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Comida para cabelo: como 'alimentar' o crescimento capilar

O termo 'comida para cabelo', muito usado pela indústria de nutracêuticos, promete dar qualidade e nutrição aos fios

28 jul 2023 - 06h00
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Foto: Adobe Stock

Quem experimentou alguma dieta maluca e restritiva já deve ter percebido que, quando a alimentação não está equilibrada, a saúde capilar é extremamente prejudicada. 

“Não dá para esperar que ampolas antiqueda ou um sérum milagroso repare o caos que uma alimentação nutricionalmente pobre provoca nos nossos cabelos. Isso é muito claro em dietas restritivas, principalmente quando a ingestão de proteínas fica aquém do necessário. Um dos principais sintomas físicos de uma alimentação deficitária é a queda de cabelos”, explica a dermatologista Cintia Guedes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 

Por isso, surgiu o conceito de Hair Food: “O termo ‘comida para cabelo’ é muito usado pela indústria de nutracêuticos, prometendo dar qualidade e nutrição aos fios. A grande verdade é que nada substitui uma dieta equilibrada, rica em vitaminas e minerais essenciais para a saúde do cabelo. Somente depois de otimizar a alimentação é que faz sentido o uso suplementos”, destaca Lilian Brasileiro, médica dermatologista especializada em Medicina Capilar, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e coordenadora e palestrante em eventos sobre tratamentos capilares.

Alimentos que devem ser ingeridos

Lilian Brasileiro explica que nutrientes como vitamina A, vitamina D, vitamina E, ferro e zinco são benéficos para o cabelo. “Alimentos como frutas, vegetais, peixes, nozes e sementes também devem ser ingeridos”, acrescenta a médica. 

“Opte por uma dieta saudável e repleta de proteína magra, como as encontradas nos peixes, frango, lentilha e feijão. Proteína é o ingrediente vital para os cabelos”, explica Cintia Guedes. 

Quanto ao consumo de proteínas, a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), ressalta que as proteínas contam com aminoácidos essenciais, ou seja, aqueles que o corpo não consegue produzir. 

“As proteínas das fontes animais têm alto valor biológico, ou seja, contam com os nove aminoácidos essenciais (triptofano, fenilalanina, leucina, valina, isoleucina, lisina, treonina, metionina e histidina). No caso das fontes vegetais, elas precisam ser combinadas para garantir os aminoácidos essenciais”, diz a médica nutróloga. 

Ela conta que o consumo diário de proteínas deve ser individualizado e específico, levando em consideração: a idade da pessoa, o gênero, a atividade física, a profissão, o estado de saúde e os objetivos pessoais. As necessidades diárias podem ir de 0,6 a 2g por quilograma ao dia, ou seja, uma pessoa de 75kg poderá ingerir de 45g a 150g de proteína por dia. 

“Geralmente, quem faz dietas de emagrecimento e pratica musculação deve consumir 2g/kg ao dia. Importante saber que as necessidades aumentam com a prática de exercícios de força, uma vez que o músculo demandará mais proteínas para sua recuperação. Então, para evitar a queda de cabelo, o consumo deverá estar alinhado”, explica a médica. 

Não é fácil, mas é sim possível

Parece fácil, mas não é: 100g de filé de frango grelhado tem 30g de proteínas, um ovo inteiro (com claras e gemas) tem 6g de proteínas. 

“Apesar de não ser fácil, é possível. E quando a dieta não contemplar o valor calculado pelo médico nutrólogo, suplementos de proteína, como whey protein, caseína ou proteína vegana podem ser indicados”, explica a médica nutróloga.

Com relação à construção do fio de cabelo, dois aminoácidos essenciais são mais relevantes: a metionina e a lisina. Por isso, a dieta precisa contar com alimentos fontes desses aminoácidos. 

“Além das proteínas animais, as vegetais como feijão, lentilha, brotos, soja, grão de bico, quinoa, amêndoa, nozes e castanha-do-Pará também devem estar na dieta. A tradicional combinação brasileira de feijão com arroz é eficiente porque garante os dois: o arroz é rico em metionina e deficiente em lisina, enquanto o feijão é rico em lisina e deficiente em metionina. Por isso, evite cortar esses alimentos da dieta”, explica a dermatologista Cintia. 

Além de desnecessário, cortar a tradicional combinação pode favorecer a queda de cabelo.

Não só de proteínas vive a saúde capilar

Alimentos com ação antioxidante também ajudarão a manter os fios mais fortes. 

“A glutationa, por exemplo, é um antioxidante que desempenha um papel fundamental na luta contra efeitos deletérios do estresse oxidativo sobre o folículo do cabelo, além de melhorar a microvascularização”, diz Lilian Brasileiro. 

Entre os alimentos fontes de glutationa, estão: abacate, melancia, morango, tomate, laranja, melão, pêssego e cebola. Vitamina C e E também são antioxidantes importantes.

Outro ponto a ser considerado em dietas de emagrecimento é o consumo de ferro e zinco. “O ferro é o mineral que é mais associado à queda de cabelos, principalmente em mulheres, que têm maior perda desse nutriente por conta do fluxo menstrual. Esse mineral é crucial para a formação do cabelo e para o transporte do oxigênio no sangue, oxigênio esse que chega às raízes capilares favorecendo sua multiplicação e a presença de fios com bom crescimento e espessura”, explica Cintia. 

“O baixo consumo de carnes e vegetais, que são fontes de ferro, em dietas com escolhas equivocadas pode favorecer a queda de cabelo”, diz a médica nutróloga. 

O ferro está presente em muitos alimentos vegetais, no entanto sua absorção é muito menor quando proveniente dessas fontes. O ferro de origem animal é até cinco vezes mais absorvido, já que ele está ligado a proteínas. 

“Outro motivo para a dificuldade de absorção do ferro vegetal, presente no feijão, lentilha, feijão preto e grão de bico, por exemplo, é a presença de antinutrientes como os fitatos, mas deixar esses alimentos de molho entre 8 e 24 horas e o cozimento são estratégias que diminuem a presença de fitatos”. Evitar o consumo de café, chá preto e verde próximo às refeições também otimiza a absorção de ferro. O paciente também pode associar alimentos ricos em Vitamina C, que aumenta a absorção desse mineral”, explica Cintia.

O caso especial do zinco

No caso do zinco, as principais fontes vegetais são: feijão, amendoim, semente de abóbora e grão de bico. “O zinco é um mineral essencial para proteção do folículo capilar e para o crescimento saudável dos fios. Porém, como o corpo não é capaz de estocar o nutriente, é vital que você consuma regularmente alimentos ricos em zinco, também presente em fontes animais, como peixe e ovos”, recomenda a dermatologista. 

Menos conhecido que o zinco, o selênio é um mineral rico em enzimas que ajudam os folículos pilosos a ficarem protegidos contra agressões ambientais, como a poluição e os raios UV, fazendo, consequentemente, com que seus fios cresçam mais fortes e saudáveis, segundo Cintia. “Por isso, aposte em alimentos como ovos, frango, carne bovina e, para os veganos, castanha-do-Pará”, acrescenta.

A biotina, também conhecida como vitamina B7, é um dos micronutrientes que não deve faltar na alimentação, segundo Cintia. “Aumentar a ingestão desta vitamina estimula o endurecimento do cabelo e impede a sua queda. Ela pode ser encontrada no fígado, no peixe e em ovos”, explica.

Segundo Lilian, algumas deficiências nutricionais podem contribuir para a queda de cabelo. “Suplementos orais contendo vitaminas e minerais essenciais, como vitamina D, zinco, ferro e ácido fólico, podem ajudar a melhorar a saúde do cabelo e estimular o crescimento capilar. No entanto, é importante consultar um médico antes de iniciar qualquer suplementação para garantir que você esteja tomando as doses corretas”, diz a médica.

A função do silício

Um dos minerais mais importantes e que necessita de suplementação é o silício. “Encontrado na dieta, o silício nem sempre oferece boa biodisponibilidade devido à ação enzimática que resulta em sílica ou silicato, portanto deve estar estabilizado na forma de ácido ortosilícico para ser absorvido”, explica Marcella. 

Segundo a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos, o silício orgânico deve ser suplementado na forma de Exsynutriment, já que este é estabilizado por outra molécula (colágeno hidrolisado) para que se tenha biodisponibilidade e absorção pelo organismo. 

“A estabilização impede a polimerização, fazendo com que a molécula de silício fique protegida. Dessa forma, a molécula ficará pequena e terá alta biodisponibilidade. Exsynutriment é importante para os cabelos, pois um folículo piloso nutrido com silício e embebido em colágeno irá promover um incremento na produção de queratina fortalecendo os fios, evitando a queda e proporcionando mais resistência e elasticidade”, diz a farmacêutica. 

“Na forma alimentar, recomenda-se a ingestão de 15 a 50 mg de silício por dia. Como suplemento dietético, as doses são bem maiores e devem ser consumidas a partir de indicação médica”, finaliza Marcella.

(*) HOMEWORK inspira transformação no mundo do trabalho, nos negócios, na sociedade. É criação da Compasso, agência de conteúdo e conexão.

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