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7 mudanças no corpo que merecem atenção após os 40 anos

Alterações que parecem naturais do envelhecimento podem precisar de investigação médica

11 ago 2026 - 14h31
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Completar 40 anos não significa que o organismo necessariamente começará a apresentar problemas, mas essa fase marca um período importante para rever hábitos e realizar exames e cuidados preventivos. Algumas alterações podem ser esperadas com o passar do tempo, enquanto outras merecem investigação para evitar que doenças silenciosas ou progressivas sejam descobertas apenas em estágios mais avançados.

Algumas alterações são esperadas com o passar do tempo, enquanto outras podem exigir investigação médica
Algumas alterações são esperadas com o passar do tempo, enquanto outras podem exigir investigação médica
Foto: SeventyFour | Shutterstock / Portal EdiCase

A partir dessa idade, questões hormonais, metabólicas, articulares, renais e reprodutivas podem ganhar novos contornos. Ao mesmo tempo, sintomas aparentemente simples, como uma ferida que não cicatriza, alterações urinárias ou dores persistentes, não devem ser automaticamente atribuídos ao envelhecimento.

A seguir, especialistas de diferentes áreas explicam sete sinais que merecem atenção.

1. Feridas na boca ou alterações persistentes na garganta

Alterações na boca e na garganta podem ser facilmente confundidas com problemas passageiros, principalmente quando não provocam dor intensa. No entanto, lesões que permanecem por semanas, mudanças na voz, dificuldade para engolir ou aparecimento de caroços no pescoço precisam ser avaliados. O câncer de boca e orofaringe também passou por uma mudança em seu perfil.

A cirurgiã de cabeça e pescoço Dra. Débora Vianna, PhD pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e membro da American Head and Neck Society (AHNS), explica que o câncer de boca e garganta não deve mais ser associado exclusivamente ao tabagismo. A presença do HPV também modificou o perfil dos pacientes e reforça a importância da prevenção.

"Uma lesão na boca que permanece por mais de duas semanas precisa ser investigada. Muitas pessoas esperam acreditando que uma ferida vai desaparecer sozinha, mas a avaliação precoce é fundamental para diferenciar uma alteração benigna de uma possível lesão suspeita", alerta.

A especialista também reforça que a prevenção passa pela vacinação contra o HPV e pelo acompanhamento regular da saúde bucal.

2. Sintomas do início do climatério

Para as mulheres, os 40 anos podem coincidir com o início do climatério, período marcado por mudanças hormonais que podem surgir antes da menopausa propriamente dita. Ondas de calor, alterações no sono, redução da libido, mudanças no humor, ganho de gordura abdominal e perda de massa muscular são alguns dos sinais que podem aparecer nessa fase.

O ginecologista Dr. Rafael Lazarotto, que atua principalmente com menopausa, emagrecimento feminino e lipedema, ressalta que não existe uma experiência única de transição hormonal. Por isso, sintomas persistentes devem ser avaliados individualmente, principalmente quando começam a interferir na rotina.

"Hoje sabemos que não existe uma menopausa igual para todas. Algumas apresentam sintomas intensos, enquanto outras quase não percebem essa transição. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e baseado na história clínica, nos fatores de risco e nos objetivos de cada paciente", afirma.

A avaliação médica permite diferenciar as manifestações esperadas do climatério de outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes. Para o especialista, a prevenção também deve envolver alimentação adequada, atividade física, sono de qualidade e estratégias para preservar a massa muscular ao longo do envelhecimento.

3. Dor, rigidez ou perda de mobilidade nas articulações

Dores nos joelhos, nos quadris, nas mãos, nos ombros e na coluna também podem se tornar mais frequentes com o passar dos anos. O problema é quando o desconforto começa a limitar atividades cotidianas ou vem acompanhado de rigidez prolongada, inchaço ou dificuldade para movimentar determinada articulação.

O ortopedista Dr. Igor Fiorese Vieira explica que nem toda dor articular significa artrose. Existem diferentes doenças que podem atingir as articulações, e cada uma possui mecanismos e tratamentos próprios. Identificar corretamente a origem do problema é fundamental para evitar que uma condição tratável seja negligenciada.

"Muitas pessoas chegam ao consultório dizendo que têm artrose quando, na verdade, apresentam outro tipo de alteração articular. A artrose é apenas uma das doenças que podem causar dor. Existem artrites e outras artropatias com mecanismos diferentes, que exigem investigações e tratamentos específicos. O diagnóstico correto faz toda a diferença para definir a melhor conduta", explica.

Segundo o especialista, sinais como inchaço persistente, aumento da temperatura da articulação ou rigidez intensa por mais de uma hora ao acordar merecem avaliação médica. Manter atividade física adequada, fortalecer a musculatura e evitar longos períodos de imobilidade também são estratégias importantes para preservar a mobilidade.

4. Dificuldade para engravidar

Aos 40 anos, a fertilidade feminina passa a exigir atenção especial, principalmente quando existe histórico de endometriose ou outras condições ginecológicas. A idade interfere na reserva e na qualidade dos óvulos, enquanto doenças como a endometriose podem comprometer o potencial reprodutivo de algumas pacientes.

A ginecologista e especialista em reprodução humana Dra. Rosaly Bustelo Saab explica que mulheres com endometriose não necessariamente terão infertilidade, mas o planejamento reprodutivo pode ser decisivo para definir as melhores estratégias. A avaliação também é importante para quem pretende postergar a maternidade.

"Muitas pacientes acreditam que, por terem ciclos menstruais regulares ou sintomas leves, não terão impacto sobre a fertilidade. Isso nem sempre é verdade. Quando existe desejo de ter filhos, é importante realizar uma avaliação especializada para entender como a doença pode afetar o potencial reprodutivo e definir a melhor estratégia para cada momento da vida", afirma.

A especialista ressalta que a conduta depende de fatores como idade, reserva ovariana, localização das lesões e planos reprodutivos. Em alguns casos, pode ser indicado apenas acompanhamento, enquanto outras pacientes podem se beneficiar de estratégias de preservação ou técnicas de reprodução assistida.

Ter parentes próximos diagnosticados com determinados tipos de tumores pode indicar a necessidade de uma investigação mais específica
Ter parentes próximos diagnosticados com determinados tipos de tumores pode indicar a necessidade de uma investigação mais específica
Foto: PeopleImages.com – Yuri A | Shutterstock / Portal EdiCase

5. Histórico familiar importante de câncer

Depois dos 40 anos, o histórico familiar passa a ser uma informação especialmente relevante para a avaliação individual do risco de câncer. Ter parentes próximos diagnosticados com determinados tipos de tumores, especialmente em idades mais jovens ou em vários membros da mesma família, pode indicar a necessidade de uma investigação mais específica.

A oncologista e especialista em oncogenética Dra. Roberta Galvão explica que os avanços da medicina de precisão permitem identificar alterações hereditárias associadas a uma maior predisposição para determinados tipos de câncer. A informação pode ajudar a definir estratégias individualizadas de prevenção e rastreamento.

"Os testes genéticos possibilitam identificar mutações que aumentam a predisposição ao câncer, permitindo a adoção de estratégias personalizadas de prevenção, rastreamento e acompanhamento médico", explica.

A especialista ressalta, porém, que a presença de uma alteração genética não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer. A genética deve ser interpretada dentro de um contexto clínico, considerando histórico familiar, fatores de risco e acompanhamento profissional adequado.

6. Pressão alta, diabetes ou outros fatores que ameaçam os rins

Os rins podem perder parte de sua função sem provocar sintomas evidentes. É justamente por isso que, depois dos 40 anos, o acompanhamento de fatores como pressão alta e diabetes ganha importância. A doença renal crônica costuma evoluir silenciosamente e pode ser identificada por exames simples antes que surjam complicações mais graves.

A nefrologista Dra. Renata Asnis alerta que muitas pessoas só descobrem alterações renais quando a função dos órgãos já está significativamente comprometida. O acompanhamento preventivo é especialmente importante para quem apresenta fatores de risco.

"Os rins possuem uma grande capacidade de adaptação. Uma pessoa pode perder parte da função renal e continuar levando uma vida aparentemente normal, sem dor ou sintomas específicos. Quando os sinais aparecem, muitas vezes a doença já está em uma fase mais avançada", explica.

Segundo a médica, a creatinina no sangue e o exame de urina podem ajudar a identificar alterações precocemente. Controle da pressão arterial, atenção ao diabetes, prática de atividade física, redução do consumo de sal e evitar a automedicação também fazem parte dos cuidados para preservar a função renal.

7. Alterações na saúde íntima

Alterações na saúde íntima também podem aparecer durante a transição hormonal e não devem ser encaradas simplesmente como uma consequência inevitável da idade. Ressecamento, ardência, irritação e dor durante as relações podem estar relacionados à redução dos níveis de estrogênio, especialmente durante o climatério e a menopausa, mas também podem ocorrer em outras situações.

A ginecologista e obstetra Dra. Carolina Orlandi explica que a saúde da mucosa vaginal depende de fatores hormonais e de uma boa hidratação dos tecidos. Quando os sintomas são persistentes, a avaliação médica pode identificar a causa e indicar as opções de tratamento mais adequadas.

"Muitas mulheres acreditam que sentir dor durante a relação sexual ou desconforto íntimo faz parte da idade ou do pós-parto, mas isso não é normal. São sinais de que a saúde da mucosa vaginal merece atenção e pode ser tratada de maneira eficaz", afirma.

A médica ressalta que mulheres mais jovens também podem apresentar ressecamento íntimo, inclusive durante a amamentação, após determinados tratamentos ou em decorrência de alterações hormonais. Por isso, o desconforto não deve ser normalizado nem tratado por conta própria.

Por Sarah Carvalho

Portal EdiCase
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