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Quais países mais combatem as mudanças climáticas? Veja ranking global

Ranking internacional avalia o desempenho de 64 nações no combate às mudanças climáticas e traz um alerta: ninguém conseguiu alcançar a classificação máxima

2 set 2026 - 19h11
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Resumo
O novo Climate Change Performance Index revelou que nenhum país adotou medidas suficientes contra a crise climática, deixando as três primeiras posições do ranking vazias. A Dinamarca lidera na prática, em 4º lugar, seguida por Reino Unido e Marrocos. O Brasil subiu para a 27ª posição devido à redução do desmatamento e ao uso de renováveis, mas ainda sofre com contradições ligadas a combustíveis fósseis. O estudo ressalta que, apesar do avanço na energia limpa, as emissões globais continuam subindo.

Quando o assunto é combater as mudanças climáticas, alguns países avançam mais rapidamente do que outros. Ainda assim, nenhuma nação do mundo faz hoje tudo o que seria necessário para enfrentar a crise ambiental. É o que mostra a nova edição do Climate Change Performance Index (CCPI), índice elaborado anualmente pela organização independente Germanwatch.

Ranking climático avalia 64 países e revela avanços e desafios no combate às mudanças climáticas; confira os destaques e a posição do Brasil
Ranking climático avalia 64 países e revela avanços e desafios no combate às mudanças climáticas; confira os destaques e a posição do Brasil
Foto: Reprodução: mammuth/Getty Images Signature / Bons Fluidos

A décima edição do levantamento, apresentada durante a COP30, em Belém, analisou 64 países que, juntos, são responsáveis por cerca de 90% das emissões globais. Para chegar aos resultados, o estudo considerou 14 indicadores distribuídos em quatro grandes áreas. As emissões de gases de efeito estufa possuem o maior peso, correspondendo a 40% da avaliação. Energias renováveis, consumo de energia e políticas climáticas representam, cada uma, outros 20%.

A partir desses critérios, o desempenho de cada país pode variar de "muito baixo" a "muito alto". E é justamente aí que aparece um detalhe simbólico do levantamento: as três primeiras posições do ranking permanecem vazias.

Por que não existe primeiro lugar?

As colocações 1, 2 e 3 seriam destinadas aos países com desempenho considerado "muito alto". Porém, segundo os critérios do índice, nenhuma das nações avaliadas está adotando medidas suficientes para alcançar esse patamar. Por isso, a lista começa efetivamente na quarta posição. Quem aparece nela é a Dinamarca, considerada pelo sexto ano consecutivo o país com melhor desempenho climático entre os avaliados.

Um dos principais motivos é sua atuação na transição energética. Cerca de 80% de sua matriz energética é abastecida por fontes renováveis, sendo que mais da metade da energia do país vem de usinas eólicas. A Dinamarca também recebeu destaque por suas políticas voltadas ao clima.

O país, entretanto, ainda possui pontos a melhorar. Seu desempenho em uso de energia é considerado mediano, categoria que avalia aspectos como eficiência energética e demanda de energia por habitante. É também por limitações como essa que nem mesmo o líder conseguiu ocupar uma das três posições reservadas ao desempenho máximo.

Reino Unido e Marrocos aparecem entre os destaques

Depois da Dinamarca estão Reino Unido e Marrocos. Os dois países apresentaram avanços relacionados às políticas climáticas, embora ainda exista espaço para ampliar a participação das fontes renováveis em suas matrizes energéticas.

O Reino Unido também alcançou um marco importante recentemente ao encerrar as atividades de sua última usina de carvão em 2024. O índice não considera apenas o cenário atual de cada país. As tendências e perspectivas para os próximos anos também entram na análise, permitindo observar se as políticas adotadas apontam para uma trajetória de redução das emissões.

Outro caso que chama atenção é o da Noruega, que ocupa a 11ª colocação. Apesar de possuir forte presença de energias renováveis, o país continua entre os grandes produtores mundiais de petróleo e gás, expondo uma das contradições presentes na transição energética global.

E o Brasil? País aparece na 27ª posição

O Brasil ficou em 27º lugar no levantamento, uma posição acima do resultado anterior. O desempenho brasileiro foi favorecido principalmente pelas políticas climáticas recentes e pela presença expressiva das fontes renováveis na matriz energética.

Outro ponto considerado positivo foi a redução do desmatamento da Amazônia nos últimos anos. "A performance média reflete as contradições do Brasil", avalia Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima que participou do relatório.

Entre os avanços destacados pela especialista estão a apresentação de uma NDC - documento no qual cada país estabelece suas metas para reduzir emissões - mais ambiciosa do que a anterior e a redução de 30% do desmatamento em 2024. A queda teria contribuído para uma diminuição de 22% nas emissões totais.

O cenário brasileiro, entretanto, apresenta importantes contrapontos. Entre eles estão medidas legislativas que podem dificultar a proteção ambiental e ampliar o risco de novas emissões. 

Outro ponto de atenção é a continuidade dos investimentos em combustíveis fósseis. Enquanto o país possui uma matriz com participação significativa de fontes renováveis, o incentivo à exploração de petróleo, inclusive na margem equatorial, aparece como uma das principais contradições de sua política ambiental.

Energias renováveis avançam, mas emissões continuam crescendo

Apesar do cenário preocupante, o relatório também identifica uma transformação importante: a expansão das energias renováveis continua acontecendo de maneira acelerada ao redor do mundo. O desafio é fazer com que esse crescimento seja acompanhado pela redução efetiva das emissões.

A estimativa é que as emissões globais de gases de efeito estufa ainda registrem crescimento de aproximadamente 1,1% em 2025. A expectativa, porém, é de que esse avanço alcance seu pico em breve e comece a desacelerar.

O ranking deixa, portanto, uma mensagem dupla. Há países avançando na transição energética, reduzindo o uso de fontes poluentes e criando políticas mais ambiciosas. Ao mesmo tempo, nenhum deles chegou ao nível considerado suficiente para ocupar o topo da classificação.

Mais do que descobrir quem está "ganhando" a corrida climática, o fato de as três primeiras posições continuarem vazias mostra que o desafio permanece coletivo - e que até os países considerados exemplos ainda têm um longo caminho pela frente.

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