Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Por que o risco de lesão é maior no futebol feminino?

11 ago 2026 - 16h36
Compartilhar
Exibir comentários

Jogadoras têm até oito vezes mais chances de sofrer ruptura do ligamento cruzado anterior do que seus colegas homens. Diferenças físicas, menor suporte médico e menos infraestutura ajudam a explicar o fenômeno.Diversos estudos apontam que jogadoras de futebol têm um risco de duas a oito vezes maior de romper o ligamento cruzado anterior (LCA) do que seus colegas homens. Longos períodos afastadas dos gramados e a perda de grandes torneios estão entre as consequências amargas para atletas profissionais como as jogadoras da seleção alemã Giulia Gwinn e Lena Oberdorf.

Ainda que o problema não seja novo, ele continua sendo pouco pesquisado. Como ocorre em muitas áreas da saúde feminina, faltam dados que permitam compreender melhor esse tipo de lesão e suas causas.

Necessidade de avançar na coleta de dados

O Hospital Universitário de Regensburg quer ajudar a mudar esse cenário. As lesões das jogadoras da primeira e da segunda divisão da Bundesliga feminina , o campeonato alemão, vêm sendo registradas em um banco de dados desde a temporada 2023/2024. As primeiras análises do ano mostraram um risco quatro vezes maior de lesões do LCA em comparação aos jogadores homens, cujas lesões também foram registradas.

"Há um aumento das pesquisas internacionais sobre o futebol feminino, mas a diferença em relação ao volume de estudos existentes no futebol masculino ainda é muito grande", explica Lorenz Huber em entrevista à DW.

Huber trabalha como médico residente sob a coordenação do pesquisador Volker Alt no hospital universitário de Regensburg. Segundo ele, os últimos estudos sobre o futebol feminino profissional na Alemanha foram realizados em 2006 e 2007 e, depois disso, houve um longo período sem novas pesquisas.

"Existe uma grande necessidade de recuperação desse atraso", afirma o médico.

E exatamente aí está o problema: quando há poucos dados disponíveis, a prevenção e o tratamento podem ser menos eficazes.

O papel da anatomia feminina

Mas o que já se sabe sobre as causas do maior risco de lesões no joelho?

De acordo com especialistas, um dos fatores é a anatomia do corpo feminino. As mulheres possuem uma pelve mais larga e apresentam com mais frequência o chamado joelho valgo (ou joelhos em X), o que aumenta a vulnerabilidade a rompimentos do LCA. Além disso, elas geralmente têm menos força muscular, o que pode tornar a articulação do joelho menos estável. Tecidos conjuntivos mais frágeis e o ciclo menstrual também desempenham um papel importante.

Mas a questão não para por aí. "Acredito que, no futebol feminino, seja ainda mais complexo do que no masculino. Há múltiplos fatores que explicam por que essas atletas se lesionam", afirma Huber.

Menos infraestrutura que os homens

Os dados coletados pelo hospital universitário mostram que jogadoras que entram em campo com frequência também se lesionam mais.

Esse também é um fator de risco para os homens, mas, segundo um relatório recente da Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPRO), as mulheres são especialmente suscetíveis.

A FIFPRO analisou a carga de trabalho de quase 300 jogadoras profissionais de futebol em todo o mundo durante a temporada 2024/2025. Um dos resultados foi que as atletas vêm acumulando cada vez mais partidas. Pela primeira vez desde a temporada 2020/2021, 15 jogadoras disputaram pelo menos 50 jogos. Como consequência, o intervalo entre as partidas caiu para menos de cinco dias, afetando a recuperação física.

Segundo a FIFPRO, jogos disputados em sequência são um problema especialmente para as mulheres, já que muitas delas têm acesso apenas a "estruturas básicas de treinamento, atendimento médico, recursos de recuperação física e equipamentos adequados".

A falta de infraestrutura tem grande impacto sobre a carga de trabalho, pois mesmo nos maiores e melhores clubes, as condições não são as mesmas oferecidas aos homens, afirma Alex Culvin, diretora da área de futebol feminino da FIFPRO, em entrevista à agência Reuters.

Diferenças dentro dos próprios clubes

Lorenz Huber, do Hospital Universitário de Regensburg, também observa desigualdades no futebol feminino. Nos principais clubes da primeira divisão alemã existem condições bastante profissionais, e outras equipes vêm acompanhando esse desenvolvimento. Ainda assim, segundo ele, a assistência médica "não pode ser comparada ao que vemos no futebol masculino".

Outra diferença aparece dentro de campo. No total, as mulheres disputam muito menos partidas do que os homens. Apenas a espanhola Aitana Bonmatí, jogadora do FC Barcelona, alcançou a marca de 60 jogos na temporada 2024/2025. Em comparação, dos cerca de 1,5 mil homens presentes no banco de dados da FIFPRO, 111 atletas entraram em campo pelo menos 60 vezes no mesmo período.

Uma das razões é que as ligas femininas são menores e contam com menos rodadas. Isso também significa que a maioria das jogadoras que não atua nos principais clubes ou em competições nacionais e internacionais passa frequentemente por longos períodos sem partidas.

"Essa falta de prática regular em jogos de alto nível limita o desenvolvimento das jogadoras, compromete sua preparação competitiva, aumenta o risco de lesões e reduz sua visibilidade em competições de maior destaque", afirma o relatório da FIFPRO.

Os dados do Hospital Universitário, por outro lado, não confirmam que a irregularidade de partidas aumente o risco de lesões. A análise mostra, porém, que costuma haver um aumento no número de lesões após as pausas de verão e de inverno.

Avanços no futebol feminino

As diferenças entre as estruturas e os riscos de lesão no futebol masculino e feminino ainda são claramente perceptíveis. Mesmo assim, Huber observa tendências positivas e uma forte evolução. "Desde que iniciamos o estudo, muita coisa mudou", relata.

Na opinião dele, há um movimento geral de crescimento, visível no aumento do público, na maior presença do futebol feminino na mídia e na sua crescente profissionalização.

Para que haja uma melhora efetiva na prevenção de lesões, porém, é necessário que os treinamentos também levem em consideração as diferenças biológicas e as necessidades específicas das mulheres.

---------

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra