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Como Identificar e Prevenir a Miopia Infantil

Especialista explica por que muitas crianças não percebem alterações na visão e como hábitos do dia a dia favorecem o avanço da miopia

7 ago 2026 - 13h07
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Resumo
Muitas crianças enfrentam problemas de visão sem perceber, o que pode prejudicar o aprendizado e o desenvolvimento. Especialistas alertam para o aumento de casos de miopia infantil, associado ao uso excessivo de telas e poucas atividades ao ar livre. Consultas oftalmológicas regulares e hábitos saudáveis são essenciais para prevenção e diagnóstico precoce. 👀📚

Muitas crianças podem estar convivendo com problemas de visão sem sequer perceber. Diferentemente dos adultos, que costumam notar rapidamente quando a visão piora, os pequenos nem sempre conseguem identificar que algo está errado, já que nunca tiveram uma referência do que significa enxergar bem.

Alterações na visão infantil podem passar despercebidas por anos sem avaliação oftalmológica
Alterações na visão infantil podem passar despercebidas por anos sem avaliação oftalmológica
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Essa realidade preocupa especialistas, principalmente diante do crescimento dos casos de miopia infantil. Além de prejudicar o aprendizado e a concentração, o problema pode passar despercebido durante anos se não houver acompanhamento oftalmológico.

Segundo projeções do Brien Holden Vision Institute, publicadas na revista Ophthalmology, até 2050 cerca de metade da população mundial poderá ser míope. Entre os fatores associados a esse avanço estão o aumento do tempo diante das telas e a diminuição das atividades ao ar livre.

"O erro mais comum é esperar que a criança diga que está enxergando mal. Muitas simplesmente não percebem porque nunca experimentaram uma visão diferente. Para elas, aquela forma de enxergar sempre foi a normal", explica a oftalmologista Dra. Alléxya Affonso, especialista em Retina Clínica, Uveítes e Oncologia Ocular.

Quais sinais podem indicar problemas de visão nas crianças?

Embora muitas crianças não apresentem sintomas evidentes, alguns comportamentos podem servir de alerta para pais e professores. Entre eles estão:

  • Apertar os olhos para enxergar;
  • Aproximar demais o rosto de livros, cadernos, celulares ou da televisão;
  • Reclamar de dores de cabeça frequentes;
  • Demonstrar dificuldade para copiar o conteúdo da lousa;
  • Apresentar queda no rendimento escolar;
  • Perder o interesse pelas atividades em sala de aula.

Mesmo assim, a ausência desses sinais não garante que a visão esteja normal.

Segundo a especialista, é comum atender crianças com graus elevados de miopia que nunca haviam reclamado da visão. Em muitos casos, quem percebe os primeiros indícios são os professores, ao notar dificuldades de aprendizagem ou mudanças no comportamento durante as aulas.

A experiência da médica em projetos de triagem visual em escolas reforça esse cenário. Ela afirma que muitas crianças nunca passaram por uma consulta com o oftalmologista e que diversas famílias desconheciam completamente a existência de alterações visuais.

"Como a criança acredita que todas as pessoas enxergam da mesma forma que ela, dificilmente vai dizer espontaneamente que está vendo embaçado. Por isso, esperar uma reclamação nem sempre é a melhor estratégia", destaca.

Como prevenir a miopia infantil?

Embora nem todos os casos possam ser evitados, alguns hábitos ajudam a proteger a saúde ocular durante a infância. A oftalmologista recomenda limitar o tempo de exposição às telas conforme a idade da criança e incentivar, sempre que possível, pelo menos duas horas diárias de atividades ao ar livre.

Também é importante estimular pausas durante o uso de celulares, tablets e computadores, além de manter consultas oftalmológicas periódicas, mesmo quando a criança não apresenta qualquer sintoma.

"O exame oftalmológico continua sendo a única forma de identificar precocemente alterações na visão. Quanto mais cedo conseguimos fazer o diagnóstico, maiores são as chances de evitar impactos no aprendizado, no desenvolvimento e na qualidade de vida da criança", conclui a Dra. Alléxya Affonso.

Saúde em Dia
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