Câncer de bexiga: 81% dos idosos desconhecem sintomas e riscos
Levantamento inédito mostra que idosos e homens, os mais afetados, são os que menos reconhecem sintomas e fatores de risco. Especialistas alertam para a importância de investigar sangue na urina, mesmo sem dor.
Uma pesquisa revela que 81% dos idosos desconhecem os sintomas e fatores de risco do câncer de bexiga, apesar de serem o grupo mais vulnerável à doença. O desconhecimento é alarmante, pois o diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso do tratamento. Entre os principais alertas ignorados estão a presença de sangue na urina e o tabagismo como maior fator de risco. Especialistas alertam que a falta de informação atrasa a busca por auxílio médico, comprometendo as chances de cura desses pacientes.
O câncer de bexiga registra cerca de 13.110 novos casos por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar dos números expressivos, uma pesquisa inédita encomendada pela Pfizer e pelo Instituto Oncoguia revela um cenário preocupante: 81% das pessoas com 60 anos ou mais afirmam desconhecer a doença ou apenas ter ouvido falar sobre ela.
O levantamento, realizado pela Ipsos-Ipec com 1.400 internautas das classes ABC, mostra que justamente os públicos com maior risco são os que menos conhecem sintomas e fatores de risco. Entre homens, 57% associam o câncer de bexiga à presença de sangue na urina. Já entre os participantes de 25 a 34 anos, 70% identificam esse sinal de alerta, percentual que cai para 55% no grupo de 60+.
"Como a doença é mais incidente entre o público 60+, percebemos o desafio de engajar e ampliar o conhecimento dessa população", afirma Luciana Zapata, médica oncologista clínica e gerente médica de Oncologia da Pfizer Brasil. Levar informação de qualidade a esse público pode ajudar a reconhecer os sinais de alerta e favorecer o diagnóstico precoce.
Quais são os sintomas do câncer de bexiga?
O principal sintoma do câncer de bexiga é a presença de sangue na urina, chamada hematúria. Esse sinal está presente em cerca de 80% dos casos diagnosticados e pode aparecer mesmo sem dor.
"Sempre que houver sangue na urina, mesmo que apareça apenas uma vez e sem dor, é fundamental procurar avaliação médica", afirma Camilla Gaspari, diretora médica de Oncologia da Pfizer Brasil. Quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as possibilidades de um tratamento adequado e de melhores resultados para o paciente.
Além da hematúria, outros sintomas podem incluir:
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Dor ou ardência ao urinar.
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Aumento da frequência urinária.
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Urgência para urinar.
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Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
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Dor na região inferior do abdômen ou lombar (em casos mais avançados).
É importante buscar avaliação médica mesmo que os sintomas desapareçam. Frequentemente, a hematúria é confundida com condições benignas, como infecção urinária ou cálculo renal, o que adia a procura por ajuda especializada.
Tabagismo é o principal fator de risco, mas é pouco reconhecido
O tabagismo está associado a cerca de metade dos casos de câncer de bexiga. No entanto, somente 37% dos internautas entrevistados sabem que fumar aumenta o risco de desenvolver a doença.
As substâncias cancerígenas presentes na fumaça do cigarro são absorvidas pelo organismo, filtradas pelos rins e eliminadas na urina. Elas permanecem em contato com a parede da bexiga, favorecendo alterações celulares ao longo do tempo. Fumantes têm risco três a quatro vezes maior de desenvolver a doença em comparação a não fumantes.
"O tabagismo é o principal fator de risco, responsável por cerca de 50% dos casos", reforçam especialistas. Parar de fumar é o passo mais eficaz para prevenir o câncer de bexiga. Segundo o Ministério da Saúde, a cessação do tabagismo reduz o risco pela metade depois de poucos anos sem fumar.
Além do cigarro, outros fatores aumentam o risco:
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Histórico familiar da doença (reconhecido por 58% dos entrevistados).
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Infecções urinárias crônicas (57%).
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Exposição ocupacional a substâncias químicas (indústrias de tintas, borracha, couro, têxtil e derivados do petróleo), mencionado por 24% dos participantes.
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Idade avançada (acima de 50-55 anos).
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Sexo masculino (homens representam cerca de 70% dos diagnósticos).
Diagnóstico precoce aumenta chances de sucesso no tratamento
Apesar do baixo conhecimento sobre sintomas e fatores de risco, 88% dos participantes da pesquisa entendem que o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento. O contraste entre a valorização do diagnóstico precoce e o desconhecimento sobre sinais de alerta reforça a necessidade de conscientização.
"O câncer de bexiga costuma apresentar sinais desde as fases iniciais", explica Camilla Gaspari. Por isso, sintomas não devem ser ignorados ou confundidos com condições mais comuns.
Para os respondentes, os principais desafios enfrentados por pessoas com câncer de bexiga são:
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Diagnóstico tardio (43%).
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Demora para iniciar o tratamento (36%).
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Falta de informação sobre os sintomas (34%).
Quando questionados sobre medidas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzir o tempo de espera para consultas e exames e melhorar o acesso ao diagnóstico precoce aparecem entre as prioridades, citados por 46% e 44% dos internautas, respectivamente.
Quando procurar um médico?
Se você notou sangue na urina, mesmo que apenas uma vez e sem dor, procure um urologista. O profissional poderá solicitar exames como urina, ultrassom, tomografia ou cistoscopia para investigar a causa.
"Toda a jornada do câncer de bexiga vem acompanhada também por medos e inseguranças", afirma Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia. Com informação de qualidade e apoio, esse momento pode ser menos dolorido e desafiador. Nenhum sintoma persistente deve ser negligenciado.
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