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Novo tratamento com pembrolizumabe pode manter pacientes com câncer colorretal livres da doença por anos

A imunoterapia ganhou espaço no tratamento do câncer colorretal como uma alternativa que não ataca apenas o tumor, mas também estimula o próprio organismo a reconhecer e combater as células doentes. Saiba como age o pembrolizumabe.

18 mai 2026 - 19h00
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A imunoterapia ganhou espaço no tratamento do câncer colorretal como uma alternativa que não ataca apenas o tumor, mas também estimula o próprio organismo a reconhecer e combater as células doentes. Afinal, em vez de agir diretamente sobre o câncer, como fazem a quimioterapia e a radioterapia, essa abordagem busca "reacordar" o sistema de defesa do corpo. Portanto, o objetivo é que ele volte a identificar as células cancerígenas como um problema e passe a atacá-las com mais intensidade.

No câncer de intestino, especialmente em alguns tipos com alterações genéticas específicas, essa estratégia mostrou resultados promissores. Estudos recentes indicam que, quando bem indicada, a imunoterapia pode reduzir o tamanho do tumor, diminuir o risco de recidiva e, em alguns casos, permitir cirurgias menos agressivas. Dentro desse cenário, o medicamento pembrolizumabe se tornou um dos principais representantes desse tipo de tratamento.

O sistema imunológico funciona como uma rede de vigilância que procura elementos estranhos ou alterados, como vírus, bactérias e células defeituosas – depositphotos.com / katerynakon
O sistema imunológico funciona como uma rede de vigilância que procura elementos estranhos ou alterados, como vírus, bactérias e células defeituosas – depositphotos.com / katerynakon
Foto: Giro 10

Como o sistema imunológico enxerga as células do câncer colorretal?

O sistema imunológico funciona como uma rede de vigilância que procura elementos estranhos ou alterados, como vírus, bactérias e células defeituosas. Em condições normais, células que começam a se comportar de forma anormal podem ser identificadas e destruídas. As células do câncer colorretal, porém, desenvolvem mecanismos para "enganar" essa vigilância. Muitas delas conseguem se disfarçar de células normais ou enviar sinais que reduzem a resposta de defesa.

Uma das formas de "camuflagem" acontece por meio de moléculas de controle, conhecidas como pontos de checagem imunológica. Eles funcionam como freios naturais do sistema imunológico, evitando reações exageradas. O problema é que o tumor se aproveita desses freios para impedir que as células de defesa ataquem com força total. O resultado é um sistema imunológico presente, mas bloqueado, incapaz de reagir de forma eficaz contra o câncer de intestino.

Imunoterapia no câncer colorretal: como o pembrolizumabe atua?

A palavra-chave nesse contexto é imunoterapia no câncer colorretal. O pembrolizumabe é um tipo de imunoterapia chamado de inibidor de ponto de checagem. Ele se liga a uma proteína conhecida como PD-1, presente nas células de defesa, e impede que o tumor use esse mecanismo para "frear" o sistema imunológico. Na prática, o medicamento retira um bloqueio que estava impedindo a ação das células de defesa.

Ao desbloquear esse freio, o pembrolizumabe permite que o sistema imunológico volte a reconhecer o tumor como algo que precisa ser combatido. Isso pode levar a:

  • Redução do tamanho do tumor, quando o sistema de defesa passa a destruir parte das células cancerígenas;
  • Controle do crescimento, retardando a progressão da doença;
  • Diminuição do risco de retorno, ao eliminar focos microscópicos de tumor que ainda não são visíveis em exames.

Em alguns pacientes com câncer colorretal avançado ou com características genéticas específicas, esse tipo de tratamento já é usado de forma rotineira. Nos últimos anos, porém, tem crescido o interesse pelo uso do pembrolizumabe antes da cirurgia, em um momento em que o tumor ainda está localizado.

Por que usar pembrolizumabe antes da cirurgia pode aumentar as chances de cura?

O uso do pembrolizumabe antes da cirurgia é chamado de tratamento neoadjuvante. A ideia é tratar o câncer colorretal enquanto o tumor ainda está no organismo, com circulação sanguínea preservada, permitindo maior contato entre o sistema imunológico e o próprio tumor. Isso cria uma espécie de "treinamento" para as células de defesa.

Alguns possíveis benefícios dessa estratégia incluem:

  1. Maior exposição do sistema imunológico ao tumor: com o câncer ainda presente, as células de defesa têm mais contato com as proteínas tumorais, aprendendo a reconhecê-las com mais precisão.
  2. Redução do tumor antes da cirurgia: em certos casos, o tamanho do tumor diminui, facilitando o procedimento cirúrgico e, às vezes, preservando mais tecido saudável.
  3. Ataque a células invisíveis: o sistema imunológico treinado pode circular pelo corpo e eliminar células cancerígenas que tenham escapado do tumor principal.

Na prática, isso pode significar maior chance de retirada completa da doença e menor probabilidade de reaparecimento no futuro. Em alguns estudos com tumores de reto e de cólon com alterações específicas, pacientes tratados com imunoterapia antes da operação apresentaram resposta tão intensa que, em parte deles, quase não se encontraram células tumorais viáveis na peça cirúrgica.

O uso do pembrolizumabe antes da cirurgia é chamado de tratamento neoadjuvante. A ideia é tratar o câncer colorretal enquanto o tumor ainda está no organismo, com circulação sanguínea preservada, permitindo maior contato entre o sistema imunológico e o próprio tumor. Isso cria uma espécie de “treinamento” para as células de defesa – depositphotos.com / AnatomyInsider
O uso do pembrolizumabe antes da cirurgia é chamado de tratamento neoadjuvante. A ideia é tratar o câncer colorretal enquanto o tumor ainda está no organismo, com circulação sanguínea preservada, permitindo maior contato entre o sistema imunológico e o próprio tumor. Isso cria uma espécie de “treinamento” para as células de defesa – depositphotos.com / AnatomyInsider
Foto: Giro 10

Por que a imunoterapia funciona melhor em alguns pacientes do que em outros?

Nem todo câncer colorretal responde da mesma forma à imunoterapia. Um dos fatores mais importantes é o perfil genético do tumor. Tumores com instabilidade de microssatélites (MSI-alta) ou deficiência em reparo de DNA (dMMR) costumam acumular mais alterações genéticas. Esse acúmulo faz com que produzam proteínas diferentes das células normais, o que facilita o reconhecimento pelo sistema imunológico.

Em contraste, tumores chamados de microssatélites estáveis tendem a ter menos alterações visíveis para o sistema de defesa. Nessas situações, mesmo com o uso de pembrolizumabe, o organismo pode não conseguir identificar tantas diferenças entre a célula normal e a célula tumoral, reduzindo o impacto da terapia. Além disso, o próprio ambiente ao redor do tumor pode ser mais ou menos hostil às células de defesa, influenciando diretamente a eficácia do tratamento.

  • Características genéticas do tumor influenciam a resposta;
  • A quantidade de "sinais estranhos" produzidos pelas células cancerígenas varia;
  • O microambiente tumoral pode favorecer ou dificultar a presença de células de defesa ativas.

Por isso, a indicação de imunoterapia com pembrolizumabe no câncer colorretal costuma depender de exames específicos do tumor. A escolha do tratamento neoadjuvante é feita de forma individualizada, levando em conta estágio da doença, localização, perfil genético e condições clínicas do paciente. Essa combinação de fatores ajuda a entender por que alguns respondem com grande redução tumoral, enquanto outros apresentam resposta mais discreta. A tendência, nos próximos anos, é que essa abordagem fique cada vez mais personalizada, com uso crescente de imunoterapia em situações em que o benefício esteja melhor demonstrado.

Giro 10
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