Roser Gort, psicóloga especializada em sono: "A insônia nem sempre é causada pela falta de sono em si, mas pelo medo antecipatório de não conseguir dormir"
Entenda por que acordar durante a madrugada pode ser algo natural e quando realmente merece atenção
Dormir não é um processo linear. Ao longo da noite, o corpo passa por vários ciclos de sono, cada um composto por diferentes fases, algumas mais profundas, outras mais leves. É ao final desses ciclos que podem surgir os chamados despertares noturnos.
"Cada ciclo costuma durar entre 90 e 110 minutos. Quando ele se completa, do ponto de vista da sobrevivência, o corpo entende que o essencial já foi feito. A partir daí entram outras etapas importantes, mas não vitais. O organismo sabe que já cumpriu o básico", explica a psicóloga especialista em sono Roser Gort.
Acordar após concluir esses ciclos, portanto, faz parte do funcionamento natural do sono e está longe de significar insônia. Segundo a especialista, muitos pacientes procuram atendimento acreditando que esses despertares indicam algum distúrbio, quando nem sempre é o caso.
"A insônia não é necessariamente falta de sono, mas muitas vezes o medo antecipatório de não conseguir dormir, que gera um ciclo de ansiedade e dificulta o descanso", afirma.
O verdadeiro quadro de insônia não se define por acordar uma ou duas vezes durante a noite, mas pela dificuldade persistente para iniciar ou manter o sono, ou pela sensação de não ter um descanso reparador, com prejuízos durante o dia.
O problema costuma estar menos no despertar em si e mais na reação a ele: ansiedade, preocupação excessiva, checar o celular ou ficar calculando as horas podem ativar o cérebro e dificultar voltar a dormir.
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