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Sardinha virou queridinha do skincare: entenda o que o alimento faz pela pele

Rica em ômega-3, vitaminas e minerais, a sardinha ganhou as redes sociais e passou a chamar atenção por sua relação com a saúde e a aparência da pele

23 set 2026 - 12h08
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Resumo
A sardinha virou tendência de beleza nas redes sociais devido ao seu alto valor nutricional. Rica em ômega-3, proteínas, cálcio e vitaminas D e B12, ela favorece a saúde da pele, cabelos e cérebro, com baixo teor de mercúrio e custo acessível. Embora seu consumo seja benéfico em versões frescas ou em azeite — com cautela ao sódio dos enlatados —, especialistas alertam que a nova onda de cosméticos à base do peixe exige cautela e evidências científicas antes de substituir cuidados básicos.

Se antes salmão, abacate e frutas vermelhas apareciam com frequência quando o assunto era alimentação aliada à beleza, um peixe bem mais simples está roubando a cena. A sardinha ganhou espaço nas redes sociais e passou a ser associada à busca por uma pele mais viçosa e luminosa.

Sardinha viraliza como aliada da pele e ganha espaço no universo da beleza; entenda seus benefícios e os cuidados com a tendência
Sardinha viraliza como aliada da pele e ganha espaço no universo da beleza; entenda seus benefícios e os cuidados com a tendência
Foto: Reprodução: eduardolopezcoronadophoto / Bons Fluidos

A fama não surgiu por acaso. Pequena, acessível e bastante nutritiva, a sardinha concentra proteínas, vitamina D, vitamina B12, ômega-3 e minerais como cálcio, selênio, ferro, iodo e potássio. A combinação despertou a atenção de quem procura cuidar da aparência também por meio da alimentação.

O movimento ganhou ainda mais força depois que nomes conhecidos passaram a falar sobre o hábito. A modelo Anok Yai, por exemplo, contou que consome uma lata de sardinha todas as noites como parte de sua rotina para manter a pele uniforme e radiante. Alex Consani também aderiu à ideia depois de ser influenciada pela colega e afirmou ter percebido um "brilho a mais" em poucos dias.

Nas redes sociais, enquanto isso, vídeos mostrando os chamados "glow fasts" com sardinha ajudaram a transformar um alimento que durante muito tempo ficou em segundo plano em uma nova obsessão ligada ao universo da beleza.

Afinal, sardinha faz bem para a pele?

A resposta passa principalmente pela composição nutricional do alimento. A sardinha é uma importante fonte de ômega-3, tipo de gordura associado a diferentes funções do organismo e que também participa da manutenção da saúde da pele.

"As sardinhas são práticas, ricas em proteínas, baratas e uma das melhores fontes de gorduras essenciais ômega-3", explica a nutricionista Rhian Stephenson à Vogue. O peixe ainda apresenta baixo teor de mercúrio e fornece cálcio em boas quantidades.

A sardinha também é fonte de vitamina B12, nutriente importante para o funcionamento do sistema nervoso. Assim como outros peixes oleosos, entre eles salmão, anchova, arenque e truta, pode fazer parte de uma alimentação voltada à saúde da pele, dos cabelos e das unhas.

"As sardinhas entram na conta do consumo de peixes oleosos, uma recomendação que, atualmente, apenas uma em cada cinco pessoas adultas consegue atingir", observa Rhian. "Elas são verdadeiras potências nutricionais".

Os benefícios vão além da aparência

Os nutrientes presentes na sardinha fazem com que seus benefícios não se limitem à saúde da pele. Por ser fonte de gorduras saudáveis, especialmente ômega-3, o peixe também fornece nutrientes importantes para o funcionamento do cérebro e para processos relacionados à produção de neurotransmissores.

Além disso, a sardinha é fonte de vitamina D, nutriente que desempenha diferentes funções no organismo. Com uma combinação de proteínas, vitaminas, minerais e gorduras boas, a sardinha se destaca, portanto, como um alimento nutritivo que pode contribuir para uma alimentação equilibrada muito além dos possíveis reflexos na aparência.

Fresca ou enlatada: qual escolher?

A praticidade das sardinhas em conserva ajuda a explicar parte de sua popularidade. Elas duram mais, são fáceis de encontrar e podem ser incluídas rapidamente em diferentes refeições.

Na hora da compra, porém, vale observar com atenção o rótulo. Algumas versões podem apresentar quantidades elevadas de sódio, além de açúcar ou outros aditivos. Pessoas mais sensíveis à histamina também devem ter atenção especial ao consumo de alimentos enlatados.

Entre as opções disponíveis, as sardinhas conservadas em azeite de oliva podem ser uma boa escolha, já que esse tipo de conservação ajuda a preservar os ácidos graxos insaturados presentes no alimento. Ainda assim, a versão em conserva pode ser encarada como uma alternativa prática para variar o cardápio, sem necessariamente substituir o consumo do peixe fresco.

Como incluir sardinha nas refeições?

Não é preciso simplesmente abrir a lata e comer o peixe puro. A sardinha pode aparecer em preparações bastante diferentes e combinar com ingredientes que ajudam a deixar a refeição mais completa.

Uma possibilidade é servi-la sobre uma fatia de pão de fermentação natural e acrescentar abacate, tomate, limão, pimenta ou salsa. Outra ideia é preparar um molho para massas com tomate, alho, alcaparras e azeitonas, inspirado na tradicional puttanesca.

A versatilidade, o preço e a densidade nutricional ajudam a explicar por que a sardinha saiu do fundo da despensa para ganhar protagonismo nas redes sociais.

E o chamado "sardine skincare"?

A popularidade do peixe já começa a ultrapassar a alimentação. Depois da repercussão de ingredientes de origem marinha no mercado de beleza, a sardinha passou a aparecer nas redes associada ao chamado "sardine skincare".

A tendência acompanha uma busca cada vez maior por componentes diferentes e propostas capazes de chamar atenção em meio à enorme oferta de cosméticos. Mas um ingrediente viral não necessariamente é sinônimo de eficácia comprovada.

Para o cirurgião plástico facial Yuri Moresco, é justamente nesse ponto que o consumidor precisa ter cautela. "Existe uma fascinação natural pelo que é novo e diferente, principalmente quando o ingrediente vem acompanhado de uma narrativa de inovação. Mas, na dermatologia e na cirurgia plástica, não podemos avaliar um tratamento apenas pelo ingrediente que está na embalagem. É preciso entender sua concentração, formulação, mecanismo de ação, segurança e, principalmente, quais evidências existem sobre aquele produto ou procedimento", explica à Vogue.

Nem toda tendência precisa entrar na rotina

A febre em torno da sardinha também revela algo maior sobre a maneira como consumimos beleza atualmente. Ingredientes inesperados ajudam a despertar curiosidade e, quando associados a promessas de luminosidade, firmeza ou rejuvenescimento, podem rapidamente se transformar em fenômenos nas redes.

Isso não significa que uma rotina de skincare precise acompanhar cada novidade que surge. "Uma rotina de cuidados não precisa ser exótica para ser eficiente. Fotoproteção, hidratação adequada e ativos com evidência científica continuam sendo pilares importantes. Quando existe uma queixa específica, o ideal é buscar avaliação profissional para entender o que realmente precisa ser tratado", destaca Moresco.

Assim, enquanto a sardinha pode ser um alimento nutritivo e interessante dentro de uma dieta equilibrada, sua transformação em fenômeno de beleza merece ser observada com senso crítico. Entre uma tendência viral e um benefício realmente comprovado, ainda existe um caminho que passa por formulação, segurança e evidência científica.

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