Caso Alice Ribeiro: entenda como funciona o processo doação de órgãos
Após a perda da jornalista, debate sobre transplantes ganha força; especialista explica critérios da fila única e como se tornar um doador
A morte da jornalista Alice Ribeiro, repórter da Band Minas, comoveu o país nesta sexta-feira (17). Aos 35 anos, ela teve a morte encefálica confirmada após um acidente de trânsito.
Em um gesto de profunda solidariedade, a família autorizou a doação de rins, pâncreas, fígado e córneas.
A decisão pode salvar até dez vidas e traz à tona um debate urgente: o Brasil possui hoje cerca de 66 mil pessoas na fila de transplantes, um dos maiores índices dos últimos 25 anos.
Para o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a informação é a principal ferramenta para desmistificar o tema e reduzir o receio das famílias.
Como funciona a fila única no Brasil?
Uma das maiores dúvidas da população é sobre a transparência do processo. O Dr. Nacif esclarece que a lista é centralizada, auditada e segue critérios rígidos de compatibilidade e urgência.
"A lista da fila do transplante é única, séria e sobretudo criteriosa. Ela relaciona todas as pessoas que precisam de um órgão, sejam oriundas de hospitais públicos ou privados", afirma o cirurgião.
"A ordem de prioridade é definida pela gravidade da doença e pelo histórico do paciente. Por isso, quem está em um quadro mais crítico acaba sendo priorizado", acrescenta.
Doação em vida e doação pós-morte
Existem duas formas de ser um doador, cada uma com suas especificidades:
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Doador falecido: Como no caso de Alice Ribeiro, ocorre após a confirmação da morte encefálica. É essencial que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, pois a palavra final no Brasil é da família.
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Doador vivo: Pode-se doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea. Para isso, o doador precisa gozar de excelente saúde para não comprometer suas próprias funções vitais.
Critérios de avaliação e saúde dos órgãos
O procedimento de transplante é complexo. Antes da retirada, as equipes médicas realizam uma pré-avaliação criteriosa do doador.
"Geralmente, consideramos que o paciente internado por até 7 dias é ideal para a captação. Casos que vão além desse prazo não são necessariamente descartados, mas avaliados caso a caso", explica o Dr. Lucas Nacif.
A cultura da doação
Embora os números de transplantes tenham crescido, o Brasil ainda precisa avançar na educação contínua.
Um único doador falecido tem o potencial de salvar ou melhorar a qualidade de vida de até dez pessoas que aguardam por uma nova chance.
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