Por que o sofá dá mais sono que a cama? Psicóloga explica
De acordo com a especialista Lisa Strauss, as explicações envolvem desde a quebra da sonolência até a pressão da rotina noturna
Muitas pessoas relatam que sentem mais sono e até conseguem dormir melhor no sofá do que na cama. Algumas ainda afirmam adormecer rapidamente na sala, o que não acontece no quarto. Mas, afinal, por que isso ocorre? De acordo com a psicóloga clínica e especialista em distúrbios do sono Lisa Strauss, as explicações envolvem desde a quebra da sonolência até a ansiedade e a pressão da rotina noturna.
O retorno do estado de alerta e o fim do sono
Em um artigo publicado no 'Washington Post', a profissional iniciou respondendo a seguinte pergunta: "Sinto-me cansado e, frequentemente, parece que vou dormir no sofá, mas no minuto em que me levanto e vou para a cama, estou completamente acordado. O que está acontecendo?".
Segundo Strauss, isso ocorre porque, diferente da sonolência, que pode demorar até 20 minutos para se instaurar, o estado de alerta volta imediatamente quando passamos da sala para o quarto. Assim, ao chegarmos à cama, o cérebro recomeça o processo de adormecer, o que leva ao menos 10 minutos e nos faz sentir despertos nesse meio tempo.
Esse fenômeno, contudo, ainda está associado à ausência da inércia do sono na sofá — componente responsável por permitir o retorno ágil do cansaço. Mas outros fatores também podem afetar o repouso pleno na cama, como a pressão da rotina noturna.
"Muitos dos meus pacientes fazem mais do que uma parada rápida no banheiro antes de irem para o quarto. A preparação para dormir é como um trabalho noturno. Eles escovam os dentes (geralmente sob luzes fortes, que estimulam o despertar), lavam o rosto e assim por diante. Depois, precisam vestir o pijama para se deitar. Às vezes, conversas e planejamento para o dia seguinte se seguem. Já se foi a sensação de prontidão que sentiam no sofá", explicou.
Ansiedade e falta de foco
Além disso, de acordo com Strauss, é comum que alguns indivíduos passem horas rolando na cama sem conseguir dormir, o que pode ocorrer por vários dias seguidos. A consequência dessa prática é, portanto, o desenvolvimento de um gatilho para a ansiedade e a insônia. Ou seja, ao se forçar a permanecer no quarto enquanto o sono não vem, as pessoas acabam criando um padrão que as impede de adormecer no cômodo, mas permite repousar em qualquer outro lugar.
"Esperar até estar quase com sonolento para ir para a cama pode ser muito útil. Ter outro ambiente convidativo e tranquilo disponível se você ficar acordado por mais de 20 minutos (mas sem monitorar o tempo de perto ou estar em vigília do sono; lembre-se da parte da paz na receita) também ajuda. Romper velhas associações e construir novas exige repetição. A técnica geralmente leva pelo menos duas semanas", apontou.
Outra dica da especialista é levar as ocupações da sala para o quarto. Ela esclarece que o repouso, por vezes, é impactado na cama devido à falta de atividades relaxantes que ajudam a focar no momento de descanso, e não em preocupações externas.
"Considere concentrar sua mente em algo tranquilo para preencher o intervalo entre ir para a cama e adormecer. Pode até ser a mesma atividade que estava te ajudando a sentir sono no sofá. O foco pode estar em algo externo (por exemplo, um audiolivro) ou na privacidade da sua mente. Experimente nomear uma flor para cada letra do alfabeto, pulando as letras mais difíceis", sugeriu.