2,4 milhões de pessoas com autismo: veja como apoiar filhos em cada fase
No Brasil, o autismo atinge milhões de brasileiros; médico explica quais cuidados são necessários e como auxiliar alguém com esse diagnóstico
O autismo é uma realidade presente em milhões de lares brasileiros.
Segundo dados do IBGE, a maior concentração de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) está na primeira infância, entre 0 e 4 anos.
Nessa faixa etária, cerca de 2,1% das crianças fazem parte do espectro.
Receber o diagnóstico gera dúvidas e inseguranças nos pais. No entanto, o apoio correto transforma a trajetória do autista.
"Ter um filho com autismo requer o desenvolvimento de habilidades específicas", afirma Tonny Luccas, profissional da área de neurologia no AmorSaúde. O segredo está na intervenção precoce e no suporte contínuo.
Sinais de alerta na infância
Um diagnóstico seguro costuma ser feito a partir dos 18 meses. Os pais devem ficar atentos a sinais sutis, como:
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Dificuldade de interação social.
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Ausência de olhar sustentado (manter contato visual por pelo menos 5 segundos).
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Atraso no desenvolvimento em comparação com outras crianças da mesma idade.
Ao notar esses sinais, o primeiro passo é buscar um neuropediatra e um fonoaudiólogo. O neurologista fecha o diagnóstico, enquanto o fonoaudiólogo auxilia na evolução da fala.
Entenda os graus de suporte
O neurologista definirá o "grau de suporte" da criança. Esse nível dita quanto auxílio ela precisará ao longo da vida:
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Grau 1: Necessita de menos apoio. O foco dos pais deve ser a interação social e a flexibilização mental (ajudar a lidar com novas regras).
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Grau 2: Exige suporte moderado. Envolve cuidados com comunicação verbal, não verbal e rigidez comportamental. Terapias ocupacionais são fundamentais aqui.
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Grau 3: É o nível mais severo. Requer suporte intensivo e constante para atividades diárias e comunicação. Muitas vezes, gera dependência por toda a vida.
O papel da escola e da família
Crianças de grau 1 e 2 podem alcançar grande independência escolar. Para isso, a tríade família, escola preparada e identificação precoce deve funcionar em harmonia. Adaptações pedagógicas previstas em lei são direitos que garantem o aprendizado e a inclusão.
Como apoiar o autista na vida adulta
O suporte não termina na infância. Na fase adulta, o acompanhamento multidisciplinar é o que garante a qualidade de vida. Conheça os profissionais essenciais:
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Fonoaudiólogo: Melhora a interação social. No grau 3, ajuda até em funções vitais, como mastigação e deglutição.
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Psicólogo: Fundamental para a autonomia e para lidar com as barreiras sociais e emocionais.
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Terapeuta ocupacional: Treina o adulto para tarefas práticas, como higiene pessoal, cuidados domésticos e rotina profissional.
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Neurologista: Deve acompanhar o paciente por toda a vida. Ele monitora condições associadas, como ansiedade, distúrbios do sono e epilepsia.
Dicas para os pais:
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Reduza estímulos: Ambientes com muito barulho ou luzes intensas podem causar crises sensoriais.
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Mantenha a rotina: Autistas sentem-se seguros com previsibilidade.
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Cuide de você: O acompanhamento psicológico para os pais é vital para evitar o esgotamento.
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Administração medicamentosa: Siga rigorosamente as prescrições médicas para controlar comorbidades.
Apoio que gera autonomia
O autismo não é uma barreira intransponível, mas uma forma diferente de processar o mundo.
Com o suporte adequado em cada etapa, desde a descoberta até a maturidade, o indivíduo com TEA pode desenvolver suas potencialidades e viver com dignidade.
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