico e professor da pós-graduação em Cardiologia da Afya Goiânia, a queda do estrogênio, hormônio que protege os vasos sanguíneos, é o principal fator por trás desse aumento de risco. "Com a redução hormonal, cresce a probabilidade de infarto, AVC e insuficiência cardíaca, podendo se igualar ao risco observado nos homens ao longo do tempo", explica.
Menopausa merece atenção
A Renata Maksoud, professora e coordenadora de Endocrinologia da Afya Educação Médica, reforça que a menopausa não é uma doença, mas exige mais atenção. "Há mudanças no colesterol e na distribuição de gordura, o que pode favorecer problemas cardiovasculares", afirma. Ela também destaca que a reposição hormonal não deve ser utilizada com o objetivo principal de proteção cardíaca.
Os especialistas apontam que a perimenopausa, fase de transição, é um momento estratégico para prevenção. Monitorar pressão arterial, glicemia, colesterol e hábitos de vida pode ajudar a identificar riscos precocemente. Os médicos também alertam sobre os sintomas, já que nas mulheres, sinais de problemas cardíacos podem ser menos típicos, incluindo cansaço, falta de ar e mal-estar, muitas vezes ignorados.
Apesar do aumento de risco com a idade, As complicações cardiovasculares não são inevitáveis. Embora o avanço da idade esteja associado a um maior risco de doenças cardiovasculares, isso não significa que elas sejam inevitáveis. Como explica o Leonardo Costa Lopes, médico e professor do curso de Geriatria de Ribeirão Preto, "envelhecer não é sinônimo de adoecer". Afinal, muitas dessas condições podem ser prevenidas ou controladas com acompanhamento adequado.
Na avaliação de mulheres mais velhas, o cuidado vai além dos exames clínicos. Inclui também uma análise mais ampla da rotina, alimentação, mobilidade, uso de medicamentos, saúde mental e contexto social. Para o especialista, a geriatria adota uma abordagem multidimensional, que considera o paciente de forma integral. O que a difere do modelo tradicional, muitas vezes focado apenas em uma queixa específica. Essa visão permite compreender melhor os fatores que influenciam o processo de adoecimento e, assim, personalizar o tratamento.
Orientações para prevenir problemas cardiovasculares na menopausa, segundo especialistas
- Não espere sintomas para realizar check-ups regulares. Ao entrar na menopausa, é fundamental realizar avaliações médicas periódicas (colesterol, pressão arterial, glicemia), já que muitas doenças cardíacas evoluem de forma silenciosa.
- Pratique atividade física regularmente. Exercícios como caminhada, musculação ou bicicleta podem reduzir o risco cardiovascular nessa fase, além de ajudar no controle do peso e da pressão arterial.
- Adote uma dieta com baixo teor de gordura.Dietas como a mediterrânea, rica em frutas, vegetais, azeite de oliva, peixes e grãos integrais, pode ser uma aliada na proteção do coração. O acúmulo de gordura está associado à sobrecarga da atividade cardíaca.
- Abandone o cigarro: O tabagismo após a menopausa é ainda mais prejudicial, pois potencializa o risco de infarto e AVC devido à perda da proteção hormonal.
- Cuide da qualidade do sono. A insônia comum na menopausa pode aumentar os níveis de cortisol e inflamação no organismo, elevando o risco cardiovascular.
- Controle o sódio de forma ativa.Limite o consumo a cerca de 2g de sódio por dia (aproximadamente 5g de sal), reduzindo a ingestão de temperos prontos, ultraprocessados e embutidos. Tal medida é importante diante da queda do estrogênio, ajudando a reduzir a retenção de líquido e inchaços, comuns nessa fase.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.