Psicóloga explica como baixa autoestima afeta relacionamentos
Segundo especialista, em muitos casos, a problema vai além da falta de amor próprio e pode estar relacionada a traumas vividos na infância
A baixa autoestima afeta relações ao dificultar limites e gerar medo de abandono, levando à aceitação de maus-tratos. Para a psicóloga Elizabeth Clapés, a raiz costuma estar em traumas de infância, exigindo tratamento profundo além do mero discurso de amor-próprio. Um vínculo saudável requer reconhecer o próprio valor para dialogar e impor limites, sem aceitar o que fere e sem cair no extremo de abandonar a relação diante de qualquer frustração ou crise passageira.
A baixa autoestima nem sempre aparece quando alguém se olha no espelho e não gosta do que vê. Dentro de um relacionamento, ela pode surgir de maneira mais silenciosa: na dificuldade de dizer "não", na aceitação de comportamentos que machucam ou na sensação de que é preciso fazer de tudo para manter o parceiro por perto.
Para a psicóloga Elizabeth Clapés, esses comportamentos não devem ser analisados de forma isolada. "A autoestima é apenas a ponta do iceberg", afirmou em entrevista ao 'La Nación'. Segundo a especialista, por trás da dificuldade de se valorizar pode existir uma história emocional mais complexa.
"Provavelmente, a pessoa desenvolveu essa dificuldade porque viveu uma infância complexa. Por isso, o que precisa ser trabalhado, na verdade, é o trauma infantil", explicou.
Como a baixa autoestima afeta os relacionamentos
Um dos sinais aparece na maneira como alguém estabelece limites. A pessoa pode ter dificuldade para se posicionar, falar sobre aquilo que incomoda ou se afastar de situações em que o parceiro não demonstra respeito. Nesse cenário, o problema não está necessariamente na ausência de limites, mas na dificuldade de sustentá-los diante do medo de perder o outro.
Clapés chama atenção para comportamentos que podem passar despercebidos no dia a dia. "Os sinais podem aparecer de várias formas: uma pessoa que fala muito mal de si mesma, que não consegue impor limites, que permite ser maltratada ou que não cuida de si", explicou.
Essa perspectiva ajuda a entender por que repetir frases sobre amor-próprio nem sempre resolve a questão. Se a pessoa aprendeu, ao longo da vida, que precisa aceitar determinadas situações para receber amor, mudar esse padrão exige mais do que decidir que, a partir de agora, vai "se colocar em primeiro lugar". "É necessário um tratamento que considere toda a história de vida daquela pessoa", apontou Clapés.
O papel do amor-próprio na vida a dois
A psicóloga também faz uma ressalva importante sobre o discurso atual de autocuidado. Na tentativa de ensinar as pessoas a se valorizarem, o conceito de amor-próprio pode acabar levado ao extremo. "Você não é sempre a prioridade absoluta. Há situações em que sim, mas há outras em que não", afirmou.
Nesse sentido, então, cuidar de si não significa abandonar qualquer relação diante do primeiro conflito. O ponto está em diferenciar um desconforto natural de uma situação que ultrapassa os próprios limites.
Por isso, um relacionamento saudável não depende de evitar toda frustração. Para Clapés, também é necessário abandonar a expectativa de que o amor funcione perfeitamente o tempo inteiro. "É preciso entender que todo relacionamento passa por fases, enfrenta crises e que nem sempre vamos gostar de tudo no parceiro", explicou.
A questão, portanto, envolve aprender a se colocar em primeiro lugar, além de exigir reconhecer o próprio valor para construir relações com espaço para diálogo, discordância e limites — sem transformar o medo de ficar sozinho em motivo para aceitar aquilo que faz mal.
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