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Desenvolvimento infantil: quando uma dificuldade é mais do que parece

Desenvolvimento infantil multidisciplinar: entenda por que fala, comportamento e aprendizagem precisam ser avaliados em conjunto.

4 set 2026 - 17h00
(atualizado às 17h01)
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Resumo
O desenvolvimento infantil deve ser avaliado de forma global, pois fala, comportamento e coordenação motora estão interligados. Desafios evidentes podem esconder causas sensoriais, emocionais ou cognitivas. Por isso, especialistas recomendam um olhar integrado entre terapeutas, escola e família, focando não apenas nos déficits ou em múltiplos tratamentos, mas na comunicação multidisciplinar e nas potencialidades da criança, garantindo que os estímulos façam sentido em sua rotina diária.

Uma criança que demora para falar, tem dificuldade para brincar, não consegue acompanhar uma atividade ou precisa de ajuda para tarefas do dia a dia pode estar enfrentando desafios que vão além de uma única área.

Isso porque linguagem, aprendizagem, comportamento, coordenação motora, aspectos sensoriais, autonomia e interação social estão relacionados. Uma dificuldade em uma dessas áreas pode repercutir em outras.

Por isso, quando existe alguma preocupação com o desenvolvimento infantil, olhar apenas para o sintoma mais evidente nem sempre é suficiente.

Entender como a criança se comunica, aprende, brinca e se relaciona pode ajudar a identificar melhor suas necessidades.

"Quando olhamos apenas para uma queixa, podemos perder informações importantes sobre o funcionamento global da criança. Uma dificuldade pode estar relacionada a questões motoras, sensoriais, de atenção, comunicação ou regulação. O trabalho conjunto permite cruzar essas informações e entender melhor o que ela precisa", explica a terapeuta ocupacional Catiuscia Homem.

Falar não é apenas pronunciar palavras

Quando a preocupação está na fala, é comum que os pais prestem atenção principalmente ao número de palavras que a criança consegue dizer.

Mas a comunicação começa antes disso.

Também é importante observar se ela entende o que ouve, consegue se expressar, usa gestos, inicia uma comunicação, responde ao outro e participa das interações.

"Precisamos observar se ela compreende o que é dito, como se expressa, utiliza gestos, inicia uma comunicação, responde ao outro e participa das interações. A linguagem acontece dentro de um contexto e está relacionada ao desenvolvimento global", afirma a fonoaudióloga Paula Anderle.

O Ministério da Saúde orienta que o desenvolvimento infantil seja acompanhado de forma ampla, considerando diferentes habilidades, como linguagem, desenvolvimento motor, aprendizagem e interação social.

Essa visão também vale para as habilidades trabalhadas durante uma terapia. Elas precisam fazer sentido fora do consultório, nas situações que fazem parte da rotina.

"Se estamos trabalhando comunicação, por exemplo, é importante que essa habilidade apareça durante as brincadeiras, em casa e na escola. Quando os profissionais conversam entre si, conseguimos estabelecer objetivos que façam sentido para a rotina da criança", diz Paula.

Antes de corrigir o comportamento, é preciso entendê-lo

Uma criança que não consegue permanecer em uma atividade, se recusa a participar ou tem dificuldade para seguir determinadas orientações pode estar lidando com um problema que não é imediatamente perceptível.

Por isso, interpretar tudo simplesmente como desobediência ou falta de interesse pode esconder o que realmente está acontecendo.

"Ela pode estar apresentando dificuldades de atenção, funções executivas, compreensão da tarefa ou regulação emocional. Antes de rotular o comportamento, precisamos entender o que está por trás dele", explica a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan.

Uma avaliação também pode mostrar habilidades que acabam ficando em segundo plano quando a atenção está concentrada apenas nas dificuldades.

"Não devemos olhar apenas para o que a criança não consegue fazer. É importante entender como ela aprende, quais são seus pontos fortes e quais estratégias funcionam melhor. Essas informações ajudam a construir intervenções mais individualizadas", afirma Thaís.

Desenvolvimento infantil multidisciplinar
Desenvolvimento infantil multidisciplinar
Foto: SaúdeLAB

Desenvolvimento infantil / Magnific

Quando diferentes profissionais trabalham juntos

É nesse contexto que a atuação de diferentes profissionais pode fazer sentido.

Cada área observa aspectos específicos do desenvolvimento. Quando essas informações são compartilhadas, é possível construir uma compreensão mais ampla da criança e estabelecer objetivos que conversem entre si.

Isso não significa, porém, que toda criança precise passar por vários profissionais ou fazer diversas terapias.

A necessidade de acompanhamento deve levar em conta as características de cada criança e os desafios identificados.

"Mais importante do que a quantidade de profissionais é a comunicação entre eles. Uma equipe multidisciplinar não é simplesmente reunir várias terapias, mas compartilhar informações, estabelecer objetivos em comum e trabalhar de forma integrada", afirma Catiuscia.

A família também precisa estar envolvida

Grande parte do desenvolvimento acontece longe dos consultórios.

É em casa, durante as brincadeiras, nas refeições, na escola e nas atividades do cotidiano que a criança coloca em prática aquilo que está aprendendo.

Por isso, os pais e responsáveis não devem ser vistos apenas como acompanhantes das terapias.

"Os profissionais acompanham a criança por determinados períodos, mas a família está presente no cotidiano. Por isso, os pais precisam participar e receber orientações para que as estratégias possam ser utilizadas em situações reais", explica Paula.

A escola também pode fornecer informações importantes. Uma dificuldade percebida em sala de aula pode não aparecer da mesma maneira em casa — e vice-versa.

Reunir essas informações ajuda os profissionais a compreenderem melhor o que acontece em diferentes ambientes.

O desenvolvimento não deve ser visto apenas pelas dificuldades

Quando alguma coisa parece diferente do esperado, é natural que a preocupação dos pais se concentre naquilo que a criança ainda não consegue fazer.

Mas o desenvolvimento envolve também habilidades já adquiridas, interesses e potencialidades.

"Cada profissional tem uma lente diferente, mas nenhuma lente sozinha mostra a criança inteira. Quando esses olhares se complementam, conseguimos compreender não apenas as dificuldades, mas também as potencialidades e construir estratégias mais adequadas para favorecer o desenvolvimento", conclui Thaís.

A mensagem, portanto, não é colocar a criança em várias terapias, mas entender o que ela precisa.

O acompanhamento deve considerar seu desenvolvimento de maneira ampla, além da rotina familiar e dos ambientes em que ela vive.

Se houver preocupação com alguma habilidade ou mudança no comportamento, a orientação é conversar com um profissional de saúde e levar essas dúvidas para avaliação.

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Fonte: SaúdeLAB
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