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1 em cada 5 crianças e adolescentes em idade escolar tem obesidade ou sobrepeso, diz estudo global

Excesso de peso favorece o surgimento de problemas cardiovasculares, colesterol alto, hiperglicemia e gordura no fígado mesmo entre os mais novos

4 mar 2026 - 09h07
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No ritmo atual, a meta global de interromper o aumento da obesidade infantil não será alcançada, alerta a Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation ou WOF, na sigla em inglês).

Apesar de o prazo para alcançar a meta ter sido estendido de 2025 para 2030, a maioria dos países segue fora do rumo, já que uma em cada cinco crianças e adolescentes em idade escolar (de 5 a 19 anos) vive com sobrepeso ou obesidade — um aumento de 14,6% em relação a 2010.

A previsão é de que, até 2040, 507 milhões de crianças e adolescentes viverão com sobrepeso ou obesidade, segundo o World Obesity Atlas 2026, divulgado pela WOF nesta quarta-feira, 4, Dia Mundial da Obesidade.

Riscos mesmo para os mais novos

A obesidade e o sobrepeso na infância levam a condições semelhantes às observadas em adultos, incluindo hipertensão, doença cardiovascular, colesterol alto, hiperglicemia e doença hepática esteatótica (gordura no fígado).

  • Estima-se que, até 2040, 57,6 milhões de crianças e adolescentes apresentarão sinais precoces de doença cardiovascular, e 43,2 milhões apresentarão sinais de hipertensão.

Apenas no Brasil, são quase 17 milhões de crianças e adolescentes com obesidade ou sobrepeso, sendo 6,6 milhões entre 5 e 9 anos e 9,9 milhões dos 10 aos 19 anos.

Segundo o Atlas, as projeções de aumento de doenças associadas ao excesso de peso no País variam entre 11 e 16% em 15 anos, caso a tendência atual seja mantida:

  • Em 2025, 1,4 milhão de jovens apresentavam hipertensão atribuída ao excesso de peso. Para 2040, a estimativa é de 1,6 milhão.
  • No caso da hiperglicemia atribuída ao IMC elevado, o cálculo para 2025 era de 572 mil crianças e adolescentes afetados, com projeção de aumento para 635 mil em 2040.
  • Aproximadamente 1,8 milhão de jovens apresentavam triglicerídeos elevados associados ao sobrepeso ou obesidade em 2025, número que pode subir para 2,1 milhões até 2040.
  • Já a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), também relacionada ao excesso de peso, apresenta números ainda mais expressivos: 4 milhões de casos estimados em 2025, contra 4,6 milhões em 2040.

Políticas públicas insuficientes

O atlas mostra ainda como as ações para enfrentar a obesidade infantil permanecem inadequadas em todo o mundo, com muitos países aquém do conjunto de políticas necessárias para prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo.

São necessárias medidas firmes para reverter as tendências atuais, afirma a WOF, incluindo:

  • impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar;
  • restrições ao marketing direcionado a crianças (incluindo em plataformas digitais);
  • implementação das recomendações globais de atividade física para crianças;
  • integração da prevenção e do cuidado aos sistemas de atenção primária.

"O aumento da obesidade infantil em todo o mundo mostra que falhamos em levar a sério uma doença que afeta uma em cada cinco crianças. Os governos precisam, com urgência, intensificar os esforços de prevenção e manejo para crianças e adolescentes que vivem com sobrepeso e obesidade, e garantir que recebam o cuidado de que precisam", afirma a diretora-executiva da entidade internacional, Johanna Ralston, em comunicado.

Sobre as políticas públicas, ela enfatiza que impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar e limites à publicidade de alimentos não saudáveis para crianças são estratégias que funcionam, juntamente com maior acesso à atividade física e com o monitoramento iniciado na atenção primária.

"Não há motivo para hesitar em colocá-las em prática: não é correto condenar uma geração à obesidade e às doenças crônicas não transmissíveis — potencialmente fatais — que muitas vezes a acompanham", avalia.

Especificamente sobre o cenário nacional, Bruno Halpern, presidente eleito da WOF para o biênio 2027-2028, afirma que o atlas reconhece que o Brasil teve avanços importantes, como a alimentação escolar. O consumo de ultraprocessados aqui ainda é menor do que em países como Estados Unidos e Inglaterra, mas vem crescendo, o que reforça a necessidade das estratégias indicadas pela federação.

"Se metade das crianças estiver com excesso de peso em poucos anos, isso não é problema dos outros. Mesmo que não seja o seu filho, pode ser o filho de alguém muito próximo. É um tema que diz respeito ao mundo todo. Então, no Brasil, são 214 milhões de razões para agir", completa o médico brasileiro.

Não é um problema de país rico

De forma geral, as ações para reduzir a exposição das crianças a fatores de risco para obesidade continuam inadequadas em países das mais variadas rendas, aponta o atlas. Embora a doença tenha sido anteriormente associada a nações mais ricas, o aumento de sua prevalência agora está ocorrendo mais rapidamente em países de baixa e média renda.

"Nos países de baixa e média renda, vemos um cenário que está se invertendo. Ainda vemos a desnutrição, mas uma das razões do crescimento do sobrepeso e da obesidade nesses locais é a transformação do ambiente alimentar. A base da dieta vem migrando para alimentos baratos, ultraprocessados e pobres em nutrientes, que se tornam cada vez mais disponíveis. Isso atinge com mais força as crianças e as populações de menor nível socioeconômico dentro desses países", afirma Halpern. "E o Brasil não é exceção."

Estadão
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