Brincar é essencial para o desenvolvimento físico e motor das crianças
Correr, saltar, equilibrar-se e tomar decisões são habilidades trabalhadas de maneiras diferentes nas brincadeiras tradicionais da infância
Brincadeiras tradicionais como pega-pega, amarelinha e pular corda são vitais para o desenvolvimento físico, motor e cognitivo infantil, estimulando equilíbrio, ritmo e tomada de decisão. O Ministério da Saúde recomenda 60 minutos diários de atividade física para crianças e jovens, meta que pode ser cumprida sem esportes formais. Ao diversificar as brincadeiras, os pequenos exercitam músculos e ossos de maneira lúdica e natural, necessitando apenas de espaço e recursos simples.
Brincar também é uma forma de colocar o corpo em movimento. No pega-pega, a criança corre, muda de direção e toma decisões rapidamente. Na amarelinha, precisa controlar os movimentos e manter o equilíbrio. Já na corda, o desafio envolve ritmo, coordenação e precisão.
Embora todas essas atividades sejam simples, cada uma propõe desafios diferentes para o corpo. É justamente essa variedade de movimentos que torna as brincadeiras importantes durante a infância.
O Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda que crianças e adolescentes de 6 a 17 anos façam, em média, pelo menos 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a vigorosa.
Esse tempo pode ser distribuído em diferentes momentos e não precisa estar relacionado apenas à prática de esportes.
As brincadeiras também podem fazer parte dessa rotina.
Pega-pega trabalha corrida e tomada de decisão
No pega-pega, correr é apenas uma parte da brincadeira. Enquanto tenta escapar, a criança precisa observar o ambiente, prestar atenção nos colegas e decidir rapidamente para onde ir.
Arrancadas, freadas e mudanças de direção acontecem de acordo com o movimento dos outros participantes. Quem foge tenta antecipar os passos do pegador. Quem pega precisa fazer o mesmo para alcançar alguém.
"Quando olhamos para o pega-pega, percebemos que não é só uma criança correndo. Ela observa onde estão os colegas, decide para onde vai e muda de direção rapidamente. Há uma série de respostas acontecendo enquanto ela simplesmente está brincando", explica Hamilton Henrique Robledo, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
A brincadeira também envolve regras e interação. Definir quem começa, respeitar os limites do espaço e aceitar a troca de papéis são situações que fazem parte da experiência.
Assim, além do movimento, o pega-pega coloca a criança diante de escolhas, estratégias e relações com os outros participantes.
Amarelinha estimula equilíbrio e coordenação
Na amarelinha, a velocidade dá lugar ao controle dos movimentos. A criança precisa saltar entre os espaços desenhados no chão, alternar o apoio dos pés e evitar pisar nas linhas.
Antes mesmo de começar o percurso, existe outro desafio: lançar a pedrinha na casa correta. Para isso, é necessário controlar força e direção.
A brincadeira reúne, portanto, equilíbrio, coordenação motora, precisão e percepção espacial. A sequência de números também aparece naturalmente durante o jogo.
Tudo isso acontece sem que a criança precise transformar a brincadeira em uma atividade de aprendizagem formal.
Corda exige ritmo e coordenação
Pular corda envolve encontrar o momento certo para realizar cada movimento. Quando outra pessoa bate a corda, é preciso observar o ritmo e escolher a hora de entrar.
Depois, braços e pernas precisam trabalhar de maneira coordenada para manter a sequência dos saltos. Nas brincadeiras coletivas, a criança também precisa acompanhar o ritmo dos colegas e esperar pela própria vez.
Por envolver saltos repetidos, a atividade pode contribuir para o tempo de movimento ao longo do dia. O Guia de Atividade Física para a População Brasileira também recomenda que crianças e adolescentes realizem, em pelo menos três dias da semana, atividades que fortaleçam músculos e ossos.
Existe uma brincadeira melhor?
Não é preciso escolher uma única brincadeira. Pega-pega, amarelinha, corda, bola e esconde-esconde apresentam desafios diferentes e podem se complementar.
"Não precisamos transformar o brincar em treinamento. Quando há variedade, a criança corre, salta, tenta se equilibrar, calcula movimentos, reage ao outro e aprende a participar de uma atividade com regras. Tudo isso acontece sem que ela esteja pensando que precisa desenvolver determinada habilidade", afirma Robledo.
A variedade também permite que a criança experimente diferentes formas de movimentar o corpo. Em um momento, ela pode correr. Em outro, saltar, equilibrar-se ou lançar um objeto.
As brincadeiras mudam conforme a idade
As atividades podem acompanhar o desenvolvimento da criança. Entre 2 e 3 anos, bolas, blocos, bonecas e carrinhos estão entre as possibilidades. Dos 3 aos 4 anos, brincadeiras em grupo começam a ganhar mais complexidade e as crianças já conseguem seguir regras simples.
Entre 5 e 6 anos, podem aparecer jogos mais estruturados, com equipes, regras e situações que exigem planejamento e cooperação.
Isso não significa que exista uma idade rígida para cada brincadeira. O importante é considerar as habilidades e os interesses de cada criança.
Brincar não precisa de brinquedos sofisticados
Muitas brincadeiras tradicionais precisam apenas de espaço e materiais simples. Uma corda, uma bola ou alguns pedaços de giz podem ser suficientes para criar diferentes possibilidades de movimento.
Na prática, correr, pular, esconder-se e equilibrar-se podem fazer parte da rotina de maneira espontânea.
Para a criança, pode ser apenas uma brincadeira. Para o corpo, são oportunidades de experimentar movimentos, fazer escolhas, desenvolver habilidades e interagir com outras pessoas.
Por isso, mais do que procurar uma atividade perfeita, vale oferecer variedade e espaço para brincar. Afinal, quando a criança quer continuar brincando, o movimento acontece de forma natural.
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